Luiz Adriano perdeu aproximadamente um mês de ação por uma lesão na coxa esquerda. Rony foi deslocado ao comando do ataque nesse período e correspondeu a ponto de gerar dúvida se o centroavante deveria voltar imediatamente ao time. A qualidade de Adriano torna a resposta muito fácil. Foi banco no jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil, garantiu a vitória magra por 1 a 0 sobre o Red Bull Bragantino no fim de semana e, nesta quarta-feira, foi a faísca de inspiração que classificou o Palmeiras à decisão com a vitória por 2 a 0 no Independência.

E mesmo de volta aos lados de campo, embora não tenha feito uma grande partida, Rony também deu sua contribuição para a passagem do Palmeiras à sua quinta final de Copa do Brasil, um grande resultado para o começo de trabalho de Abel Ferreira. O embalo das primeiras partidas com o português ficou para trás. Com muitos desfalques por lesão ou Covid-19 e um torturante, o time palmeirense chega ao fim do ano parecendo cansado, mas terá até fevereiro para recuperar as energias em busca do seu quarto título em seis anos.

É verdade que o caminho do Palmeiras, com Red Bull Bragantino, Ceará e América Mineiro, não parece o mais difícil que poderia ter sido. No papel, pelo menos. Porque o Ceará eliminou o Santos, e o Coelho foi gigantesco para derrubar Corinthians e Internacional na construção da sua melhor campanha na história da Copa do Brasil. Conseguiu também manter a semifinal disputada de igual para igual durante 75% do tempo até que a qualidade de Luiz Adriano quebrasse o impasse, poucos minutos depois do melhor momento dos mineiros na partida.

Tensão de um jogo decisivo, defesas prevalecendo sobre os ataques, falta de criatividade, exaustão física, excesso de erros, excesso de cautela. E, pelo amor de Deus, é dia 30 de dezembro. O que não falta é motivo e foi provavelmente pela junção de um pouco de cada um deles que nada aconteceu no primeiro tempo. Nada em um sentido quase literal. O Palmeiras ganhou alguns escanteios nos primeiros cinco minutos e Viña isolou a sobra de um deles. Os visitantes ficaram com mais posse de bola e não criaram nada. Os donos da casa se defenderam bem e não ameaçaram no contra-ataque.

Foram mais de 45 minutos sem que a presença dos goleiros no Independência fosse justificada até pegar a sobra da defesa do América Mineiro e bater de primeira, em cima do Cavichioli, que defendeu sem problemas. Já eram os acréscimos. No último da etapa inicial, recebeu pela esquerda, driblou para dentro e bateu. Para fora. Sem riscos a Weverton.

No começo do segundo tempo, o Palmeiras tentou a mesma jogada que havia lhe rendido o empate no jogo anterior. cobrou lateral com muita força. Direto à entrada da pequena área, onde Gustavo Gómez apareceu para cabecear por cima do travessão. A resposta do América foi imediata e ameaçadora ao clube paulista. Foram três chegadas seguidas em um intervalo de três minutos.

Felipe Augusto bateu de fora da área, sem tanto perigo para Weverton. Ademir apareceu em velocidade pela direita e bateu colocado de canhota. Um pouco mais assustador. Aos 13 minutos, a melhor chance da partida até então foi um cruzamento da esquerda à marca do pênalti. Juninho chegou chapando com liberdade, mas pegou mal e acabou mandando para fora.

O Palmeiras não estava criando nada. E começava a dar espaços também na defesa. Antes de a situação ficar crítica, Luiz Adriano apareceu. Weverton deu o chutão, Rony recolheu e acionou o centroavante na entrada da área. O domínio foi bom. A calma para encontrar o ângulo para chutar foi melhor ainda. Com um tapa consciente no canto, entre as pernas de Messias, Adriano fez 1 a 0.

Aquele foi o momento mais decisivo da partida e da eliminatória. O América Mineiro pareceu ter esgotado os coelhos (sem trocadilhos) que tirou da cartola ao longo de uma caminhada fantástica e não se aproximou do empate antes de Rony ampliar. Lucas cobrou a falta da esquerda, Mayke cabeceou com fora, e Cavichioli fez a defesa. No rebote, o contestado reforço, enfim caindo nas graças da torcida, selou a classificação do Palmeiras.

Foram 180 minutos muito equilibrados. O que acabou fazendo a diferença, no fim das contas, foi a qualidade individual do Palmeiras. Principalmente a de Luiz Adriano, que encontrou um pequeno espaço na defesa geralmente implacável do Coelho e fez um gol para marcar sua passagem pelo Palestra Itália.

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