Copa do Brasil

Numa quarta-feira repleta de zebras na Copa do Brasil, nada supera a confusão de Juazeirense 3×2 Sport

A Copa do Brasil teve uma quarta-feira favorável aos mandantes – e, consequentemente, às surpresas. Das sete partidas realizadas no dia, apenas três viram a equipe mais bem ranqueada como vencedora: a Ponte Preta bateu o Gama em Luziânia, o Paysandu eliminou o Madureira em Conselheiro Galvão e o Botafogo goleou o Moto Club no Castelão. De resto, a zebra rolou solta pelo país. E nada se compara à confusão que ocorreu na Bahia. A Juazeirense eliminou o Sport com uma virada por 3 a 2, mas o resultado deve ir para os tribunais. O jogo não teve fim, com quedas de energia no Estádio Adauto Moraes e uma falha no gerador que não permitiu a realização dos minutos finais.

A emoção começou logo no primeiro minuto, com o primeiro gol da Juazeirense. Kesley abriu o placar para os anfitriões num rebote de Luan Polli e botou pressão sobre o Sport. O empate não demorou, em pênalti convertido por Ronaldo Henrique aos 11. Já aos 20, Mikael virou para o Leão da Ilha. Na volta ao segundo tempo, a Juazeirense veio com duas mudanças e de novo marcou no primeiro minuto, com o empate determinado por Clébson, de cabeça. Pois o Cancão de Fogo conseguiria revirar o placar aos 21, graças ao zagueiro Dedé.

Conforme o regulamento desta primeira fase da Copa do Brasil, um empate classificaria o Sport. Então, a Juazeirense passou a usar todos os recursos possíveis para segurar a vitória – alguns não muito honestos, mas bastante comuns no futebol brasileiro. Logo depois do gol, o sistema de irrigação foi ligado e esfriou os jogadores. A falha se repetiria aos 32 minutos. As bolas começaram a sumir à beira do campo, enquanto os jogadores também faziam cera. Dedé chegou a receber uma pancada no rosto em disputa com Mikael e preocupou ao ficar desacordado. O zagueiro foi levado à ambulância e, depois de ser atendido, voltou a campo.

Já o ápice da loucura aconteceu nos acréscimos, depois que a arbitragem deu 11 minutos a mais. De repente, os refletores se apagaram. Os times seguiram em campo e, depois de 25 minutos de espera, o jogo foi retomado. Não por muito tempo, já que outro apagão ocorreu. Os ânimos ficaram aflorados, com a irritação dos membros do Sport, que até discutiram com torcedores num telhado vizinho. O experiente Rodrigo Calaça, goleiro da Juazeirense, pediu desculpas e disse não compactuar com a situação, segundo um diretor dos rubro-negros. O capitão Patric foi até mesmo conversar com o eletricista responsável pelos geradores. Conforme um dirigente baiano, os problemas elétricos não são novos (já registrados contra o Vasco na Copa do Brasil de 2019) e não foram resolvidos após a visita dos técnicos da prefeitura.

Depois de mais de uma hora na segunda paralisação, o gerador não funcionava e o árbitro tentou a retomada, mesmo com a iluminação ruim. Os jogadores do Sport não quiseram se submeter às condições e o juiz deu o duelo por encerrado. A Juazeirense comemorou o resultado, mas o embate deve ter mais um tempo nos tribunais. O Leão da Ilha vai acionar a CBF, para que se investigue as condições anormais da noite e possa se avaliar se houve má fé ou não dos dirigentes baianos.

