Brasil

Clubes gaúchos se somaram em mobilização histórica para ajudar afetados por ciclone

Seja financeiramente ou através de doações, clubes gaúchos ajudaram as cerca de 340 mil pessoas afetadas por ciclone extratropical que atingiu o estado na última semana

Na última semana, a passagem de um ciclone extratropical pelo Rio Grande do Sul causou enormes estragos. O último balanço da Defesa Civil do Estado, divulgado na segunda-feira (11), aponta 46 mortos, 46 desaparecidos, 924 feridos e 340 mil pessoas afetadas de alguma forma pelas enchentes.

A tragédia foi sucedida por uma mobilização histórica dos gaúchos para auxiliar as vítimas. Clubes e personagens do futebol do estado se somaram nessa corrente de solidariedade.

Dupla Gre-Nal

O zagueiro Rodrigo Ely, do Grêmio, é natural de Lajeado. Sua região, o Vale do Taquari, foi a mais afetada pelas enchentes decorrentes do ciclone. O jogador tomou a iniciativa de juntar verba com os companheiros de clube para auxiliar as famílias afetadas.

Rodrigo Ely liderou movimento de solidaridade no Grêmio. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

— Quero agradecer ao clube, aos meus companheiros, ao Renato, à comissão [técnica], porque todo mundo abraçou essa causa. O Grêmio se mostrou mais uma vez um grande clube. Um grande clube também se demonstra nesses atos. Espero que esse pouco que a gente vai fazer possa de alguma maneira ajudar economicamente, ou tentar confortar as famílias para que a gente possa recomeçar. O sul está se mostrando unido, todo mundo está ajudando. Espero que com a colaboração de todos a gente possa nos reerguer, voltar forte como mais uma vez a gente demonstrou com essa união — destacou Ely em entrevista coletiva na terça-feira (12).

Por sua vez, o Internacional disponibilizará para a torcida três pontos de recolhimento de doações no jogo contra o São Paulo, na noite desta quarta-feira, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. Os colorados poderão depositar seus donativos próximo à estátua do Fernandão, à bandeira e à capela do Beira-Rio.

Clubes do interior

Mas a mobilização não se restringiu aos dois principais clubes do Rio Grande do Sul. No interior, outras agremiações também tiveram belo desempenho neste jogo da solidariedade.

Foi o caso do Ypiranga, de Erechim, que teve liderança do Gerente Administrativo Diego Ziegg. Ele é natural de Roca Sales, no Vale do Taquari, que foi a segunda cidade com maior número de mortos.

— Na casa dos meus pais não pega água. Mas eu tenho muitos amigos, muitos vizinhos que acabaram perdendo tudo. Inclusive casas. Na terça-feira pela manhã o rio estava muito alto já, e continuava subindo. Meus pais mandaram fotos. Perto do meio-dia perdi contato com eles. Faltou luz na cidade, acabou voltando só na quinta-feira, quando tivemos retorno deles novamente — conta Ziegg à Trivela.

Diante disso, o dirigente entrou em contato com colegas de Ypiranga e iniciou a mobilização. Em poucas horas, muitas doações chegaram ao Colosso da Lagoa, vindas não somente de Erechim, mas também de cidades vizinhas, como Erebango e Marau.

— Na madrugada do feriado do dia 7, saímos com 27 pessoas em 11 veículos de Erechim. Eram sete caminhonetes lotadas, mais um caminhão lotado de alimentos, água e roupas. E mais três carros. Fomos lá para Roca Sales, e chegamos em torno de 6h. Fizemos algumas localidades no interior lá, e depois ficamos mais na parte da cidade ajudando o pessoal a tirar as coisas de dentro de casa — explica.

O Juventude também se solidarizou às vítimas especialmente da Serra Gaúcha. O clube colocou o Estádio Alfredo Jaconi e o Centro de Treinamento como pontos de coletas de doações. Em apenas 24 horas, quatro toneladas de donativos foram arrecadados.

O Novo Hamburgo se colocou à disposição de quem perdeu a casa por conta da enchente, e terá pontos de recolhimento de doações no jogo contra o Inter-SM, nesta quarta-feira (13), pela Copa FGF – Troféu Rei Pelé. Outros clubes, como São Luiz e Avenida, também abriram seus estádios para recepção de donativos.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho. Formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Antes de escrever pela Trivela, esteve na Rádio Grenal e na RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
Botão Voltar ao topo