Copa do Brasil

Grêmio de Renato fez valer sua tradição e anulou o São Paulo de Diniz para ir à final da Copa do Brasil

O título da Copa do Brasil de 2016 mudou a carreira de Renato Portaluppi. Foi ali que se consolidou o seu trabalho no Grêmio, começado meses antes. Com um bom futebol, conquistou a quinta taça do tricolor gaúcho na competição. Em 2020, um ano difícil, consegue se recuperar de uma fase ruim e de uma eliminação na Libertadores, e joga de outro jeito para anular o São Paulo no Morumbi e sair com um 0 a 0 que coloca o time gaúcho na final da Copa do Brasil pela nona vez na sua gloriosa e tradicional história na competição. São cinco títulos nas oito finais anteriores. E uma grande vitória no currículo do técnico.

Renato conseguiu fazer com que seu time impedisse que o São Paulo fizesse até o que fez em Porto Alegre, quando criou chances para ganhar o jogo, mas acabou perdendo. Desta vez, em São Paulo, o seu time foi impecável na defesa. Tirou os espaços e não deu chances para o time de Diniz criar e muito menos finalizar.

O empate por 0 a 0 não foi por acaso, nem foi na sorte: o time jogou para impedir que as melhores qualidades do adversário, a circulação de bola e movimentação, fossem eficazes. O São Paulo teve as dificuldades que se viu em jogo contra times mais fechados, sem conseguir fazer sua posse de bola se transformar em algo perigoso ao adversário. Como acontecia no início do ano, ou mesmo nos primeiros jogos do time após a retomada do futebol.

Desfalques

Os dois times vieram a campo desfalcados de figuras importantes. O São Paulo não teve Luciano, que não se recuperou da lesão no joelho esquerdo que já o fez jogar no sacrifício em Porto Alegre, na Arena do Grêmio, na última quarta-feira. No seu lugar, o técnico Fernando Diniz escalou o meio-campista Tchê Tchê, em uma função que ele já tinha exercido contra o Atlético Mineiro, em uma vitória por 3 a 0 também no Morumbi.

O Grêmio, por sua vez, não teve o zagueiro Geromel, outro que disputou a primeira partida, mas precisou deixar o gramado por lesão. Com isso, o titular do time é o mesmo que substituiu o titular na partida da semana passada: Tonhão Rodrigues formou dupla com Walter Kanemann.

Além disso, o técnico Renato Portaluppi colocou em campo o atacante Alisson, que voltou a campo no último domingo, em jogo contra o Atlético Goaniense. Por fim, fez uma mudança no meio-campo: no lugar de Darlan, quem foi escalado foi Lucas Silva, que jogou muito bem no primeiro jogo e foi titular também no fim de semana.

O jogo

A primeira grande chance do jogo foi do Grêmio. Em uma cobrança de escanteio, aos 10 minutos, Diego Souza tocou de cabeça, a defesa tinha saído toda, menos o atacante Brenner. Ele deixou Victor Ferraz sozinho e o lateral finalizou na trave. A bola pipocava quase na linha do gol e o próprio Brenner tirou para longe.

Como era esperado, o São Paulo tinha posse de bola e o Grêmio marcou um pouco mais recuado. O time paulista tinha dificuldade para chegar ao campo de ataque e conseguir trocar passes na intermediária ofensiva. Assim, não levava perigo ao gol defendido por Vanderlei. A marcação do Grêmio ia bem, tirava os espaços e tentava ameaçar quando tinha a bola.

Em um lance que Daniel Alves tentou sair jogando, a bola explodiu em Pepê, subiu e ficou no alto. Diego Souza brigou pela bola, que pingou e ele deu uma linda bicicleta, que levou muito perigo ao gol de Volpi. Era a segunda oportunidade da partida, e a segunda do Grêmio.

O São Paulo chegava com a bola mais mastigada, mas ao menos chegou aos 28 minutos. Depois de uma jogada de Tchê Tchê brigando muito dentro da área, ele rolou para Gabriel Sara, que bateu mal e perdeu a chance de uma boa finalização.

