Copa do Brasil

O Athletico construía uma grande virada, mas o Flamengo sai aliviado com o empate no fim

Furacão fez por merecer a reação, mas um pênalti nos acréscimos evitou o pior ao Fla

O Athletico Paranaense parecia ter nas mãos uma excelente virada sobre o Flamengo no primeiro jogo das semifinais da Copa do Brasil, dentro da Arena da Baixada. O Furacão se deu melhor em sua proposta, com postura mais combativa sem a bola e letal no jogo aéreo. Com isso, reverteu o gol sofrido no início e travou os cariocas, transformando o placar na segunda etapa. Porém, o Flamengo não pode reclamar do empate por 2 a 2 arrancado no último minuto, graças a um pênalti. Para uma atuação pobre do Fla, sem criatividade e sentindo os desfalques, a igualdade fica de ótimo tamanho. Já os athleticanos sabem o preço que esse tento pode ter antes do reencontro no Maracanã.

O Athletico Paranaense tinha a novidade de Nicolás Hernández na zaga. Christian e Richard eram ausências no meio. Já na frente, combinavam-se Nikão, Renato Kayzer e David Terans. Vale destacar ainda o apoio da torcida na Baixada, com um clima fervilhante desde a chegada dos jogadores ao estádio. O Flamengo, por sua vez, seguia sem contar com nomes como Arrascaeta, Bruno Henrique e David Luiz. Everton Ribeiro, Andreas Pereira e Michael eram os principais responsáveis pela ligação, com Gabigol na frente.

O jogo na Arena da Baixada não engrenou de imediato. Os primeiros minutos foram mais travados, com o Athletico tentando exercer uma pressão maior no campo de ataque e roubar bolas em zonas perigosas. Porém, quando os paranaenses conseguiam os desarmes, as jogadas não tinham resultado. O Flamengo, por sua vez, também adotava uma postura agressiva sem a bola e gradativamente passou a causar mais problemas aos athleticanos. A equipe da casa sofria com o vazio em seu meio-campo e muitas vezes o goleiro Santos recorria aos chutões. Na primeira chance clara do jogo, aos 15, o Fla abriu o placar.

O Flamengo precisou de um bocado de sorte para marcar seu gol. Em cobrança de falta frontal, Léo Pereira aparou o cruzamento de Andreas Pereira. Na entrada da área, Gabigol finalizou, mas a bola desviou em Willian Arão e sobrou para Thiago Maia definir. Ainda houve dúvidas quanto ao posicionamento de Thiago Maia, mas o VAR indicou que o meio-campista estava na mesma linha do penúltimo defensor. Com o tento, os cariocas cresceram no jogo. Foi um momento de mais atitude do Fla, com Isla e Arão forçando defesas de Santos. O Athletico tinha dificuldades para ter um pouco mais de controle do jogo.

Não era uma partida criativa, mas o Flamengo trabalhava mais a bola – o que não fazia com tanta competência assim. Já a resposta do Athletico estava na marcação, fechando os espaços e buscando forçar algum erro dos visitantes. Seria desta maneira, adiantando os botes, que o Furacão cresceu e causou certo incômodo por volta dos 40. Erick chegou a exigir uma defesa segura de Diego Alves, após cobrança de escanteio. Os paranaenses travavam a saída de bola dos cariocas, que não conseguiam sequer realizar ligações diretas com o ataque.

A melhora do Athletico no fim do primeiro tempo antecedeu o empate logo no início do segundo. Após uma cobrança de escanteio, aos três minutos, Pedro Henrique subiu muito bem para desferir a cabeçada fatal. O Flamengo tentou responder de imediato, com combinações de Thiago Maia e Michael, mas os visitantes tinham dificuldades na finalização. O Fla era mais ativo na sequência do segundo tempo, faltando mais capricho na construção dos lances. O Athletico conseguia se dar melhor pela solidez na marcação. E se já não estava tão bom para os cariocas, a equipe ainda perderia Gabigol, após virar o pé num lance casual. Pedro entrou em seu lugar.

O Athletico voltou a rondar a área do Flamengo através das jogadas aéreas. E foi numa dessas que a virada saiu, aos 26. Abner cruzou com qualidade e Renato Kayzer subiu mais que Léo Pereira na marcação para executar mais uma cabeçada forte, sem chances para Diego Alves. A resposta de Renato Gaúcho no banco veio com as entradas de Diego e Vitinho, nos lugares de Michael e Thiago Maia. Já o Furacão ganhou Pedro Rocha na vaga de Kayzer. Os athleticanos pareciam ter o jogo em seu controle, espetando algumas bolas para o ataque, mas se valendo mesmo da firme defesa contra o improdutivo Fla – que seguia errando bastante.

As alterações na reta final não geraram grande impacto no cenário. O Flamengo tentou rondar a área do Athletico, mas com pouca eficiência. Um raro lance de perigo dos cariocas aconteceu aos 44, numa dividida de Pedro com Santos, mas a zaga conseguiu safar os paranaenses em meio às rebatidas. Os seis minutos de acréscimos ainda ofereceram uma sobrevida ao Fla, mas parecia não haver um senso de urgência. Só no último minuto surgiu a chance de empate, num lance em que Lucas Fasson esticou o braço e acertou o rosto de Rodrigo Caio. Após revisão no vídeo, Luiz Flávio de Oliveira marcou o pênalti. Pedro assumiu a cobrança e bateu no meio do gol, vencendo o goleiro Santos. Um empate achado que aliviou a barra dos flamenguistas.

No geral, o Athletico foi melhor que o Flamengo em sua ideia de jogo. Encaixou a sua marcação, foi mais agressivo sem a bola e contou com a força de seu jogo aéreo. A vantagem do empate, todavia, escapou nos acréscimos e os paranaenses precisarão mostrar um nível competitivo igual ou maior no Maracanã. Aos flamenguistas, resta aprender com os erros de um time que podia ter suas ausências, mas mesmo assim deveria ter apresentado mais e produziu pouquíssimo ofensivamente.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo