Há 23 anos, Grêmio de Tite calou o Morumbi, e vingou derrota na Copa do Brasil de 95
Tricolor gaúcho venceu o Corinthians com autoridade na final da competição nacional
Corinthians e Grêmio iniciam sua disputa por uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil nesta quarta-feira (31). O primeiro confronto acontece na Neo Química Arena.
Há 29 anos, o Alvinegro de Parque São Jorge, treinado por Eduardo Amorim, bateu o forte Tricolor comandado por Felipão na final da competição.
O título marcou o início de uma era vitoriosa para o time paulista, que posteriormente se tornou bi-campeão do Campeonato Brasileiro em 1998 e 1999.
Já o Grêmio, venceu a Copa do Brasil de 94, chegou na final de 95, e faturou mais uma vez o torneio em 97, se consolidando como grande força da competição.
O título perdido em casa para o Corinthians em 1995 deixou nos gremistas um sentimento amargo, que esperavam pela revanche.
No entanto, logo na virada do século, em 2001, quis o destino que Corinthians e Grêmio decidissem a mesma Copa do Brasil.
Após excelentes campanhas, as duas grandes forças do futebol nacional mais uma vez decidiriam quem seria o campeão da tradicional competição, garantindo uma vaga na Libertadores.
Contamos aqui mesmo na Trivela sobre a trajetória do título do Corinthians na Copa do Brasil em 1995. Desta vez, relataremos os detalhes do período que antecedeu a revanche ocorrida seis anos depois.
Além disso, relembraremos como o Tricolor Gaúcho calou um lotado Morumbi para se vingar do time paulista, e conquistou sua quarta Copa do Brasil de sua rica história.
No dia 17 de junho de 2001, o Grêmio derrotava o Corinthians de Marcelinho carioca,Ricardinho e Müller por 3×1 no Morumbi,calando 80 mil corintianos e conquistando o 4° título da Copa do Brasil da sua história,se tornando o primeiro campeão nacional do novo século e milênio. pic.twitter.com/TXEGCiiW0T
— Elder_Rafa (@rafa_elder) June 17, 2020
Grêmio viveu momento vitorioso nos anos 90
Antes mesmo de contarmos a trajetória do Tricolor na Copa do Brasil de 2001, é importante lembrarmos o momento mágico do clube nos anos 90.
Ao todo, o clube conquistou cinco Campeonatos Gaúchos (1990, 1993, 1995, 1996, 1999, 2001), duas Copas do Brasil (1994 e 1997), uma Supercopa do Brasil em 1990, a Copa Sul de 1999 e a Libertadores de 1995.
Sendo assim, na virada do século, o clube era visto como um dos favoritos a conquistar qualquer torneio no cenário nacional.
O perfil “copeiro”, adotado devido à eficiência em torneios eliminatórios, davam ao Grêmio uma ligeira vantagem em relação aos rivais.
A era Felipão mostrou um time altamente competitivo, e forte principalmente nas fases finais de um campeonato.
Embora houvesse uma certa preocupação com a transição da geração de Paulo Nunes, Jardel, Arce e companhia, quem veio depois, cumpriu bem seu papel.
Hoje na história.
1995 – A terceira final de Libertadores
Três dias após ser Campeão Gaúcho em um GREnal com time misto, o Grêmio garantiu passagem à final da Libertadores. Depois de um empate sem gols no calor ao meio dia de Guayaquil, + pic.twitter.com/qgUDXi5zeh— Dia de Grêmio (@gremio_dia) August 16, 2022
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Período de transição após a era Felipão
A segunda passagem de Felipão no Grêmio durou entre 1993 e 1996. A partir daí, oito técnicos passaram no comando do Imortal até a chegada de Tite.
Evaristo de Macedo, Hélio dos Anjos, Lazaroni, Edinho, Celso Roth (duas vezes), Claudio Duarte, Emerson Leão, e Antônio Lopes até tentaram, mas não conseguiram passar mais de uma temporada no comando do time.
A derrota para o Caxias na final do Campeonato Gaúcho de 2000 foi um duro baque para o Grêmio, que pouco tempo depois, veria Ronaldinho Gaúcho sair do clube, rumo ao futebol francês.
