Brasil

Santos demite Xavier após vexame, mas sonho da torcida por Sampaoli se justifica?

Técnico argentino não apresenta um bom trabalho desde 2022, quando comandava o Olympique de Marseille

Cleber Xavier não resistiu a histórica goleada do Vasco por 6 a 0 e não é mais técnico do Santos. Agora, tudo indica que o Peixe deve apostar todas suas fichas em Jorge Sampaoli, argentino que passou pela Baixada Santista em 2019, quando o time terminou com o vice brasileiro — a Trivela revelou no começo deste mês o início das conversas entre as partes.

— É difícil pedir desculpas ao torcedor, é perdão. Não tenho palavras para demonstrar. Foi uma derrota completamente fora do padrão da grandeza do clube. […] Vamos agora analisar o mercado, diferente do que falaram, só agora — disse o diretor-executivo do clube, Alexandre Mattos, em pronunciamento após a goleada.

Os rumores sobre uma possível chegada de Sampaoli também ganharam força graças a torcida santista que estava no Morumbi neste domingo (17). Gritos de “Ê, Sampaoli” foram ecoados por torcedores “comuns”, enquanto os membros da organizada protestavam.

A escolha pelo argentino parece natural e lógica, selando um retorno que há muito tempo se espera pela primeira passagem. Isso, no entanto, não pode apagar o péssimo histórico recente de trabalhos do comandante, marcado por polêmicas e repetidos problemas de relacionamento.

Sampaoli não emplaca bom trabalho há mais de três anos

Desde que deixou a Vila Belmiro, o técnico de 65 anos trabalhou em cinco clubes diferentes: Atlético Mineiro (2020-2021), Olympique de Marseille (2021-2022), Sevilla (2022-2023), Flamengo (2023) e Rennes (2024-2025). De todos esses trabalhos, talvez o maior e último de bom nível foi na França, finalizado há mais de três anos.

Na equipe de Marselha, após assumir no fim da temporada 20/21 e classificá-la para Liga Europa com apenas duas derrotas em 11 jogos, Sampaoli conseguiu implementar seu jogo intenso na temporada seguinte, alternando a formação entre 3-4-3 e 4-3-3 que potencializaram Dimitri Payet e o brasileiro Gerson, além de Kamara e Saliba, hoje estrelas da Premier League.

O OM do argentino lutou pelo título da Ligue 1, mas acabou com o vice para o PSG, na época com Neymar, Lionel Messi e Mbappé, campeão com quatro rodadas de antecedência e 15 pontos de vantagem para o segundo colocado (86 a 71).

Nas copas, porém, a equipe foi irregular. Caiu na fase de grupos da Liga Europa, mas isso possibilitou uma campanha de semifinal na Conference League — sendo eliminado pelo Feyenoord, que seria vice da Roma. Na Copa da França, tomou quatro do Nice nas quartas de final e perdeu a chance de conquistar a taça que não tinha o PSG (eliminado nas oitavas), tendo o Nantes como vencedor.

Sampaoli durante passagem pelo Olympique de Marseille
Sampaoli durante passagem pelo Olympique de Marseille (Foto: Imago)

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Desde então, favorito a assumir ao Santos decepciona

A boa temporada no futebol francês, que se finalizou por insatisfação pela atuação do Marseille no mercado de transferências, não seguiu acontecendo para Sampaoli.

O experiente técnico decidiu fazer uma segunda passagem pelo Sevilla na sequência, tentando repetir o bom nível da primeira (semelhante ao contexto atual do Santos), e tudo deu errado. Ele assumiu com o time em 16º lugar de LaLiga, na oitava rodada, e entregou na 13ª colocação, ainda na luta contra o rebaixamento, só sendo salvo no fim da temporada pelo então novo técnico José Luis Mendilibar.

O argentino decidiu emplacar um novo no Brasil logo na sequência, em uma conturbada passagem pelo Flamengo. Teve soco do auxiliar Pablo Fernández no atacante Pedro, relatos internos de funcionários incomodados com o tratamento “frio” do treinador e demissão após derrota na final da Copa do Brasil para o São Paulo. O Rubro-Negro ainda caiu na Libertadores para o modesto Olimpia.

No Rennes, clube seguinte ao Fla após um ano e dois meses desempregado, Sampaoli teve o menor trabalho da carreira e o pior aproveitamento: menos de três meses e dez jogos. Foram só três vitórias e acachapantes sete derrotas, com direito a eliminação para o Troyes, da segunda divisão francesa, na sexta fase da copa local.

O treinador novamente pediu reforços na França e, caso feche com o Santos, deve efetuar a mesma estratégia que marca sua carreira. Dificilmente será atendido pelo Peixe, visto a severa crise financeira e sem condições de grandes investimentos.

Ainda será interessante ver se realmente ele fechar com o clube praiano e tiver que trabalhar com uma comissão técnica fixa, já que os auxiliares Matheus Bachi e Vinicius Marques Oliveira e o preparador físico Fabio Mahseredjian permaneceram apesar da saída de Xavier. Sampaoli sempre leva suas comissões em seus trabalhos.

O Santos volta a campo já no próximo domingo (24), quando visita o Bahia, quarto colocado do Brasileirão, em um duelo difícil pela 21ª rodada.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo