Brasileirão Série A
Tendência

Vai começar o Brasileirão 2023: 10 histórias para acompanhar

O Brasileirão chega à sua edição de 2023 com muitas questões para serem discutidas e trazemos 10 tópicos que devem permear todo o campeonato

O Campeonato Brasileiro começa neste fim de semana, dia 15, e inicia o principal torneio do futebol brasileiro em 2023 e só acaba no dia 3 de dezembro. Depois dos estaduais, de carnaval, da Páscoa, do início da Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana, chega a hora de ver os 20 clubes que disputarão a coroa de melhor do Brasil neste ano. Há muito a ser discutido sobre o Brasileirão, então trouxemos 10 tópicos para discussão sobre o nosso maior campeonato (mesmo que ele seja bastante maltratado).

Brasileirão começa em meio ao caos

Arrascaeta, do Flamengo (Buda Mendes/Getty Images)

Começo de temporada normalmente é um momento que tem uma certa magia: o reencontro dos torcedores com os seus clubes, o reencontro no estádio, uma coisa boa que vemos no início de temporada da maioria das ligas do mundo, não só de futebol, mas também nas ligas americanas como a MLB, que voltou recentemente, ou a NBA e NFL. Mas não no Brasil.

O Campeonato Brasileiro começa no quarto mês do ano, quase meses depois do início dos campeonatos estaduais, ainda em janeiro. Os clubes chegam já cheios de problemas, alguns já com técnicos demitidos, outros em crise por derrotas no estadual e já com jogadores e relações desgastadas. Alguns clubes, os que estão nas principais competições, como Palmeiras e Flamengo, farão 18 jogos em dois meses. Haja perna, amigo.

Mesmo nós, pessoas comuns, torcedores, já estamos no quarto mês do ano e olhando quando é que chega aquele descanso. Sim, já estamos um pouco cansado, o ano já está no segundo trimestre, estamos aqui fazendo as contas para que as coisas não saiam dos trilhos, financeiramente, emocionalmente e tudo mais.

O Campeonato Brasileiro chega quando já estamos mais do que ligados ao time. No amor ou na raiva. O que dá para dizer é que ninguém, absolutamente ninguém, tem saudades do seu time nesta semana de início de Brasileirão. Porque já vimos dezenas de jogos nos longuíssimos estaduais. Aliás, saudade é um sentimento que o torcedor brasileiro praticamente não sente. Não há momento de pausa. Não há saudade.

A temporada do Brasileirão termina lá por dezembro. No caso de 2022, até acabou antes por causa da Copa, que foi quase até o Natal. Mas nem deu para sentir saudade de futebol: no dia 15 de janeiro já tinha jogo de estadual. Dia 15 de janeiro! Nem deu tempo de fazer falta. Na verdade, a sensação que temos constantemente no Brasil é de “mas já começou de novo?”.

Como se isso tudo não bastasse, podemos ver ainda alguns times reservas nesta primeira rodada de Campeonato Brasileiro, porque o meio da semana tem jogo da Libertadores. A primeira rodada do Brasileirão poderia e deveria ser um momento de festa. Mas é um momento que a grande maioria já está um pouco desgastado com o time.

Nenhum time teve sequer uma semana de pausa. Todos jogaram ou por finais de estaduais na semana passada, ou por Copa do Brasil no meio da semana. A maioria dos torcedores, que vê seus times em momentos difíceis (e são exceções os que não vivem problema, talvez só um ou outro campeão), e poderia perfeitamente soltar um “lá vamos nós de novo”.

Domínio dos técnicos estrangeiros

Abel Ferreira, do Palmeiras (Icon Sport)

Bom, o Brasileiro vai começar mesmo e não tem jeito e um dos aspectos que têm chamado atenção nos últimos anos é a presença de técnicos estrangeiros. Dos 20 clubes, 10 têm técnicos estrangeiros, depois que o Flamengo confirmou a contratação de Jorge Sampaoli, argentino. O Goiás ainda está com técnico interino e, caso opte por um treinador estrangeiro, pode fazer com que tenha mais estrangeiros que brasileiros na Série A.

A nacionalidade mais comum é de portugueses: são sete no total. O mais famoso e consagrado deles é Abel Ferreira, do Palmeiras, que é um dos melhores se não o melhor técnico em atividade no Brasil desde que chegou ao clube, em 2020. Abel Ferreira já é fruto de um sucesso anterior a ele, atribuído especialmente a Jorge Jesus, que fez um trabalho fantástico na segunda metade de 2019 e começo de 2020. Ele, aliás, é muito cotado para retornar ao Brasil para comandar o próprio Flamengo.