Para muitos, a era vitoriosa do Tricolor passaria por um período de ostracismo. No entanto, a chegada de Tite recuperou o espírito guerreiro do time, e seu perfil copeiro.
A Copa do Brasil de 2001
Disputada por 64 equipes, a Copa do Brasil de 2001 era um pouco mais próxima do atual formato, e mais democrática do que a versão vencida pelo Corinthians em 1995.
Vale lembrar que nesta época, nas duas primeiras fases, o time visitante que vencesse por mais de dois gols de diferença eliminava o jogo de volta.
A estreia do Grêmio na competição aconteceu no dia 14 de março, diante do Villa Nova de Minas Gerais. Em um resultado surpreendente, o time gaúcho acabou derrotado por 3 a 2, necessitando do confronto de volta para seguir em frente.
Apesar da derrota dolorida na ida, o Tricolor Gaúcho não tomou conhecimento do time de Nova Lima, vencendo por 4 a 1, e garantindo a classificação.
Na segunda fase, o adversário foi o tradicional Santa Cruz. Assim como aconteceu diante do Villa Nova-MG, o Grêmio perdeu o primeiro jogo fora de casa.
Derrotado por 1 a 0 na ida no Recife, o Grêmio devolveu a derrota com juros na volta, venceu por 3 a 1, e seguiu para as oitavas de final.
Após passar pelo Fluminense nas oitavas, o Tricolor Gaúcho seguiu para encarar o São Paulo nas quartas de final. Para boa parte da crítica, o time paulista era o grande favorito a passar para a semifinal.
No entanto, em dois jogos perfeitos do time treinado por Tite, com direito a um confronto inesquecível no Morumbi, o Imortal mostrou sua força.
Na ida, vitória gremista por 2 a 1 no Olímpico. No segundo jogo, Marcelinho Paraíba aplicou a Lei do Ex em dose tripla, anotou um hat-trick, e classificou o Grêmio.
Na fase seguinte, o Tricolor passou sem dificuldades pelo Coritiba. Era a quarta vez em oito anos que o time gaúcho chegava na decisão da Copa do Brasil.
No aniversário de Zinho, Grêmio conquista a Copa do Brasil 2001
Do outro lado, um forte Corinthians, que passou por Joinville, Goiânia, Flamengo-PI, Athletico-PR e Ponte Preta antes de chegar a decisão.
Vale lembrar que o time paulista era treinado por Vanderlei Luxemburgo, e nas fases anteriores goleou alguns adversários. Na terceira fase, aplicou 8 a 1 diante do Flamengo do Piauí, e na semifinal atropelou a forte Ponte Preta de Washington e Luis Fabiano após duas vitórias.
A final da Copa do Brasil de 2001 colocava frente a frente duas grandes equipes, que justificaram suas respectivas chegadas à decisão pelo bom futebol que apresentaram nas fases anteriores.
Em dois grandes jogos, os amantes do bom futebol viram lances de técnica, habilidade, oportunismo, e muita raça, principalmente do lado gremista.
No primeiro jogo em Porto Alegre, Marcelinho Carioca e Müller abriram 2 a 0 em favor do time paulista. No entanto, o espírito lutador do Imortal se fez presente, e o atacante Luis Mário deixou tudo igual no Olímpico ao marcar dois gols.
Estava tudo em aberto para o duelo no Morumbi. Empurrado por um mar de 80 mil corintianos ansiosos pelo segundo título da Copa do Brasil, a festa estava pronta para mais um título nacional do Alvinegro.
Faltou avisar para os comandados de Tite, que colocaram o Corinthians de Luxemburgo na roda, vencendo por 3 a 1, fazendo o palco do espetáculo se silenciar.
O zagueiro Marinho abriu o caminho da vitória no final do primeiro tempo. Zinho aumentou a vantagem no segundo tempo.
Ademais, Ewerton ainda descontou para o Corinthians, mas Marcelinho Paraíba coroou uma linda jogada coletiva do Grêmio, para fechar o placar, e fazer do Imortal o primeiro tetracampeão da Copa do Brasil na história.
Vale destacar que o dia 17 de junho de 2001 marcou o aniversário do meia Zinho, um dos personagens principais da campanha histórica.



