Brasil

Como os europeus e a economia ajudaram o Palmeiras a ter seus maiores destaques na temporada

Moreno e Flaco, principais jogadores do Palmeiras neste ano, viram nacionalidade e idade se tornarem argumentos decisivos

Em que pesem algumas atuações com menos brilho, o Palmeiras vive uma temporada excelente em 2024. Invicto há 14 jogos — 19, somando partidas do ano passado –, o Alviverde está na semifinal do Campeonato Paulista e mostra crescimento junto com o afunilamento do torneio.

Em meio a um grupo com muitos jogadores em boa fase, dois se destacam. Por coincidência, dois argentinos. Flaco López, 23, chegou a dez gols no ano e conquistou a titularidade incontestável.

Já Aníbal Moreno, 24, de uma só vez, desbancou Gabriel Menino, titular até se lesionar, e Richard Ríos, que conquistou a vaga após Menino ir para o DM, no fim de 2023. Jogando bola, conquistou um lugar no time que, há três meses, ganhou nada menos que o bicampeonato brasileiro.

Os uruguaios costumavam ser o limite no que diz respeito a destaques das demais ligas sul-americanas que os brasileiros conseguiam contratar.

Normalmente, os argentinos iam, de seus clubes, diretamente para a Europa. As exceções recrutadas pelos palmeirenses aconteceram por conta das idades dos jogadores e da sempre periclitante economia da terra do presidente “Loco” Milei.

Observado pela Premier League

Segundo a Trivela ouviu de profissionais do clube, o Palmeiras chegou a receber cumprimentos de observadores da Premier League quando trouxe Flaco López.

Mas, já em julho de 2021, quando chegou do Lanús, com 21 anos, Flaco havia “estourado” a idade-alvo dos ingleses. Que, na verdade, seguem uma tendência comum a todo o continente.

Assim como foi com Endrick, Vinícius Jr. e Rodrygo, os jogadores sul-americanos precisam chegar à Europa o mais antes possível. Se der para ser com 18, idade mínima para um contrato de trabalho internacional, melhor.

Endrick, por exemplo, vai chegar ao Real Madrid junto com sua maioridade. Foi o mesmo que aconteceu com Vini e Rodrygo, além de Andrey, no Chelsea, entre outros.

Ancião de 24 anos

O técnico Abel Ferreira e o jogador Anibal Moreno, durante treinamento, na Academia de Futebol. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

A ideia dos europeus é recrutar os atletas antes que eles se fixem nos times profissionais e adquiram o que eles consideram serem vícios técnicos e táticos.

Moreno, aos 24 anos, por exemplo, era um ancião na visão dos clubes europeus, quando acertou com o Palmeiras, no fim de 2023.

Embora viesse sendo tratado como um dos melhores meias da liga pelos clubes argentinos há tempos, o Racing, onde ele estava, opera ligeiramente abaixo do radar gringo. E Moreno foi ficando por lá, até ser buscado pelo Palmeiras.

Embora mais versátil que Moreno, Valentin Barco, jovem de 19 anos, do Boca Juniors, foi avistado pelos ingleses e acabou indo parar no Brighton.

Barcos deixou o clube portenho com 35 jogos contra os 150 que Moreno somou por Racing e Newell's, para efeito de comparação.

Economia

Outro fator que tem facilitado a transferência de jogadores argentinos para o futebol do Brasil é a Economia.

A maioria dos clubes na Argentina vive situação financeira complicada. De modo que vem sendo fácil para os brasileiros trazerem peças importantes de lá, com um mercado pouco inflacionado em razão da necessidade de movimentação e geração de caixa.

O alviverde não está sozinho nessa toada.

O Flamengo trouxe De la Cruz, que vinha sendo o principal nome do River Plate há pelo menos três temporadas. Rodrigo Garro, 26, trazido pelo Corinthians do Talleres, foi considerado um dos melhores da Liga Argentina na temporada passada. Galoppo, que chegou ao São Paulo com 24, no fim de 2022, é mais um exemplo.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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