Copa do Brasil

O Fortaleza dominou o Ceará e gravou seu nome no histórico Clássico-Rei com uma vitória incontestável

Leão do Pici ganhou por 3 a 0, numa atuação superior durante os 90 minutos, ampliando o bom momento da equipe

O sorteio da Copa do Brasil garantiu um Clássico-Rei de proporções titânicas. Ceará e Fortaleza se encarariam por uma vaga nas oitavas de final da competição nacional, numa ocasião inédita ao confronto. E o que se viu foi uma classificação categórica do Leão do Pici, fechando com chave de ouro uma semana histórica – depois dos 5 a 1 sobre o Internacional pelo Brasileirão. O Tricolor foi senhor do jogo no Castelão: depois do empate na ida, dominou totalmente a volta e fez por merecer a vitória por 3 a 0. A equipe avança com moral à próxima fase e referenda um pouco mais o trabalho de Juan Pablo Vojvoda – que chegou ao Fortaleza há um mês e já emenda resultados fantásticos.

O empate por 1 a 1 na ida mantinha o clássico aberto para o reencontro no Castelão. E o Fortaleza tinha motivos suficientes para acreditar na vitória, depois de alcançar triunfos sobre Atlético Mineiro e Internacional no Brasileirão, fechando a segunda rodada na liderança do certame. No fim das contas, o Leão do Pici teve uma senhora atuação contra o Ceará. Exibiu um futebol envolvente e sufocante, que permitiu aos tricolores construírem a vitória rapidamente. O Vozão, que levou a melhor nos clássicos pelo Nordestão e pelo Brasileirão em 2020, não faria muito contra os rivais nestes 90 minutos e já acumula cinco duelos sem bater os oponentes.

Curiosamente, o Ceará poderia ter aberto o placar aos oito minutos. Numa cobrança de escanteio, Jordan aparou de cabeça e Klaus mandou a bola na trave. Mas foi só. O Fortaleza já vinha trabalhando melhor com a bola e logo seu domínio se converteu no placar. O primeiro gol saiu aos 21 minutos. Depois de uma cobrança de falta, Felipe apareceu livre pelo lado esquerdo da área e fuzilou para as redes. Richard ainda salvaria o segundo na sequência, pegando uma falta batida por Éderson.

A proposta de jogo do Fortaleza era mais eficiente e, além de ter mais volume de jogo, a equipe também criava bem mais. A superioridade era expressa e o segundo gol parecia não tardar. Veio aos 45, numa cortesia da zaga do Ceará. A pressão funcionou e forçou o erro de Charles bem na hora do recuou. Ao dominar sozinho dentro da área, David não perdoou e mandou para dentro. Logo depois, o próprio David acertaria a trave na tentativa de encobrir Richard. O Vozão estava nas cordas e até dava sorte pela diferença parcial de dois gols antes do intervalo.

O Ceará voltou ao segundo tempo com duas mudanças, mas não é que o time tenha melhorado tanto. Prova disso foi a decisão de Guto Ferreira ao sacar Vina pouco depois, o que deixou o meia irritado. Em má fase, ele não ajudava. O Fortaleza diminuiu um pouco o ritmo e quase tomou um gol contra, mas foi só apertar o passo que conseguiu o terceiro aos 22. Acionado por Wellington Paulista, Yago Pikachu passou para David, que chutou de primeira e mandou um tiro rasteiro para o fundo das redes. A classificação estava selada ali.

Já nos minutos finais, nem mesmo as trocas mais ofensivas do Ceará surtiriam tanto efeito. O Fortaleza conseguiu preservar a diferença, mesmo com um abafa desordenado dos alvinegros. A vitória era mais do que merecida. O Leão do Pici permanece invicto sob as ordens de Juan Pablo Vojvoda. São sete vitórias e dois empates, com 31 gols marcados e quatro gols sofridos. E o treinador já entra para a história ao vencer o maior Clássico-Rei por competições nacionais.

A classificação na Copa do Brasil vale R$2,7 milhões e a chance genuína de uma campanha excepcional ao Fortaleza. Essa é a décima vez que o Leão do Pici alcança as oitavas de final do torneio, mas só uma vez passou disso, parando nas quartas em 2002. Qualidade os tricolores têm para uma caminhada mais longa. E o momento impactante gera expectativas além, considerando a própria forma como a equipe vem se apresentando. A vitória incontestável sobre o Ceará é a prova definitiva de que este momento ficará na memória. Os tricolores agora querem que ele signifique mais na temporada.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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