O Fla lutou mais, se defendeu muito bem e finalizou melhor para superar o Flu num grande clássico
O Fluminense teve 71% de posse de bola, mas o Flamengo superou os rivais em intensidade e também em eficiência para vencer e avançar na Copa do Brasil
O Maracanã se preparou para um clássico titânico. Flamengo e Fluminense faziam o jogo de volta pelas oitavas de final da Copa do Brasil, depois de uma ida quente, mesmo com o empate por 0 a 0. O Maraca se incendiou ainda mais neste reencontro. E terminou com suas estruturas trepidando, diante da festa rubro-negra pela classificação do Fla sobre o Flu. Como nos 90 minutos iniciais, foi uma partida pegada. O Flamengo, entretanto, provou sua superioridade por entender muito melhor o confronto. O Fluminense teve a bola e pressionou, mas pouco criou diante da excelente atuação defensiva dos rivais. Os rubro-negros foram ótimos na batalha nas trincheiras, especialmente pela combatividade de seu meio-campo. Nas bolas paradas, o Fla abriu o placar na primeira etapa. E, sem deixar de lutar para suportar o abafa, fechou a conta em 2 a 0 no final, graças aos contra-ataques. Foi uma exibição na raça, de um jeito que o torcedor tanto valoriza, que bota os flamenguistas nas quartas de final.
O pontapé inicial no Maracanã levou um tempo para acontecer, por causa da fumaça dos sinalizadores. Depois, os jogadores de ambas as equipes protestaram contra a Lei Geral do Esporte. Quando a bola rolou, o Fluminense tomou o controle. O Tricolor conseguiu estabelecer a posse de bola e pressionava na recuperação. De qualquer maneira, a partida era travada. A estratégia do Flu não garantia muitos perigos. O Flamengo aos poucos também subiu seu time e incomodou mais a saída dos rivais. As defesas prevaleciam, sem que o duelo fluísse.
O Flamengo conseguiu encaixar a primeira grande chance do clássico aos 20 minutos. Fabrício Bruno lançou e David Luiz se infiltrou, mas bateu para fora. O zagueiro também estava impedido. O Fluminense, sem conseguir produzir perto do gol, passou a arriscar chutes de longe. Cano foi o primeiro a testar o goleiro Matheus Cunha, que defendeu em dois tempos aos 24. Já o maior susto do Flu veio aos 28, numa cobrança de escanteio. Cano conseguiu aparecer com espaço no segundo pau, mas não pegou em cheio na bola e mandou para fora. A partida começava a ficar com mais alternativas.
E o placar se abriu nessa crescente, aos 33 minutos, beneficiando o Flamengo. Na sequência de um escanteio, a sobra na intermediária ficou com Gérson. O meio-campista lançou, Fabrício Bruno ajeitou de cabeça na área e Arrascaeta acertou uma testada bonita, no cantinho. O gol aumentou a confiança dos rubro-negros, que seguiram mais presentes no ataque. Léo Pereira teve uma batida fraca defendida por Fábio. O Fluminense não deu sinais de reação até o intervalo, num final de primeiro tempo que ficou mais pegado, com uma sequência de cartões amarelos para os dois lados.
Com Gabriel Pirani no lugar de Guga, o Fluminense começou o segundo tempo mais aceso e Nino exigiu a primeira defesa de Matheus Cunha logo cedo. Arias também incomodou num lance pela ponta. O Flamengo cresceu na sequência e teve uma grande escapada com Ayrton Lucas aos sete, mas foi anotado o impedimento. A pegada dos rubro-negros também era alta. Jorge Sampaoli precisou fazer a primeira troca aos 12, quando Léo Pereira se lesionou e deu lugar a Everton Ribeiro. Seria um momento em que o Flu voltou a crescer, alçando a bola na área do Fla. Os flamenguistas tentavam igualar no combate.
Raros eram os respiros do Flamengo. O Fluminense permanecia em cima e exigia mais da defesa rubro-negra. Wesley chegou a fazer um corte crucial aos 25, numa tentativa de Ganso com Cano. Mas, ainda que o Fla se entrincheirasse, pelo menos conseguia proteger bem a sua meta. Os novos escapes dos rubro-negros só ocorreriam por volta dos 30. Gérson teve boa arrancada em lance que culminou num impedimento e Gabigol reclamaria de um pênalti não marcado. Nesta sequência, Arrascaeta deu lugar a Everton Cebolinha. O Flu ficou mais ofensivo, com John Kennedy na vaga de Lima.
Um erro de Ganso quase culminou no segundo gol do Flamengo, numa sequência inacreditável aos 34. Em uma senhora atuação, Gerson saiu de frente para o crime e carimbou Fábio. No rebote, Cebolinha bateu no capricho e acertou a trave. Ainda houve mais uma sobra, com Gabigol, mas Fábio defendeu o arremate no contrapé. Os contra-ataques se tornavam uma alternativa melhor ao Fla, que pouco depois teve grande arrancada com Cebolinha. O ponta atrasou a batida na área e foi travado por André. Que a necessidade fosse do Flu, o Fla parecia mais próximo do segundo. Isaac e Alan eram as últimas cartadas de Fernando Diniz.
O Flamengo não perdeu o seu nível de concentração. Continuou muito bem na marcação. E num momento em que o desgaste também pesava sobre o Flu, o gol da classificação saiu nos acréscimos. Em noite inspirada, Fabrício Bruno fez grande jogada individual e já deu um susto tremendo numa batida cruzada que Nino salvou quase em cima da linha. Pouco depois, também pela direita, surgiu o tento. Wesley arrancou à linha de fundo e tocou para trás. Cebolinha espirrou o taco, mas Gabigol estava atento para só cutucar às redes. O Maracanã explodia em comemoração.
A classificação do Flamengo possui um peso imenso em diferentes contextos. É um clássico, com o Maracanã em sua atmosfera mais contagiante. A equipe de Jorge Sampaoli dá uma resposta, entre os questionamentos pelo momento recente. E os rubro-negros deixam para trás os rivais que tinham sido uma pedra no sapato pelo Campeonato Carioca. O Fla cresce com esse resultado. Enquanto isso, o Fluminense perde embalo e emenda cinco partidas sem vencer, com a quarta derrota em sequência. Sofrendo com os muitos desfalques, não consegue reproduzir seu melhor futebol, e a derrota foi uma prova disso, com um domínio inócuo. Foi neutralizado por um oponente muito mais vibrante.



