Copa do Brasil

O Cascavel ampliou o drama do Figueirense, com a virada e a classificação em sua estreia na Copa do Brasil

A Copa do Brasil, nesta quinta, mais uma vez contou com um festival de classificações dos visitantes. Os clubes de melhor ranking passaram em seis das sete partidas realizadas – embora Criciúma, Vasco e Ypiranga de Erechim tenham dependido da vantagem do empate para sobreviver. A Caldense, que já tinha vencido o Cruzeiro dentro do Mineirão neste ano, quase se aproveitou dos espólios do Vasco e deu sufoco ao buscar o empate por 1 a 1 no fim do segundo tempo. Sem que o regulamento desse aos mineiros a chance dos pênaltis, assim, o grande feito do dia acabou protagonizado pelo Cascavel. O único mandante a se classificar derrotou o afundado Figueirense por 2 a 1, de virada, e avançou para a segunda fase.

Fundado em 2008 por Belletti, o Cascavel chegou a se licenciar em meados da década passada, mas reativou o departamento de futebol profissional em 2013 e tem ganhado projeção nos últimos anos. Depois da subir à elite do Campeonato Paranaense em 2015, os aurinegros viveram um 2020 especial. Foram campeões do interior no estadual e também participaram da Série D pela primeira vez, caindo nos 16-avos de final contra o Novorizontino. Já neste ano, foi a vez de estrear na Copa do Brasil, e já com uma classificação significativa.

O Figueirense chegou ao interior do Paraná numa crise tremenda. O descenso na Série B serviu de retrato ao caos na administração do Furacão, que passa dias de incerteza. O clube entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na última semana, caminho inédito no futebol brasileiro diante dos problemas financeiros da agremiação. Com as receitas minguando após o rebaixamento, o Figueira tenta renegociar suas dívidas – conforme explicado por Rodrigo Capelo, em seu blog no Globo Esporte. Enquanto a diretoria aguarda os desdobramentos da ação na justiça, o time precisou encarar o Cascavel na Copa do Brasil, buscando garantir ao menos um alívio com a premiação no torneio. Não aconteceu.

O Cascavel já era melhor desde o primeiro tempo, com a iniciativa em busca da necessária vitória e mandou até mesmo uma bola na trave. No entanto, o Figueirense melhorou pouco antes do intervalo e abriu o placar com Gabriel Rodrigues, desviando de cabeça dentro da área. Os paranaenses pelo menos evitaram o prejuízo antes do fim da primeira etapa, com o empate nos acréscimos. Léo Itaperuna recebeu o cruzamento e deu um belíssimo giro de voleio, emendando a acrobacia para estufar as redes.

Já no segundo tempo, o Cascavel melhoraria por influência de Tcheco, seu treinador. O atacante Douglas saiu do banco e, logo aos cinco minutos, anotou o gol da classificação. Lançado em velocidade, o camisa 17 invadiu a área e bateu no canto. O Figueira ainda pressionou pelo empate, mas o abafa não deu resultados. Ficou a frustração pela oportunidade perdida e pelo dinheiro que não cairá.

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Com a classificação, o Cascavel embolsou R$675 mil de prêmio. A equipe, inclusive, pode encarar outro clube tradicional do futebol catarinense na próxima fase. O adversário sairá do confronto entre Palmas e Avaí, com o mando de campo na segunda fase ao vencedor deste jogo. Em caso de empate, não há vantagem ao visitante na etapa seguinte da Copa do Brasil.

Por fim, vale ainda destacar o vergonhoso remanejamento de partidas que sequer aconteceram. Com a proibição do futebol em diversos estados, a CBF mudou o local de cinco encontros nesta semana. Ypiranga-AP x Santa Cruz-PE e Porto Velho-RO x Ferroviário-CE deveriam jogar em Goiânia, segundo a entidade. Os times já treinavam na cidade quando o governo de Goiás também proibiu o futebol por lá e as partidas foram impedidas de acontecer. A CBF ainda tentou transferir os embates para Brasília, sem sucesso. É um retrato imenso da postura da confederação, que passa por cima das autoridades locais e ignora as complicações que as viagens podem causar no cenário de pandemia.

Outras três partidas aconteceram em campos neutros nesta semana. O Galvez-AC perdeu para o Atlético Goianiense por 3 a 1 em Cuiabá na quarta-feira. Já nesta quinta, o Red Bull Bragantino derrotou o Mirassol por 3 a 2 em Cariacica, onde o Marília já tinha empatado com o Criciúma por 0 a 0. O detalhe é que, mesmo sem a vantagem do mando e precisando fazer uma viagem longa para outro estado, o Marília foi prejudicado pelo regulamento que classifica os visitantes com o empate.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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