“Devido aos impressionantes e injustificáveis eventos ocorridos na noite desta quarta-feira (10) no jogo Juazeirense x Sport, pedimos que o Delegado do Jogo e/ou a CBF determine a realização de uma perícia detalhada no local, devendo passar pelo estádio e o campo de jogo. Perícia esta que deve se dar especificamente no sistema de irrigação do campo, refletores e suas conexões elétricas, geradores de energia, parte elétrica do estádio, parte elétrica no entorno do estádio (para atestar se houve queda de energia por culpa da companhia elétrica), assim como demais instalações físicas do estádio. A perícia precisa ser realizada por engenheiros elétrico e civil e, desde já, declaramos que o Sport que arcará com tais despesas. Assim também pedimos que a CBF oficie a companhia de energia elétrica da cidade de Juazeiro para informar se no dia 10/03/2021 após as 19h houve alguma queda de energia no local”, escreveu o clube.

Cianorte, Rio Branco e 4 de Julho

Além da Juazeirense, as demais zebras fizeram valer suas vitórias em campo. Outra surpresa aconteceu no Paraná. Cianorte e Paraná faziam um duelo estadual no Estádio Albino Turbay e os donos da casa avançaram, ampliando o drama recente dos tricolores. Depois de um primeiro tempo em que os dois goleiros mostraram serviço, o Leão do Vale decretou a vitória por 1 a 0 já nos minutos finais. Sávio arriscou de longe e o goleiro Renan aceitou. Em suas quatro participações na Copa do Brasil, o Cianorte nunca caiu na primeira fase.

A partida ainda serviu de retrato ao momento de sobrecarga na saúde vivido pelo Brasil: o pontapé inicial foi atrasado por falta de uma ambulância no local. Segundo o Globo Esporte, o veículo precisou levar um paciente com urgência a Maringá e, por isso, chegou só depois ao estádio. Na próxima fase, o Cianorte enfrentará Ypiranga do Amapá ou Santa Cruz.

O Rio Branco, por sua vez, conquistou um resultado histórico no Estádio Kleber Andrade. Os capixabas registraram uma inédita classificação à segunda fase, com um épico 2 a 1 diante do Sampaio Corrêa. A Bolívia Querida pressionava e foi melhor no primeiro tempo, mas não conseguiu marcar. Ainda assim, o cenário era positivo depois que o alvinegro Esley foi expulso. Aos 29 minutos do segundo tempo, os maranhenses confirmaram a vantagem e pareciam encaminhar a classificação, com um gol de André Luiz.

Mesmo com apenas 15 minutos no relógio, o Rio Branco conseguiu transformar sua sorte no jogo. Os capixabas empataram logo na sequência, com Edu Capetinha. Pelo regulamento da Copa do Brasil, o time da casa não podia se contentar com a igualdade, que classificava o Sampaio. Assim, os dez homens do Capa Preta arrancaram seu triunfo aos 42, com um gol de cabeça de Petróleo. Esta é a sexta participação dos alvinegros na Copa do Brasil. Na próxima fase, o Rio Branco vai encarar o Vitória no Barradão.

Já em Piripiri, o feito seria alcançado pelo 4 de Julho. Em sua sexta participação na Copa do Brasil, o campeão piauiense despachou o Confiança, por 1 a 0. O jogo aconteceu num campo pesado, depois da forte chuva que atingiu a Arena Ytacoatiara. Depois de um primeiro tempo sem gols, o 4 de Julho se impôs no segundo tempo e buscou a vitória. O time da casa insistia bastante, mas precisou perseverar até os acréscimos para anotar o gol. Depois de uma cobrança de escanteio, Caio mandou de cabeça para as redes.

Rolou até uma carreata ao redor do estádio para celebrar a classificação do 4 de Julho. Já o herói do time também representa um pouco do momento do Brasil. Caio, além de zagueiro, é fisioterapeuta na cidade cearense de Tianguá, a 110 km de Piripiri. Por atuar na linha de frente de combate à pandemia, ele já tinha sido vacinado contra a COVID-19. Dividindo sua rotina entre plantões no hospital e treinamentos, foi recompensado pelo esforço, garantindo uma bolada de R$ 675 mil nas contas de seu clube. Os piauienses pegarão Sergipe ou Cuiabá.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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