Copa do Brasil

A final da Copa do Brasil ainda será um marco ao Furacão, pelo amor incondicional de sua torcida

Rubro-negros se colocaram como maiores que o resultado, numa noite para celebrar a paixão inabalável

Conseguir uma reviravolta na decisão era bastante difícil ao Athletico Paranaense, a torcida rubro-negra estava ciente. E o gol anulado, combinado com o tento do Atlético Mineiro, poderia servir de banho de água fria. Porém, mesmo com a derrota, a final da Copa do Brasil na Arena da Baixada ainda serve de marco ao Furacão: uma noite da inabalável vibração athleticana, do amor incondicional que não dependeu do resultado. Se o jogo em campo encerrava o sonho, nas arquibancadas ficou evidente uma chama que nunca deixou de arder, a da paixão pelo clube. Será uma noite exemplar de comportamento de torcida ao futebol brasileiro, pela forma como os paranaenses não abandonaram seu clube durante um momento sequer. Porque a fé, afinal, sempre segue em frente.

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A crença na virada ainda era audível antes que o jogo começasse, e em muitos decibéis. A atmosfera na Arena da Baixada era de arrepiar, pela maneira como os torcedores da casa faziam barulho e tentavam intimidar os visitantes. Dentro de campo, o time veio na pilha e não correspondeu de imediato. Mas não foi a situação cada vez mais complicada que abalou a sinergia da torcida do Athletico. O caldeirão não parou de ferver em um só momento durante os 90 minutos e até depois.

Se não era dia de celebrar o título da Copa do Brasil, a torcida do Furacão aproveitou para sentir à flor da pele a razão de ser rubro-negro. De certa maneira, era uma resposta à final da Copa Sul-Americana afastada da Baixada, com o espetáculo que os paranaenses não puderam cumprir em sua totalidade na conquista de outro bicampeonato. Era a vez de expressar a reverência pelo grande momento do clube e, sobretudo, provar como a relação dos torcedores com o time vai muito além da imagem do Centenário esvaziado, provocada pela ganância da Conmebol. O athleticano é esse que não deixou de cantar e declarou seu amor independentemente da dor da derrota. O orgulho supera isso.

A grandeza do Athletico Paranaense pode ser reconhecida de várias formas. Pode ser pelos títulos recentes, pode ser pela competitividade recorrente. Pode ser pelas finanças estáveis, pode ser pela estrutura de primeiro nível. Mas nada maior para representar esse gigantismo que a torcida. Uma torcida que, afinal, tantas vezes precisou superar obstáculos colocados pela própria diretoria. E uma torcida que professou seu fanatismo ao cantar forte para abafar o grito de campeão dos visitantes, quando a noite dentro da Baixada ainda era sua. Se não para vencer, sim para reforçar sua unidade.

E o espetáculo do Furacão não parou nem com o apito final, nem com a entrega das medalha. O Atlético Mineiro até podia se juntar aos seus torcedores numa faixa do campo, mas todo o restante do estádio aplaudia o trabalho do Athletico Paranaense e puxava os cânticos com os próprios jogadores. É uma cena que fica e que parece até surreal, num futebol brasileiro que tantas vezes viu a revolta irracional em derrotas como esta. Muito mais elevada é a lição dos rubro-negros, maiores ao seu time que qualquer resultado.

Talvez seja difícil presenciar de novo uma imagem como a desta quarta num estádio brasileiro. Provavelmente é uma exceção, não uma moda ao futuro. O próprio contexto influenciou a forma como o torcedor do Furacão reverteu a frustração em dedicação. Fato é que, a partir de agora, o rubro-negro tem uma certeza ainda maior quanto à sua própria força. Não foi possível mudar o resultado, mas os athleticanos poderão pavimentar um futuro mais brilhante através dessa união.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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