Copa do Brasil

O Botafogo não desistiu jamais, mas a histórica classificação foi mesmo desfrutada pelo Cuiabá

O Cuiabá vive uma temporada para entrar na história do clube e, por consequência, do futebol mato-grossense. A equipe acumula nove títulos estaduais, duas taças na Copa Verde e também dois acessos em divisões nacionais, mas nada comparado ao sucesso na Série B de 2020. O Dourado liderou parte da competição e tem boas chances de buscar o inédito acesso à Série A, com uma vantagem de seis pontos no G-4. E a caminhada marcante se combina, também, com a melhor campanha da agremiação na Copa do Brasil. A façanha já tinha se desenhado no Rio de Janeiro, com a vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo na última semana. Todavia, só estaria completa com a classificação, e ela veio graças ao empate por 0 a 0 na Arena Pantanal.

O Botafogo entrou em campo pressionado para responder, numa crise que atinge o clube em diferentes aspectos, embora a maior urgência fosse no gramado. Os alvinegros demitiram Bruno Lazaroni e ainda buscam um novo treinador, mas precisavam de uma reação e de uma postura mais ofensiva na Arena Pantanal. Os cariocas fariam um bom início na partida, com a atitude necessária, abafando o Cuiabá. Todavia, apesar do volume ofensivo, faltou aos botafoguenses finalizarem com mais qualidade.

Mesmo com a iniciativa e com os quase 70% de posse de bola, o Botafogo não conseguia gerar chances claras de gol. A equipe acuava o Cuiabá, mas a criação era limitada, por mais que houvesse uma boa movimentação. E o nervosismo pareceu bater com o passar dos minutos. O Dourado, que pouco fizera de início, começaria a se soltar pouco antes do intervalo. Os mato-grossenses poderiam ter ampliado a diferença no placar agregado. Aos 41, Maxwell recebeu a bola de Willians Santana e mirou o canto, mas Diego Cavalieri realizou uma defesaça.

O segundo tempo retomaria a pressão do Botafogo, com o Cuiabá entrincheirado. A resistência do time da casa era liderada pelo veterano Anderson Conceição. Porém, apesar da inoperância dos cuiabanos, faltava mais agressividade aos alvinegros. Por isso, a equipe mudaria três peças aos 15 minutos e ganharia novo vigor ofensivo. Pedro Raul, um dos substitutos, quase abriu a contagem aos 23. O centroavante cabeceou e João Carlos realizou uma defesaça no reflexo, afastando o perigo com o punho.

Ao mesmo tempo em que o Botafogo partia ao desespero, o Cuiabá tentava congestionar o meio-campo e travar os visitantes. A partida era disputada ao redor da área dos mato-grossenses, com as melhores jogadas alvinegras vindo pelo alto. Aos 30, Pedro Raul cabecearia de novo com muito perigo, agora para fora. O centroavante, aliás, representou os lamentos dos botafoguenses. Três minutos depois, ele ainda acertaria o travessão do Dourado. Até parecia ser possível uma reviravolta no confronto, e os cariocas se empenhavam para isso, mas também esbarravam no esforço dos cuiabanos.

A partida seguiria mais pegada durante os minutos finais, com muitos cartões e o Cuiabá tentando matar os ataques do Botafogo. Os alvinegros, por seu lado, não desistiam. Marcelo Chamusca chegou a colocar mais um zagueiro no time da casa, enquanto os botafoguenses tentavam achar alguma bola vadia a partir dos chuveirinhos. Os sete minutos de acréscimos arrastavam o drama. E o último suspiro dos cariocas veio aos 49, numa cabeçada de Guilherme, para outra nova defesa salvadora de João Carlos. O goleiro saiu como herói da classificação do Dourado.

O Cuiabá faz não apenas sua melhor campanha na Copa do Brasil, como também supera os limites do melhor desempenho do Mato Grosso na história do torneio. Pode ser o “adversário favorito” no sorteio das quartas de final, mas mostrou como também consegue ser competitivo. E, além do valor histórico da classificação, o Dourado ainda embolsa uma fortuna de R$3,3 milhões com a passagem. O Botafogo lutou para evitar a queda precoce, mas de novo foi estéril no ataque. Melhor aos cuiabanos, com um feito daqueles que ficam na memória da competição.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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