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Athletico-PR, Cruzeiro e São Paulo passaram com aperto, mas evitaram as surpresas na Copa do Brasil

Depois dos tropeços nos jogos de ida, os favoritos se confirmaram na terça de Copa do Brasil, na qual só o Fluminense ganhou fácil

A rodada de ida dos 16-avos de final da Copa do Brasil contou com uma série de surpresas. Vários times vistos como favoritos perderam o primeiro compromisso. Contudo, a situação começou a se reverter nesta terça-feira, com o início das partidas de volta. As camisas mais tradicionais prevaleceram. A vida mais fácil foi a do Fluminense, que não tomou conhecimento do Paysandu e ganhou com tranquilidade mesmo no Mangueirão. De resto, bem mais riscos. O maior foi vivido pelo Athletico Paranaense, que perdeu a ida para o CRB e começou perdendo também na Baixada, antes de virar e avançar nos pênaltis. O Cruzeiro, que tinha sido derrotado pelo Náutico nos Aflitos, precisou de um gol nos minutos finais para evitar os penais e passar em Belo Horizonte. Já o São Paulo, que só empatara com o Ituano no Morumbi, segue em frente por um triunfo magro em Itu.

O CRB parecia disposto a provocar uma hecatombe. Ganhou por 1 a 0 em Alagoas e abriu o placar na Arena da Baixada. Todavia, o Athletico Paranaense buscou a virada por 2 a 1 e foi muito mais competente nos pênaltis para ganhar de vez por 4 a 2. O gol do CRB saiu bem cedo, logo aos sete minutos. Bento fez duas defesas, mas na terceira o rebote ficou com Anselmo Ramon, que guardou. E sem que o Furacão reagisse, quase os alvirrubros ampliaram. Tiveram bola na trave e gol anulado, até que os athleticanos fizessem duas trocas aos 40 minutos e abafassem antes do intervalo. O goleiro Diogo Silva segurava as pontas com ótimas defesas e também contou com o auxílio da trave em um dos lances.

O segundo tempo voltou com o Athletico Paranaense sufocando. Teve um gol anulado, de Terans, logo cedo e contou com a entrada providencial de Alex Santana. O volante empatou o jogo aos 18, oportunista na área. O CRB ainda teve chances de retomar a vantagem, mas o Furacão virou antes disso. Aos 36, após escanteio, Alex Santana tentou duas vezes e se mostrou salvador. Sem que novos gols saíssem, a definição seguiu para os pênaltis. O goleiro Diogo Silva assumiu a primeira batida do CRB e mandou mal demais, nas mãos de Bento. O arqueiro do Athletico, apesar disso, se adiantou e o árbitro mandou voltar. Diogo Silva executou um chute até pior e Bento repetiu a defesa, fácil, que abriu o caminho à classificação. Anselmo Ramon também errou a segunda dos alagoanos, na trave, enquanto os rubro-negros mantiveram os 100% de aproveitamento.

O São Paulo tinha feito uma atuação fraca na ida contra o Ituano, algo refletido pelo placar zerado no Morumbi. Assim, o Tricolor precisou buscar o resultado no Novelli Júnior e demorou a construir o magro 1 a 0. O primeiro tempo teve uma pressão grande dos são-paulinos, com volume de jogo e também muitas finalizações. O goleiro Jefferson Paulino garantia a sobrevida do Galo Rubro-Negro. A toada se manteve na etapa final, até que o gol decisivo dos tricolores surgisse aos 17 minutos. Wellington Rato causou impacto imediato após sair do banco. Depois de driblar dois, arriscou de fora da área e estufou as redes, mandando no cantinho do até então intransponível Jefferson Paulino. Porém, o São Paulo não conseguiu ampliar. O Ituano lutou pelos pênaltis na reta final, mas os cruzamentos pararam na defesa adversária.

O Cruzeiro não aproveitou as chances nos Aflitos e perdeu do Náutico por 1 a 0, mas deu o troco no Independência e avançou com a vitória por 2 a 0. Entretanto, ainda seria uma noite apertada para a Raposa. Apesar da pressão inicial, quase Kayon abriu o placar para o Timbu no primeiro tempo. Os cruzeirenses demoraram a conseguir converter suas tentativas. O primeiro gol veio somente aos nove do segundo tempo, num passe de Bruno Rodrigues que William concluiu. Os mineiros seguiram mais ativos pelo segundo tento, que evitaria os pênaltis. Precisaram de paciência até marcar, aos 44 minutos, numa cabeçada de Richard. Foi uma comemoração emocionante, dedicada ao irmão Ryan, falecido em campo, de um mal súbito, aos 19 anos.

Já a única classificação folgada da terça-feira foi protagonizada pelo Fluminense, em ótimo momento. O Tricolor tinha feito 3 a 0 sobre o Paysandu dentro do Maracanã e repetiu o placar no Mangueirão. Nem foi a melhor atuação do time nos últimos tempos, mas o que vale é a vitória. O triunfo não demorou a ser construído, num lançamento magistral de Arias na cobrança de falta para a definição de Cano. Os cariocas seguiram no domínio e flertavam com o segundo, mas Fábio também precisou trabalhar. Já o segundo gol saiu antes do intervalo, num chute colocado de Keno. Durante o segundo tempo, o Flu só administrou o resultado e poupou forças. John Kennedy aproveitou a oportunidade para marcar o terceiro, numa bonita jogada, aos 26. O goleiro Thiago Coelho também evitou mais. O destaque do Papão, de qualquer forma, foi a sonora festa da torcida independentemente do resultado, numa genuína manifestação de amor.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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