A bicicleta de Pedro, tão bonita quanto decisiva, é o cartão-postal da classificação do Flamengo na Baixada
O Flamengo de novo jogou melhor na Arena da Baixada e contou com uma obra-prima de Pedro para voltar com a classificação
Alguns gols merecem ser transformados em quadro, tamanha plasticidade e beleza do lance. Viram sinônimos de seu autor, lembrança imediata de um grande jogo. E a classificação do Flamengo para as semifinais da Copa do Brasil será aquela “da bicicleta do Pedro na Arena da Baixada”. O centroavante destravou uma partida difícil da maneira mais sublime, com um golaço, daqueles que confirmam todos os elogios destinados ao artilheiro nos últimos meses. Depois do empate sem gols no Maracanã, a Baixada recebeu outro duelo quente. O Athletico saiu mais para o jogo, mas o primeiro tempo foi mais pegado que jogado. A obra de arte de Pedro abriu o caminho para o Fla numa segunda etapa na qual o time de Dorival Júnior entrou com sangue nos olhos. Depois disso, o que se viu foi uma partida pulsante, com o avanço do Furacão e os contragolpes do Fla. A indefinição permaneceu até os últimos instantes. Nada que atrapalhasse a festa flamenguista pelo triunfo por 1 a 0.
O Athletico Paranaense tinha algumas mudanças em relação à partida de ida. Matheus Felipe entrou na zaga, enquanto Pablo acompanhava Terans no ataque. O destaque ficava para o meio-campo, com Fernandinho liderando a equipe ao lado de Hugo Moura e Erick. Já o Flamengo contava com a entrada de Arturo Vidal no meio, formando trinca com João Gomes e Everton Ribeiro. Gabriel Barbosa e Pedro tinham o apoio de Arrascaeta no ataque. A zaga trazia Fabrício Bruno no lugar de David Luiz – suspenso, assim como Thiago Maia.
O clima pegado do Maracanã se reproduziu em intensidade maior na Baixada. Seria uma partida bastante truncada, com um Athletico Paranaense que saía mais para o jogo ao adiantar sua pressão. Porém, nos primeiros minutos, o Flamengo ainda tentou atacar mais. Arrascaeta chegou a arriscar um chute de longe aos sete, mas errou o alvo. Logo o duelo se concentraria na intermediária. Fernandinho e Gabigol voltaram a se estranhar, com uma chegada do volante num lance fora da bola.
O Athletico Paranaense avançava mais em campo e, com isso, se aproximava da área do Flamengo. Aos 17, uma boa tabela pela esquerda quase funcionou, mas Santos se antecipou a Erick. Não era, porém, um embate marcado por tantas chances de gol. As marcações prevaleciam, até pela firmeza de ambos os lados. Logo os primeiros cartões amarelos começaram a pintar. Terans e João Gomes receberam na sequência, depois dos 20 minutos. Para o Furacão, um caminho era pelos lados, com os alas mais soltos. Já o Fla contava com uma exibição ativa de Vidal, de área a área.
O Flamengo achava um pouco mais de espaço quando Gabigol se movimentava. Aos 39, o atacante cruzou e Arrascaeta não conseguiu direcionar a cabeçada. Depois seria a vez do Athletico responder, mas Matheus Felipe também desviou para fora após escanteio. Já aos 42 seria a vez de Bento trabalhar, mandando para a linha de fundo uma batida de canhota dada por Gabigol. Os cariocas tinham uma reta final de primeira etapa melhor, embora os paranaenses contivessem bem a posse de bola superior dos visitantes.
O segundo tempo esquentou. O Flamengo partiu para cima e acuou o Athletico. Os cariocas atacavam com mais vigor e ameaçavam constantemente. Primeiro, Rodinei bateu e Bento salvou, antes que a defesa afastasse. Depois, um contragolpe do Furacão gerou uma resposta rápida do Fla após a recuperação, mas Gabigol chutou mal. Bento faria mais uma defesaça diante de Arrascaeta, em tiro potente de dentro da área. O gol do Fla estava maduro, e aconteceu aos 12 minutos. Uma pintura. Rodinei chegou à linha de fundo e cruzou. Pedro virou uma bicicleta sensacional. Pancada indefensável para Bento desta vez.
A resposta do Athletico seria imediata, com Canobbio e Vitinho renovando o ataque, nos lugares de Pablo e Terans. Quem ditava o ritmo, contudo, era o Flamengo. Os rubro-negros podiam rodar a bola com mais calma e impor seu controle, sem deixar de criar perigo. A partida ficava lá e cá. Everton Ribeiro bateu para uma defesa firme de Bento, antes que Santos salvasse um chute de longe dado por Erick. As bolas paradas viravam um caminho, com Pedro Henrique furando uma cabeçada após escanteio O Furacão se mandava para frente ainda mais, com a troca de um zagueiro por um ponta, com Cuello na vaga de Matheus Felipe.
A tranquilidade do Flamengo poderia ter aumentado aos 30 minutos. Num contra-ataque, Pedro dominou de chaleira e escapou de frente com Bento. O centroavante rolou para o lado e Gabigol desperdiçou a oportunidade imensa, ao carimbar a trave. De qualquer forma, os cariocas ganhavam os contragolpes a seu favor. Nada que permitisse aos flamenguistas se descuidarem atrás, porém. Os athleticanos insistiam e Cuello fez a torcida prender a respiração, com um chute cruzado que passou perto aos 35. Na sequência, Dorival Júnior acionou Everton Cebolinha e Victor Hugo no banco, para as saídas de Vidal e Gabigol.
O fim do jogo estava completamente indefinido. O Flamengo tinha a situação a seu favor, mas o Athletico não deixava de lutar. O Furacão tentava forçar a bola na área e os defensores flamenguistas repetidamente afastavam o perigo. Entretanto, Canobbio teria uma brecha em que não aproveitou. Durante os acréscimos, o Fla partiu ao ataque e gastou mais o tempo. Celebrou a vitória, enquanto a cantoria da torcida athleticana ainda reconhecia o empenho de sua equipe.
O Flamengo se classifica depois de 180 minutos em que foi superior e aproveitou melhor os seus recursos técnicos. Porém, longe de ter sido um embate tão aberto aos cariocas. Mesmo com as limitações, o Athletico foi competitivo e segurou os oponentes em grande parte do tempo. Faltou, entretanto, ter mais volume ofensivo. Por chances criadas, a tendência era que a classificação do Fla pudesse ser até mais tranquila. Fez a diferença a inspiração tremenda de Pedro.



