Copa do Brasil

Luciano sozinho não consegue salvar São Paulo de nova derrota em Itaquera

Luciano comemorou o gol do São Paulo na derrota por 2 a 1 para o Corinthians como se fosse um torcedor, mas faltou esse espírito aos seus companheiros

Quando corre em direção a uma parede de corintianos em Itaquera, Luciano é muito menos um atacante e muito mais um torcedor do São Paulo. Não importam a chuva de copos plásticos e isqueiros que verte da arquibancada da Neo Química Arena, nem o cartão amarelo que o tira do jogo da volta. O camisa 10 comemora seu gol em Itaquera como se fosse um são-paulino criado no Morumbi.

O problema é que faltou este espírito ao resto do time – e sobrou para Renato Augusto. O meio-campista rival marcou duas vezes, e o Tricolor amargou uma derrota por 2 a 1 para o Corinthians nesta terça-feira (25), em Itaquera, pelo duelo de ida da semifinal da Copa do Brasil.

Luciano tenta salvar o São Paulo

O São Paulo pisou o gramado da Neo Química Arena como se estivesse no Morumbi. A equipe jogou todo o primeiro tempo “de mandante”, mesmo em um reduto tão inóspito quanto a barulhenta casa corintiana lotada. Uma amostra de que o tabu de nunca ter vencido em Itaquera poderia enfim acabar. Uma amostra que sequer passou perto de virar realidade.

Mas antes, falemos da primeira etapa. O Tricolor assumiu as rédeas da partida e tratou de propor o jogo durante todos os 45 minutos iniciais. Prova disso é que foi para o intervalo com 60% de posse de bola. Não raro, o goleiro Rafael era o único jogador que permanecia sozinho no campo de defesa são-paulino.

O problema é que uma postura tão imponente assim só significa algo que valha quando o setor ofensivo funciona como deveria. E esse São Paulo que tanto teve a bola não empilhou chances de gol, nem pressionou, de fato, o Corinthians. Os são-paulinos “acamparam” no entorno da área, mas nunca furaram a barreira defensiva alvinegra. Tanto que Cássio sequer trabalhou no primeiro tempo, e foi Rafael quem fez defesa, em finalização de Renato Augusto. O lance de maior perigo tricolor foi um chute de Pablo Maia de fora da área, que passou muito muito perto – mas não acertou o gol.

Do outro lado, o Corinthians do pragmatismo de Vanderlei Luxemburgo parecia querer jogar apenas por uma bola. Foram, na verdade duas, prêmio a uma equipe que opera sob a lógica de seu treinador. A primeira delas  entrou logo no começo do segundo tempo. Aos 3 minutos, Renato Augusto recebeu (de novo) na entrada da área e chutou cruzado, sem chances para Rafael. Um duro golpe que poderia desestabilizar de vez o São Paulo, não fosse esta uma equipe amadurecida por Dorival Júnior para momentos como este. Coube ao camisa 10 são-paulino, um torcedor em campo, empatar a partida em um golpe de sorte. Luciano acertou a trave e viu a bola bater nas costas de Cássio antes de entrar.

O problema dos são-paulinos em Itaquera tem nome composto. Nome e sobrenome. E uma estrela do tamanho da Neo Química Arena lotada. Enquanto o São Paulo voltava a dominar o jogo na segunda etapa, o Corinthians precisou novamente de uma só bola. De um só jogador: Renato Augusto. Ele recebeu dentro da pequena área e chutou sem chances para Rafael. Para azar tricolor e para sorte corintiana. Ter Renato Augusto, às vezes, basta.

Luciano, “punido” por ser exagerar no lado torcedor

Luciano foi o grande personagem do São Paulo na partida. Reduzir seu protagonismo ao gol marcado com boa dose de sorte – a bola bate na trave, volta nas costas de Cássio e entra – é ser simplório. A comemoração fala muito mais do que o gol. O camisa 10 correu até a arquibancada, chutou a bandeira de escanteio com a bandeira do Corinthians e encarou a torcida rival.

Pagou o preço de ser um “torcedor” em campo. Além de muitos copos e isqueiros arremessados das arquibancadas, ele recebeu o terceiro cartão amarelo. É um desfalque tremendo de Dorival Júnior e, em entrevista ao fim do jogo ao sportv, criticou o árbitro Wilton Pereira Sampaio:

— Estou aqui para dar parabéns ao Wilton. Ele me disse desde o primeiro jogo que me daria o cartão e conseguiu. Aqui no estádio só tem torcida do Corinthians, se eu não puder comemorar um gol… É por isso que muitos jogadores, acho que outro dia aconteceu com o Gabigol na Arena Baixada, o futebol está acabando, está perdendo a alegria por conta disso. A gente não pode fazer nada que o juiz vem e dá o cartão. Parabéns ao Wilton.

São Paulo em situação inédita (e desconfortável)

Pela primeira vez nesta Copa do Brasil, o São Paulo terá de reverter uma derrota no jogo da volta. Para se classificar, o Tricolor precisa vencer por dois gols de diferença no segundo duelo da semifinal. Uma vitória por um gol leva a decisão aos pênaltis. As duas equipes voltam a se enfrentar no Morumbi daqui a três semanas. Antes disso, a equipe tem a primeira decisão das oitavas de final da Sul-Americana, contra o San Lorenzo na Argentina, e compromissos pelo Campeonato Brasileiro. O primeiro deles é contra o Bahia, às 11h do domingo, no Morumbi.

Corinthians em vantagem

O Corinthians chega a seis jogos sem perder, abre vantagem na Copa do Brasil e vai jogar por um empate no Morumbi, daqui a três semanas, quando reencontrar o rival para o jogo que vale vaga na final. Antes disso, tem compromissos tanto pelo Brasileirão quanto pela Sul-Americana, o primeiro deles contra o Vasco da Gama, às 18h30 (de Brasília) deste sábado (29), pela 17ª rodada do campeonato nacional.

Estatísticas de Corinthians 2 x 1 São Paulo – Copa do Brasil 2023

  • Posse de bola: Corinthians 41% x 59% São Paulo
    Chutes: Corinthians 5 x 15 São Paulo
    Chutes a gol: Corinthians 4 x 2 São Paulo
    Gols: Corinthians – Renato Augusto (48 e 80); São Paulo – Luciano (57)
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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