Brasil

Chicotada psicológica

O termo usual em terras portuguesas, habitualmente utilizado para as trocas de treinadores, tem conotação ainda mais exata quando aplicado no futebol brasileiro. A saída de Paulo César Carpegiani, anunciada pelo próprio técnico, minutos após a derrota para o Cruzeiro, é sintomática. Não que o trabalho de Carpegiani fosse ótimo ou péssimo, mas o que pauta a coluna desta semana é a entrevista de Antoine Gebran, vice-presidente de futebol do clube

A primeira decisão de Gebran, alçado ao cargo nessa sexta-feira, foi a troca de comando. Segundo ele, já durante a manhã de sábado, finalizar o trabalho de Carpegiani era algo presente em seus pensamentos. Ao longo da coletiva do dirigente, ficou nítida a escuridão ao fim do túnel corintiano. Absolutamente desnorteado, sem nenhum plano específico para livrar o clube da situação difícil, Antoine Gebran usou de expressões do tipo “eles precisam saber o que é a camisa do Corinthians” e “o novo técnico precisa ganhar”.

O desempenho do Corinthians com Paulo César Carpegiani, de fato, beirava o abismo. Foram apenas 39% de aproveitamento em 23 jogos, onde foram somadas apenas 6 vitórias, além de 9 empates e 8 derrotas. O treinador, por mais que tenha sua parcela de culpa, nunca teve material humano em mãos. E o novo diretor, que não demonstrou ter qualquer carta na manga, deixou transparecer que o futuro técnico, que ele ainda não sabe bem quem é, não terá reforços à altura.

O elenco – recheado por veteranos, garotos e nomes emergentes – porém, é bastante deficitário. Antoine Gebran, mesmo na semana em que 20 milhões de dólares entram na conta corintiana, alegou dificuldades financeiras para contratar. Só em 2007, além de Willian, o Corinthians (ou a MSI, ou quem quer que seja) faturou com as vendas de Élton, Jaílson, Christian, Marcelo Mattos, Marcus Vinícius e Pedro Silva – quase todos jogadores fracos, mas que renderam aos cofres. Carlos Alberto, que estava no Fluminense, foi outro negócio pomposo, a mais cara compra da história do Werder Bremen.

Com esse panorama, fica claro que a intenção da troca de comando é movimentar o ambiente. Sem perspectivas de reforços, Antoine Gebran e “grande elenco” apostarão em um novo chacoalhão nos garotos, capaz de render uma pequena seqüência de bons resultados que livre o clube do rebaixamento.

Por tudo que acontece em 2007, fica claro que o clube precisa resolver sua vida, se reestruturar, definir novas diretrizes e, principalmente, ter gente que entenda de futebol e não diga só que “precisamos voltar a vencer” ou que “essa camisa joga sozinha”. E os exemplos estão na própria capital, nos rivais. A tabela do campeonato serve de parâmetro. E para deixar de se ver tão em baixa, não só de chicotadas psicológicas pode viver o Corinthians.

Patacoadas do apito

Apontar erros de arbitragem é algo que geralmente irrita a maioria, de tão recorrente que é. A “profissão-juiz” é bastante complicada e, por vezes, desumana. Todavia, as caneladas deste fim de semana foram tão absurdas e tão criticadas que merecem ser citadas. O pênalti marcado por Luís Antônio Silva Santos é terrivelmente absurdo, tamanha a distância para a risca da grande área. Mas também é absurdo levantar hipóteses obscuras de armação pró-Flamengo, que tem mostrado em campo poder se livrar da Série B com tranqüilidade.

O Fluminense – que não foi roubado contra o Palmeiras – acabou bastante prejudicado pela cegueira de Paulo César de Oliveira e do assistente Ednílson Corona. O lance, por mais que possa ser de difícil visão, tinha de ser marcado. As confissões de Luiz Alberto, zagueiro do Fluminense, são ainda mais esquecíveis: “Reclamamos, desesperados, e ele ria das nossas caras”, disse o defensor com relação ao bandeirinha. A humildade, que muitas vezes falta aos homens do apito, é o que mais entristece.

– Top 5 da coletiva de Antoine Gebran –

“Ao contrário dos comentaristas, eu via um time embolado no meio, muito estranho. Digo isso como torcedor, é claro”.

“Não vou pensar em planejamento. E se o Carpegiani fica e a gente cai? Milhões de corintianos queriam a saída do treinador”.

“O técnico do Corinthians tem de ser inovador, vencedor, criativo. Vamos procurar um bom técnico. Nao sei se vai ser jovem ou veterano, ainda vou pensar”.

“Foi uma decisão minha. Nem o presidente nem o vice estão sabendo disso. E o Zé Augusto (do Corinthians B) vai assumir, é uma situação de emergência”.

“Precisamos tentar fazer os jogadores entenderem o que é a camisa do Corinthians”.

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Equipe Trivela

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