Copa do Brasil

Jandrei ajuda São Paulo a eliminar o Palmeiras no Allianz Parque, e América confirma superioridade com nova vitória

O goleiro defendeu dois pênaltis e foi o herói do troco são-paulino ao Palmeiras após eliminações consecutivas; o América passou pelo Botafogo com 5 a 0 no agregado

O último dos clássicos que ajudaram a definir os oito classificados para as quartas de final da Copa do Brasil não deveu aos anteriores em termos de emoção. Amargando derrotas consecutivas para o Palmeiras, na Libertadores e na final do Campeonato Paulista, o São Paulo deu o troco nesta quinta-feira e eliminou o rival dentro do Allianz Parque, após perder por 2 a 1 com a bola rolando. Jandrei defendeu dois pênaltis e, com outras defesas importantes, acabou sendo o grande herói da noite em que Raphael Veiga, tão confiável nesse fundamento, desperdiçou duas cobranças – inclusive a que deixaria o Palmeiras vencendo por 3 a 0 no tempo normal. Festa também para o América Mineiro que confirmou a superioridade sobre o Botafogo no confronto. Depois de 3 a 0 em casa, mandou mais 2 a 0 no Estádio Nilton Santos e avançou com folgas. Confira um resumo da quinta-feira de Copa do Brasil.

Jandrei se consagra, e São Paulo dá o troco

O São Paulo venceu a primeira disputa de pênaltis, ainda no tempo normal, e depois também a decisiva e mais importante, graças a duas defesas de Jandrei, para eliminar o Palmeiras nas oitavas de final da Copa do Brasil no Allianz Parque, apesar da derrota por 2 a 1. Uma classificação tricolor enorme, no campo do rival, desforra após ser eliminado da Libertadores ano passado e de ter perdido a final do Campeonato Paulista em abril, mesmo tendo aberto 3 a 1 no jogo de ida.

Os fantasmas da decisão estadual reapareceram ao torcedor são-paulino quando o Palmeiras abriu 2 a 0 em 13 minutos. A vantagem mínima que havia sido conquistada no Morumbi desapareceu. O bicampeão sul-americano ainda teve a chance de ampliar para 3 a 0, mas Raphael Veiga, geralmente excepcional cobrador, mandou por cima do travessão o pênalti marcado por toque de mão de Calleri. Praticamente no lance seguinte, o árbitro anotou outro, de Gustavo Gómez em Calleri, e Luciano converteu para forçar o desempate.

Murilo perdeu uma ótima chance ao Palmeiras, aos sete minutos, com uma cabeçada para fora, mas não demorou para os donos da casa abrirem o placar, com Piquerez completando o cruzamento de Gabriel Veron, titular na ausência de Rony, na segunda trave. Raphael Veiga, pouco depois, aproveitou que o desarme de Igor Vinícius em cima de Dudu caiu na sua direção e mandou no canto para colocar o Palmeiras na frente no confronto. Calleri teve uma ótima chance antes do intervalo, após a bola ricochetear em Gómez e Murilo, mas conseguiu chutar apenas com a ponta da chuteira, sem direção.

O Palmeiras no geral foi melhor durante a partida e teve a chance de praticamente matar o confronto, mas Veiga isolou o seu pênalti, Calleri converteu o do São Paulo, e tudo mudou em questão de minutos. O atacante argentino quase concretizou a reviravolta com uma batida de chapa, colocada, aos 35 minutos, que não passou longe da trave. No outro lado, Dudu teve situação parecida – bem melhor até -, mas parou em uma ótima defesa de Jandrei, que se consagraria como o grande herói da noite.

Caiu no seu canto esquerdo para barrar a batida cruzada de Veiga. Luciano mandou no mesmo lugar em seguida, e foi a vez de Weverton fazer a defesa. Gustavo Scarpa, com firmeza, converteu o primeiro da disputa de pênaltis. Calleri empatou, e Gómez fez 2 a 1. Weverton chegou perto do chute de Nikão, mas não perto o bastante. Piquerez marcou para o Palmeiras, e Weverton chegou perto na batida de Igor Vinícius. Mas, novamente, não perto o bastante. Wesley, com toda pinta de que perderia pela demora, pela distância que tomou, pelas paradinhas hesitantes, realmente perdeu, em outra defesa de Jandrei.

Igor Gomes não vacilou e converteu o pênalti que fechou uma classificação incrível do São Paulo, em uma competição na qual não costuma ter sucesso ou sorte, e contra um rival direto que havia emendado importantes vitórias consecutivas ao longo do último ano. Nada mal para uma noite de quinta-feira.

América Mineiro se impõe

O América Mineiro impôs o maior placar agregado das oitavas de final da Copa do Brasil. E isso diz muito sobre a superioridade do Coelho no confronto, mesmo com a badalação ao redor do Botafogo. Depois da vitória por 3 a 0 no Independência, os mineiros impediram qualquer reação dentro do Estádio Nilton Santos. Até existia um clima de fé na reação ao redor dos botafoguenses, dizimado pelos americanos em pouco tempo. O novo triunfo, agora por 2 a 0, sela a passagem do time de Vágner Mancini. Os muitos desfalques pesaram aos alvinegros, mas não é isso que alivia a insatisfação pela maneira como a equipe de Luis Castro foi desbancada.

O Botafogo partiu com tudo para cima durante os primeiros minutos. Pressionava o América, mas Matheus Cavichioli salvou a equipe contra Lucas Fernandes. Não que os visitantes se retraíssem. O Coelho conseguiu responder logo na sequência e também poderia ter aberto o placar aos 15, com Henrique Almeida, rechaçado por uma defesaça de Gatito Fernández. E a situação se tornou mais difícil para os botafoguenses aos 22, quando os mineiros abriram o placar. Num contra-ataque, Pedrinho deu de calcanhar para Henrique Almeida, que cruzou para o carrinho de Felipe Azevedo rumo às redes. A defesa alvinegra só assistiu.

A situação do Botafogo se tornava mais dramática, precisando de quatro gols. O ímpeto inicial tinha se perdido. Patrick de Paula logo saiu machucado e Luis Castro botou o time para frente, com Matheus Nascimento no lugar. Só que o América ainda criava as principais oportunidades. E a reta final do primeiro tempo seria mais pegada, com muitos cartões amarelos. Nada que ajudasse os alvinegros.

Com mudanças para o segundo tempo, o Botafogo recuperou o fôlego e rondava o empate, mesmo tendo trabalho com Pedrinho do outro lado. O grito botafoguense chegou a sair da garganta aos 14, com um gol de Erison, que foi anulado por impedimento. E a dor se tornou maior logo no ataque seguinte, com o segundo tento do Coelho. O inspirado Pedrinho, ao receber de Matheuzinho no contragolpe, finalizou rasteiro e venceu Gatito. Botou o dedo em riste sobre a boca, pedindo silêncio. O duelo estava resolvido.

A reta final da partida nem precisava ter existido. O América realizou uma série de mudanças e tirou o pé do acelerador. Enquanto isso, a torcida deixava o Estádio Nilton Santos e parte dos que ficaram protestava contra o Botafogo. Sobraram xingamentos para Luis Castro e até gritos de “olé” favoráveis aos mineiros. Quem queria algo em campo, basicamente, eram os jogadores da base – mas Matheus Cavichioli não permitiu nem o gol de honra. Nada apagava o péssimo desempenho dos alvinegros no confronto. Saem de cabeça inchada, contra um Coelho de novo empolgado na Copa do Brasil.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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