Os demais portugueses são Renato Paiva, do Bahia, Luís Castro, do Botafogo, António Oliveira, do Coritiba, Pepa, do Cruzeiro, Ivo Vieira, do Cuiabá, e Pedro Caixinha, do Red Bull Bragantino. Os outros trtês estrangeiros restantes são argentinos: Eduardo Coudet, do Atlético Mineiro, que balançou nas semanas anteriores ao início do campeonato, Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza, outro técnico dos mais longevos do país, e agora Jorge Sampaoli, de volta ao país para comandar o badalado Flamengo.

Longevidade é artigo de luxo

Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza (Andre Borges/Getty Images)

Que o Brasil é um moedor de técnicos ninguém precisa nem dizer. O interessante é olhar o oposto: quem consegue ter longevidade neste ambiente tão inóspito para os treinadores? Chama a atenção que dois estrangeiros são os mais longevos no país, mas como um deles justificou esses dias, isso tem a ver com um fator simples: eles se sustenham porque ganham.

Foi Abel Ferreira quem disse que só o aguentam porque ele vence. Isso é sem dúvida uma verdade. Quase sempre, os técnicos só ficam nos seus cargos porque vencem, se é que os clubes estão em posição de vencer. São raras exceções que sobrevivem sem isso.

Três treinadores que começarão este Campeonato Brasileiro começaram também em 2022: Abel Ferreira, do Palmeiras, Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza e Rogério Ceni, do São Paulo. Outros dois estão praticamente desde o começo do campeonato passado, já que entraram na segunda rodada e permanecem lá: Mano Menezes estreou na segunda rodada do Brasileirão e está perto de completar um ano de cargo, assim como Vágner Mancini, no América Mineiro, e Luis Castro, do Botafogo.

Abel Ferreira chegou ao Palmeiras no dia 30 de outubro de 2020. É o único que ainda está no clube desde 2020. O segundo mais longevo é Vojvoda, que chegou ao Fortaleza em abril de 2021. Rogério Ceni chegou ao São Paulo quase um ano depois de Abel Ferreira, em 13 de outubro de 2021, e também continua no cargo até agora.

Luís Castro, do Botafogo, é um caso que o treinador consegue continuar no cargo mesmo sem ter entregado nem os resultados, nem o desempenho, mas tem a confiança do dono do clube. O fato de ser uma SAF é uma mudança importante, que até falaremos em outro tópico, mas significa que o clube não tem pressões políticas que, por vezes, fazem os dirigentes demitirem o técnico para entregar a cabeça do treinador a diretores e torcedores famintos por sangue.

Outros dois nomes chegaram ainda no começo do Campeonato Brasileiro: Vágner Mancini chegou ao América Mineiro no dia 12 de abril. Mano Menezes assumiu o Internacional no dia 19 de abril. Fernando Diniz assumiu no dia 30 de abril. Todos eles assumiram ainda no início do Brasileirão do ano passado. Todos os demais já chegaram ao menos a partir do segundo semestre de 2022.

Dos 20 clubes, oito deles começaram o ano com um técnico diferente do que terminou a temporada anterior. Outros dois começam o Brasileiro já sem técnico porque demitiram seus treinadores, o Goiás e o Flamengo. Isso significa que metade dos clubes reiniciaram seus trabalhos nesta temporada em busca de um caminho. É bastante coisa.

Os favoritos

Dudu, do Palmeiras (Cesar Greco/Palmeiras)

Dos três grandes favoritos, pelos elencos que possuem, só um deles têm um trabalho consolidado e de longo prazo: o Palmeiras, com Abel Ferreira. Nos últimos cinco anos, esses três clubes dominaram o Campeonato Brasileiro, mas são trajetórias bem diferentes no período. E chegam também em situações muito diferentes para este Brasileirão. Por isso, vale lembrar esse histórico recente, de cinco anos de dominância dos três times.

Em 2018, o Palmeiras foi campeão com Luiz Felipe Scolari como treinador. Em 2019, o Flamengo foi campeão com Jorge Jesus. Repetiu o título, mas já sob o comando de Rogério Ceni (depois de Domenec Torrent ser demitido no meio do caminho). O Atlético Foi campeão com Cuca, em 2021 – que, evidentemente, deixou o cargo depois do título, como se tornou habitual. Em 2022, o Palmeiras ganhou com Abel Ferreira, que já tinha conquistado todos os outros títulos possíveis no Brasil e na América do Sul.

