Copa do Brasil

Cruzeiro foi perfeito em sua proposta e sai na frente do Palmeiras com uma vitória valiosa

Não é novidade para ninguém qual estratégia Mano Menezes adota para partidas de mata-mata. O difícil é lidar com ela, especialmente quando o Cruzeiro a executa com tanta perícia quanto na noite desta quarta-feira. Contra um Palmeiras que estava em boa fase, e que havia perdido apena quatro vezes dentro do Allianz Parque este ano, a vitória por 1 a 0 dos mineiros vale ouro na briga por vaga na final da Copa do Brasil.

Simplesmente não houve espaços para o Palmeiras. E, sem poder recorrer aos lançamentos aos rebotes, como a equipe de Felipão vinha fazendo com competência, graças à postura do adversário, muito bem postado na defesa e compacto, os donos da casa não foram capazes de criá-los. No outro lado, o Cruzeiro chegou poucas vezes ao gol de Weverton, apenas duas, mas foi extremamente eficiente para aproveitar a primeira delas e marcar o único gol da partida.

Mano Menezes não poderia ter imaginado um começo melhor. Para um time, como o Cruzeiro, confortável em se defender e explorar os contra-ataques, nada melhor do que abrir o placar muito cedo. Na sequência de uma grande defesa de Fábio, em um chute de bico produzido por Borja dentro da área, Robinho tabelou com Thiago Neves e encontrou Barcos, livre, na entrada da área. Weverton não conseguiu abafar.

As jogadas do Palmeiras eram construídas pelas pontas, e de uma forma bem competente até chegar perto da área. Mas, a partir dessa zona, as jogadas não tinham continuidade. Dudu quase empatou ao receber pela esquerda, gingar contra a defesa e buscar o canto oposto, com um chute colocado. Errou por pouco. Willian apareceu na primeira trave, completando cruzamento de Moisés, e pegou tão mal na boca que até acertou o travessão.

Agora pela direita, onde passou a atuar a partir da metade da etapa inicial, Dudu arrancou e tocou para Willian. O atacante ajeitou para Borja chegar batendo, e o foguete acertou a rede pelo lado de fora. O Palmeiras criou um punhado de chances antes do intervalo, mas quem parecia no controle da partida era o Cruzeiro. Em outro contra-ataque perigoso, Thiago Neves tocou com inteligência para Arrascaeta na segunda trave, e Weverton precisou sair do gol para defender com o peito.

O segundo tempo teve uma nota só. O Cruzeiro esboçou alguns contra-ataques, nenhum perigoso. E o Palmeiras ficou com a bola o tempo inteiro. Mas a primeira finalização aconteceu apenas aos 19 minutos, com Mayke, e Fábio defendeu sem problemas. Willian exigiu defesa do goleiro de fora da área, e Lucas Lima, aproveitando bom passe de Moisés, teve o gol evitado pela ponta dos dedos do arqueiro adversário.

Logo na sequência desse lance, Edílson foi expulso. Ele recebeu cartão amarelo por colocar a mão na bola na entrada da área e, imediatamente, levou o vermelho por xingar o árbitro Wagner Reway. Com um a mais, a pressão palmeirense intensificou-se, mas a melhor chance acabou sendo criada por um ex-jogador dos paulistas: Egídio sofreu um lapso mental e, na tentativa de empurrar uma bola para escanteio, fez com que Fábio voasse no canto esquerdo para espalmar.

O lance mais polêmico foi o último da partida. Fábio subiu para agarrar a bola, entre dois jogadores do Cruzeiro e Edu Dracena, do Palmeiras. Houve uma leve trombada entre os adversários, e Reway anotou falta do zagueiro. Na sequência, Antônio Carlos fez o gol, mas, como a partida já estava parada, o árbitro não pode utilizar o árbitro de vídeo para rever a infração. Os palmeirenses ficaram possessos, e nenhum deles deu entrevista na saída de campo.

Tudo indica que a partida de volta será uma continuação desta. É o que o Cruzeiro tem feito nos mata-matas: constrói a vantagem fora de casa e se esforça para mantê-la diante da sua torcida. O Palmeiras deve esperar outro jogo de ataque contra defesa no fim do mês e, para sair vencedor do duelo, precisa encontrar mais recursos.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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