Copa do Brasil

O 4 de Julho elimina o Cuiabá e faz história na Copa do Brasil, com a melhor campanha do Piauí em 20 anos

Clube do interior piauiense vence nos pênaltis e registra já o segundo melhor desempenho da história do estado na Copa do Brasil

O 4 de Julho, de Piri-Piri, escreve a grande história da Copa do Brasil rumo à terceira fase. Dentre os 80 participantes que disputam o torneio desde o início, 68 tinham pontuações no Ranking da CBF. Os piauienses eram os penúltimos entre estes, no 194° lugar geral do ranking. Mesmo assim, os colorados superaram os prognósticos e passaram por dois adversários, para embolsar R$1,7 milhão em premiação. No primeiro duelo, o 4 de Julho já tinha desbancado o Confiança, um time de Série B. Já nesta quinta, o Gavião despachou o Cuiabá, oponente de Série A. Após o empate por 0 a 0 Piripiri em Teresina, a classificação foi assegurada nos pênaltis, com a vitória por 5 a 4.

Durante o primeiro tempo no Estádio Lindolfo Monteiro, o 4 de Julho equilibrou o jogo e teve muita entrega. Tentou abrir o placar, mas o gol não veio por pouco. Já no segundo tempo, o Cuiabá levou mais perigo e chegou a acertar o travessão aos 41 minutos, com Elvis. Ainda assim, nada suficiente para tirar o marcador do zero e evitar os pênaltis. Na marca da cal, os dois times seguiam empatados até a quarta série de cobranças. Marllon, do Cuiabá, então bateu e o goleiro Jaílson defendeu. Por fim, coube ao próprio Jaílson converter o quinto tiro e decretar o triunfo colorado.

“Felicidade e dever cumprido. Ontem a gente treinou pênalti e eu fiz os três. Saio muito feliz desse jogo por ter pego um pênalti e ter feito o último. Deus está sendo muito bom com nossa equipe. Só tenho a agradecer a Deus e à minha família por essa classificação”, contou Jaílson, ao Globo Esporte, confessando que joga como atacante no futebol amador durante as férias. “Eu nasci e me formei no 4 de Julho. Não tenho nem como expressar minha felicidade. O Brasil todo está falando. A gente sempre botou na nossa cabeça que era um jogo difícil, um time de primeira divisão, mas que era possível se a gente acreditasse na capacidade da nossa equipe”.

Campeão estadual pela quarta vez em 2020, encerrando o jejum de nove anos, o 4 de Julho vive um ano com ótimas perspectivas. Disputou a Copa do Nordeste pela primeira vez, caindo na fase de grupos, e estará na Série D. E a premiação na Copa do Brasil representa uma fatia imensa ao orçamento modesto: a folha salarial dos colorados é de R$140 mil. Com a injeção de R$1,7 milhão, os piauienses poderiam pagar seu elenco ao longo de todo o ano.

A perspectiva histórica também indica a grandeza da classificação. O 4 de Julho está em sua sexta participação na Copa do Brasil e nunca tinha chegado à terceira fase. Mais do que isso, é a segunda melhor campanha do Piauí na história da competição nacional, a melhor em duas décadas. Apenas um time havia conseguido ir tão longe, o Flamengo de Teresina, que alcançou as oitavas de final em 2001, depois de eliminar Moto Club e Sport. Nem mesmo o River, maior campeão estadual, tinha conseguido bater dois adversários diferentes numa mesma edição do torneio. Agora o 4 de Julho fica no aguardo do sorteio para saber quem desafiará na próxima etapa, esperando um pouco de sorte no chaveamento.

Outro a se classificar nesta quinta, o Avaí bateu o Cascavel por 2 a 0 na Ressacada. Júnior Dutra e Giovanni anotaram os gols dos catarinenses. Já o Atlético Goianiense visitou o Joinville e saiu com o triunfo por 2 a 0 de Santa Catarina, com tentos de João Paulo e Danilo Gomes. Encerrada a segunda fase da Copa do Brasil, a terceira fase está marcada para junho. Vale lembrar que, com a mudança de regulamento, os times da Libertadores já ingressarão nestes 16-avos de final.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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