Copa do Brasil

Em climas efervescentes, Fluminense e Athletico-PR ratificam a força para avançar na Copa do Brasil

O Furacão arrancou uma virada em casa para avançar, enquanto o Flu se impôs no fim num jogo quente no Mineirão

O embalo de Athletico Paranaense e Fluminense nas últimas semanas também se reproduziu na Copa do Brasil. Os dois clubes se classificaram para as quartas de final, vencendo ambos os embates das oitavas. O Furacão tinha encaminhado o serviço em Salvador, ao derrotar o Bahia logo na ida. A volta não seria tão fácil, com os tricolores abrindo o placar na Arena da Baixada e criando chances claríssimas para mais. Porém, o time de Felipão foi mais contundente para a virada no segundo tempo e selou a passagem com um triunfo por 2 a 1. Já o Flu fez a festa no Mineirão. O placar de 2 a 1 no Maracanã não garantia tanto diante do Cruzeiro e o reencontro era equilibrado, sob grande atmosfera, até que os tricolores decolassem no fim. Cano comandou a vitória por 3 a 0, em noite de aplausos e vaias na recepção a Fábio na antiga casa, além de uma demonstração imensa de amor dos cruzeirenses ao seu clube após a eliminação.

O Athletico Paranaense foi o primeiro a confirmar a classificação. E o primeiro tempo não satisfez totalmente na Arena da Baixada. O Bahia abriu o placar aos cinco minutos, e com um golaço de Matheus Davó, que mandou uma puxeta após cobrança de escanteio. A partir de então, os baianos se resguardaram na defesa e aplicaram um plano de jogo pragmático. Conseguiram segurar os athleticanos e pareciam mais próximos do segundo gol. Foram boas chances desperdiçadas, que custaram caro aos tricolores. Aos 13, Gabriel Xavier isolou na pequena área, com o gol aberto à sua frente.

O Athletico voltou com mudanças para o segundo tempo. A torcida rubro-negra, ainda assim, temeu o pior com novos lances bastante perigosos do Bahia. O desafogo do Furacão surgiu apenas nos 15 minutos finais do jogo, para evitar os pênaltis. O empate saiu com Erick, a partir de uma cobrança de escanteio de Terans. Sem que os tricolores apresentassem tantos recursos à reação, os paranaenses deram a estocada final nos acréscimos. Rômulo aproveitou o contragolpe criado por Terans para matar o jogo e injetar mais confiança numa equipe que briga por tudo neste momento da temporada.

Já no Mineirão, o mais marcante era o clima caloroso nas arquibancadas. Mais de 58 mil pessoas estiveram presentes. Fábio era um personagem especial. Durante o aquecimento, o goleiro teve seu nome gritado pelos cruzeirenses, que relembraram o velho cântico de “melhor goleiro do Brasil”. Bastou a bola rolar, porém, para que as vaias soassem ao ídolo assim que pegou na bola. A Raposa estava acima de tudo e era esse o senso de decisão que regeu a partida.

O primeiro tempo no Mineirão foi muito pegado. E equilibrado, sem indicar vitória para qualquer um dos lados. O Fluminense começou com ligeira superioridade, mas parou em Rafael Cabral. Quando o Cruzeiro acertou a marcação adiantada e cresceu, Fábio também fez intervenções seguras. A Raposa rondava, mas pecou na incisividade. O jogo era quente pelo ânimo dos jogadores, com muitas discussões. E se os cruzeirenses já não tinham gostado da arbitragem na ida, também sairiam descontentes na volta. Os critérios de Raphael Claus incomodaram, com uma confusão tremenda no fim, após reclamarem de um toque de mão de Manoel. Paulo Pezzolano, revoltado, saiu expulso.

O segundo tempo ainda manteve sua dose de equilíbrio. As duas equipes marcavam com intensidade e brigavam na intermediária. Quando o Cruzeiro escapava, apesar de frustrado pelos impedimentos, parava na segurança de Fábio e da defesa. Entretanto, o Fluminense apresenta um futebol de maior qualidade e isso prevaleceu nos 20 minutos finais, com maior fluidez. A partida se abriu quando o Tricolor construiu uma linda jogada e abriu o placar, aos 25. Cano foi garçom nesta primeira vez, com um ótimo passe para Arias. Diante de Rafael Cabral, o colombiano deu um toquinho por cobertura e correu para o abraço.

O Cruzeiro teve a chance de empate pouco depois, mas Waguininho bateu mal e parou em Fábio. Logo pesou o cansaço contra os celestes, num esboço de pressão insuficiente à virada. O Flu reforçou a marcação com Felipe Melo no lugar de Ganso. Enquanto isso, sobravam espaços para os contra-ataques. Outros substitutos também causaram seu impacto e arranjaram os novos gols. Martinelli arrancou aos 40 e cruzou com perfeição para o oportunismo de Cano, que deixou o seu. Logo depois, seria a vez de Nathan aproveitar as brechas na área e concluir com desvio, sacramentando a vitória do Flu.

Depois da partida, a torcida do Cruzeiro ainda proporcionou uma belíssima cena. Os celestes não pararam de cantar, independentemente da derrota e dos gols sofridos no fim. Estavam ali para apoiar o clube e para permitir que o time levantasse a cabeça. O objetivo é o acesso de volta à Série A e, na segundona, não se nega a capacidade dos cruzeirenses em busca da elite. É o que fica de consolo.

Enquanto isso, Athletico Paranaense e Fluminense se colocam justificadamente entre os oito melhores times do Brasil (e da Copa do Brasil) neste momento. O Flu possui uma qualidade técnica inegável e o momento do time agrada. Não dá para cravar o quanto a empolgação com Fernando Diniz durará, mas os elogios são merecidos nestas últimas semanas. Já o Furacão tem uma mentalidade diferente com Felipão. É extremamente competitivo e recebe aplausos pela sequência de vitórias. Ambas as equipes passam como virtuais candidatas à semifinal. Que existam elencos melhores, por bola tricolores e rubro-negros se botam no primeiro escalão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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