O desenho do primeiro tempo era o Grêmio se defendo e o São Paulo buscando encontrar o espaço. O Grêmio conseguiu um contra-ataque aos 41 minutos da etapa inicial que levou perigo. Depois de interceptar um lançamento, Pepê recuperou a bola pelo Grêmio, tocou para trás e partiu em velocidade. Ele foi lançado e, no mano a mano, fez a jogada, puxou para o meio e chutou colocado. A bola passou por cima, mas levou algum perigo.

O primeiro tempo acabou com o São Paulo com 67% de posse de bola, com sete finalizações de cada time. A diferença é que o time da casa acertou três desses chutes, enquanto o Grêmio não acertou nenhum – foi bloqueado em um deles e outros seis mandou para fora. As melhores chances, porém, foram doso visitantes no Morumbi.

Tonhão Rodrigues, do Grêmio, protege a bola contra Gabriel Sara, do São Paulo (Alexandre Schneider/Getty Images/OneFootball)

Segundo tempo

Nenhum dos dois times voltou com mudanças no segundo tempo. O panorama era o mesmo: o São Paulo girava a bola de um lado a outro buscando o espaço, sem sucesso. O Grêmio, fechado, tentava acelerar com a bola para complicar a defesa dos paulistas.

No banco de reservas, com nove minutos de jogo, o técnico Fernando Diniz pedia para o seu time acelerar o jogo quando tinha a bola, algo que não acontecia. A cara erro de passe no ataque e a recuperação da bola pelo Grêmio, o São Paulo tentava parar a jogada para não ser pego desarrumado na defesa.

Com 13 minutos, depois de um escanteio, a bola sobrou para Léo dentro da área, mas ele finalizou no susto e pegou mal na bola, que foi longe. Logo depois, aos 14, o Grêmio fez a primeira substituição no jogo: tirou Alisson, que provavelmente não teria condições de terminar a partida, e colocou Thaciano.

Fernando Diniz, então, chamou dois jogadores: Vitor Bueno e Toró. Sacou o volante Luan e o lateral esquerdo Léo. Com isso, Tchê Tchê foi deslocado para a lateral esquerda e Daniel Alves virou o volante mais recuado do time. Ao seu lado, Gabriel Sara, com Igor Gomes na direita e Toró na esquerda. Vitor Bueno ficou ao lado de Brenner no ataque.

Renato mudou logo depois. Ferreira entrou em campo, mas a ideia era tirar Jean Pyerre. Só que Victor Ferraz se machucou e foi ele quem saiu. Thaciano virou lateral direito. Com Ferreira e Pepê pelos lados, o técnico do clube gaúcho tentava explorar a velocidade.

O tempo passava e nada mudava no jogo: o São Paulo não conseguia criar chances e o Grêmio esperava o momento de tentar a estocada que poderia render um gol e decidir a classificação. Fernando Diniz mudou o time de novo aos 33 minutos. Paulinho Bóia, atacante, entrou no lugar de Bruno Alves; Tchê Tchê deixou o campo para dar lugar a Hernanes. Entrou também Tréllez, atacante, no lugar de Igor Gomes.

O Grêmio respondeu também com três mexidas: Darlan entrou no lugar de Jan Pyerre; Éverton Cardoso entrou no lugar de Diego Souza; e Paulo Miranda no lugar de Pepê. O jogo ficou picotado e o Grêmio parou o jogo o quanto pôde. O São Paulo não sabia como sair da armadilha armada pelo técnico do Grêmio. Só os zagueiros do time paulista tinham liberdade para jogar. E foi assim até o final.

Quando o árbitro Bruno Arleu de Araújo apitou o fim do jogo, aos 52 minutos, com sete minutos de acréscimos, Renato sorriu no banco de reservas. Tudo que ele pensou no jogo funcionou, e funcionou bem. O São Paulo reclamou da falta de acréscimos, com alguma dose de razão. No fim, porém, o que fica do jogo é que o São Paulo teve o jogo todo para tentar fazer algo diferente no jogo. Não fez.

Quem sai do Morumbi feliz é o Grêmio, com toda sua tradição na Copa do Brasil, tentando igualar os seis títulos do Cruzeiro e estar no patamar de maior campeão da competição. O Palmeiras será o adversário, em jogos que prometem muito. A decisão será em fevereiro.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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