Brasil

Carille desmente Santos sobre multa rescisória e abre porta para time japonês em briga na Fifa

Em entrevista nesta segunda-feira (11), o técnico do Santos, Fábio Carille, confirmou que tinha sim multa rescisória com o V-Varen

Já pensando nas suas estratégias para colocar o Santos na semifinal do Campeonato Paulista, domingo (17), às 20h15 (horário de Brasília), na Vila Belmiro, diante da Portuguesa, o técnico Fábio Carille pode ter jogado contra a defesa jurídica do Peixe no processo que corre na FIFA. O treinador confirmou publicamente a existência de uma multa rescisória com o V-Varen Nagasaki, do Japão, o seu ex-clube.

Carille foi contratado pelo Santos no final do ano passado e registrado no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 12 janeiro deste ano, sob a justificativa de que o treinador estava sem vínculo desde o primeiro dia de 2024.

Com o entendimento de que o técnico estava “sem vínculo”, o Peixe se recusou a pagar a multa rescisória no valor US$ 1,5 milhão (R$ 7,3 milhões na cotação da época) aos japoneses.

Essa alegação do Santos sempre foi rebatida pelos dirigentes do V-Varen, que, no dia 19 de janeiro, recorreram à FIFA afirmando que o treinador tinha contrato vigente com multa rescisória.

Mas o que disse Fábio Carille?

Em entrevista ao Sportv, na noite desta segunda-feira (11), Carille explicou que houve uma negociação entre Santos e V-Varen em dezembro e afirmou que havia uma multa em caso de rompimento de contrato com os japoneses.

— Todos nós ficamos dez dias em negociações. Eu, Santos e V-Varen. Então, o Santos sabe dessa situação. Tiveram reuniões, eu participei de uma delas, mas depois, tanto o Santos quanto os meus empresários, pediram para eu me preocupar com os treinamentos, era início de trabalho e tínhamos jogo logo em seguida… vai ser resolvido, tem que ser resolvido. Existem documentos para isso. Espero que em um curto espaço de tempo tudo esteja resolvido. Tem uma multa sim e alguém vai ter que pagar. Espero que não seja eu — disse o técnico.

Carille vai na contramão de nota oficial do Santos

Com tal declaração, Carille contra argumentou a nota oficial que o Santos emitiu em suas redes sociais ao registrar o treinador na CBF.

— O Santos FC oficializou hoje na CBF o registro do técnico Fábio Carille. Durante longa reunião pela manhã com representantes do V-Varen Nagasaki, o Santos tomou conhecimento de que o contrato do treinador com o clube japonês terminou no dia 1º. de janeiro. Assim, a partir do 1º dia do ano, Fábio Carille estava legalmente liberado para acertar sua vinda para o Santos. Com o registro do contrato do treinador na CBF, o Santos encerra oficialmente as conversações com o V-Varen Nagasaki — publicou o Peixe.

Advogados opinam sobre o caso Carille

Advogada mestre em direito esportivo, Fernanda Soares entende que o treinador se posicionou de maneira totalmente oposta àquilo que o Santos escreveu em sua nota oficial e dá força para a versão do V-Varen.

— Se ele estava sem vínculo, significa que já não existia um contrato. Então, não houve a tal quebra de contrato. Com isso, não haveria multa rescisória. Mas, diante dessa entrevista, os japoneses podem alegar que o Santos sabia que existia essa multa e que o próprio treinador confirmou isso em um programa de televisão. Essa entrevista desmente o comunicado oficial que o Santos emitiu e reforça os argumentos dos japoneses — explica a advogada.

— Porém, não é essa confirmação do Carille que vai fazer o V-Varen ganhar a disputa jurídica. Isso será decidido por meio dos documentos que os dirigentes japoneses precisam mostrar. Eles precisam provar que havia contrato vigente ou que tinha uma cláusula que previa o pagamento de multa para além do prazo final do contrato, por exemplo –, acrescenta Fernanda.

Gabriel Sandoval, especialista em direito esportivo, vê possibilidade de a declaração do treinador colaborar com solução da disputa entre os dois clubes na FIFA.

— Dentro daquilo que se tem conhecimento, a declaração do Carille de que no contrato haveria uma multa e que alguém terá que pagá-la, realmente causa estranheza por ser diversa daquela realizada pelo Santos, podendo ser entendida até como uma confissão. Destaco que a princípio o próprio treinador seria responsável pelo pagamento desta indenização, junto com o Santos, a depender da negociação realizada entre eles quando da assinatura desse novo contrato de trabalho — comenta o advogado.

— Assim, me parece que essa declaração pode ter sido realizada em um contexto de desconhecimento do técnico acerca da integralidade dos termos contratuais. Aqui, não falo em má-fé, mas apenas da observação de que as questões jurídicas e contratuais ficam a cargo de pessoas especializadas que têm como principal função deixar o profissional de futebol focado no desenvolvimento da sua atividade. A solução jurídica do caso, obviamente, se dará com base nas provas documentais existentes e, nesse sentido, a declaração também pode ser um meio de prova para colaborar na sua resolução — completa Sandoval.

Santos se mantém seguro em disputa

A confirmação de Carille sobre a existência da multa, porém, não trouxe maiores preocupações para o Santos. Segundo o apurado pela Trivela, internamente o Peixe viu a declaração como espontânea por parte do treinador e não acredita que isso possa ser determinante contra o Alvinegro na FIFA.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna.
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