Atlético ainda tem cara e erros de Cuca em estreia de Sampaoli com derrota e eliminação
Mesmo com mudanças de peças e esquema tático, Galo manteve erros que foram cruciais para novo revés para o maior rival na Copa do Brasil
Não é porque mudou completamente o esquema tático e quatro jogadores em relação ao jogo de ida pelas quartas de final da Copa do Brasil, que o Atlético-MG de Sampaoli não manteve a cara do seu ex-treinador Cuca.
No clássico mineiro, o Cruzeiro fez barba e bigode, vencendo novamente por 2 a 0 e marcando os seus gols em situações muito semelhantes às do confronto de ida.
Artilheiro cruzeirense na temporada, Kaio Jorge foi, de novo, o nome do jogo. Foi dele os dois gols da Raposa.
O primeiro, muito semelhante ao que marcou no confronto de ida.
Novamente a bola parada foi cruel ao Atlético.
Se na primeira partida, o problema foi o escanteio, dessa vez o a grande vilã foi a falta lançada à área.
Assim como nos primeiros 90 minutos, Matheus Pereira cruzou para o zagueiro Fabrício Bruno escorar para o meio. A diferença é que dessa vez a bola não sobrou limpa na pequena área somente para Kaio Jorge, mas também para Christian. Porém, como é o centroavante cruzeirense quem fede a gol, foi ele o último a tocar para o fundo das redes.
O Atlético-MG, ainda com Cuca, também tinha tido dificuldades neste sentido na derrota para o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, onde o zagueiro Fabián Balbuena aproveitou livre para finalizar.
E o segundo gol cruzeirense, marcado no início do segundo tempo, também teve traços de equívocos defensivos do Atlético-MG ainda nas mãos de Cuca.
O lance que terminou com Kaio Jorge marcando o segundo dele no jogo, começou com uma finalização de fora da área realizada pelo volante Lucas Romero, que teve total liberdade para carregar antes de bater contra a meta de Cássio.
A situação foi muito parecida com o golaço anotado por Fabrício Bruno na Arena MRV. A diferença foi o desfecho.
No entanto, a defesa do goleiro cruzeirense gerou um escanteio e nova falha de marcação do Atlético.
A bagunça defensiva do Galo permitiu que Willian ficasse com a bola livre na entrada da área após o tiro de canto ser cobrado e que o jogador mais perigoso do adversário ficasse novamente livre para fazer o que sabe de melhor: gol.
Derrota de um Galo em formação contra um Cruzeiro já formado
A atuação do Atlético contra o Cruzeiro deixou claro o time que já está pronto e o que precisa às pressas entrar em estágio de formação.
Diferentemente do que Cuca fazia, Jorge Sampaoli escalou o Galo com três zagueiros. Sendo o volante Fausto Vera improvisado como central.
O esquema fez com que a dupla de alas ficassem abertos, mas a ausência de entendimento dos atletas, ainda assim, atrapalhou qualquer ideia nova que a equipe atleticana pudesse ter.
O Atlético-MG insistiu nas suas ações ofensivas pelo lado esquerdo, sendo que o Cruzeiro dava muito mais espaço no setor oposto. O Galo, no entanto, não teve capacidade para explorar isso.
Defensivamente, a parte direita atleticana também não se entendeu. Lyanco, Gabriel Menino e Cuello não se conectaram por ali.
E quem compreendeu essa fragilidade rapidamente foi o técnico Leonardo Jardim, do Cruzeiro, que colocou Matheus Pereira entre os atacantes Vanderson e Kaio Jorge, abrindo Kaiki e Christian para atacar os espaços.
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Mudanças de Sampaoli não deram certo na reestreia do treinador pelo Galo
Contra o Cruzeiro, o Atlético-MG pela primeira vez na segunda passagem de Jorge Sampaoli teve três zagueiros, em contraste com a linha de quatro no primeiro confronto, quando o Galo ainda era dirigido por Cuca.
A ideia era dar qualidade na saída de bola com Fausto Vera entre os dois zagueiros e abrindo os alas para a segunda linha.
O atacante Tomás Cuello foi o homem aberto pelo lado direito, diferentemente da função de atacante que ele costuma ocupar.
E o meia Igor Gomes foi praticamente um volante, na vaga de Alan Franco.
Nada disso deu certo.
O Galo teve muito mais posse de bola, 74%, mas finalizou somente uma vez a mais que o Cruzeiro.

E para piorar, quando o assunto era efetividade, não foi só apenas a falta de gols que evidenciou a ausência de qualidade atleticana neste aspecto.
Com praticamente a mesma quantidade de finalizações, o Galo acertou o alvo a metade das vezes em relação a Raposa. Foram três chutes em direção dos atleticanos contra seis dos cruzeirenses.
A melhor oportunidade do Atlético surgiu aos 24 minutos do segundo tempo, com Hulk acertando o travessão adversário.
O pouco tempo de trabalho de Jorge Sampaoli não justifica tanta escolha ruim tomada pelo treinador e, principalmente, a insistência nesses erros no segundo tempo.
Foi somente uma mudança no intervalo, mesmo com a vaca já no brejo. Rony no lugar de Gabriel Menino não mudou absolutamente nada no Galo. Diferentemente, apenas aumentou o deserto de ideias da equipe visitante.