O Palmeiras é, sem dúvida, quem chega com mais favoritismo. Primeiro, porque é o mesmo técnico desde 2020, o trabalho mais longo no futebol brasileiro neste momento. Segue como um time forte e um dos maiores favoritos, especialmente pelo seu time titular. Há discussão se o Palmeiras tem o melhor elenco e dá para achar que tanto Flamengo quanto Atlético até possuem mais opções. É discutível. Mas é inegável que o time titular do Palmeiras é ao menos tão bom quanto qualquer outro e, por ter uma estabilidade que os outros não têm, é o time que chega mais pronto para conquistar novamente o título.

O Flamengo, que tem um elenco que é sem dúvida dos melhores, entra no Brasileirão muito pressionado por maus resultados na Libertadores, estadual e Copa do Brasil. Desses, só o estadual já não tem como recuperar. Passou os últimos quatro meses com Vitor Pereira, em um trabalho que foi caótico e não entregou nada do que se esperava. O planejamento não foi bom, o que é culpa principalmente da diretoria, mas diretoria não é demitida por ninguém, então quem sai é o treinador, que realmente não foi bem.

Assim, o Flamengo entrará no Brasileiro com um novo técnico: Jorge Sampaoli. A capacidade do argentino é inegável e ele fez bons trabalhos no Brasil, pelo Santos e Atlético Mineiro. Só que também é uma faísca em um barril de pólvora, o que é um risco iminente. O time tem jogado muito mal, suas estrelas não estão rendendo, há muito mais perguntas que respostas na equipe. Ainda assim, pelos jogadores que têm, é difícil imaginar que não fique na parte de cima da tabela. Mas começa atrás do Palmeiras.

O Atlético Mineiro tinha um início promissor com Eduardo Coudet. O técnico é notoriamente competente, como já tinha mostrado na Argentina e no Internacional. O clube apostou nele: trouxe reforços pedidos pelo argentino, que moldou o time à sua imagem e semelhança, com dois atacantes, formando a mortal dupla Paulinho e Hulk. O rendimento, porém, ainda não é dos melhores, embora o time vença muito e tenha conquistado o título mineiro.

As declarações bombásticas atacando o elenco e a diretoria criariam uma rusga imensa. Sua saída ficou próxima, mas por várias razões (entre uma multa alta e um temor que o Flamengo pudesse contratá-lo e isso dar certo, o que pesaria contra a diretoria do Galo), ele acabou ficando. Porém, não dá para apagar o que ele falou. Resta saber como ficará o relacionamento com o elenco e a diretoria nos momentos de baixa da temporada – que sempre vêm, para todos os times.

Os desafiantes

Marcelo, do Fluminense (GPG/Icon Sport/Icon sport)

Se temos três times claramente favoritos, por outro lado temos desafiantes que tentam quebrar esse trio. Na temporada passada, já conseguiram: o Internacional foi vice-campeão, enquanto o Fluminense foi terceiro colocado, tirando dessas posições Flamengo e Atlético Mineiro – sendo que este teve até que disputas fases preliminares da Libertadores.

Quem lidera a lista de desafiantes em 2023 é o Fluminense. O time comandado por Fernando Diniz é um dos mais falados em 2023, com toda razão, foi campeão carioca e, principalmente, vem jogando bem. O time tem bons nomes, como Germán Cano, Nino, André, Martinelli, Paulo Henrique Ganso e teve a chegada de Marcelo, um craque consagrado e com identificação com o clube. Pelo rendimento, é quem mais parece capaz de causar uma disputa no topo da tabela contra, por exemplo, o Palmeiras.

Depois do Fluminense, é difícil imaginar outros times que podem chegar, mas um deles, que pinta como uma potencial surpresa, é o Grêmio. O tricolor gaúcho confia em Renato Portaluppi, que já fez ótimas campanhas com o time, e tem Luis Suárez, uma das estrelas deste Campeonato Brasileiro. É um time que pode ser perigoso e evoluir para uma das surpresas. O elenco não é dos mais profundos, mas tem alguns bons garotos e o time titular é forte, capaz de engrossar jogos contra qualquer adversário. É difícil saber se o time terá consistência em um campeonato tão longo quanto o Brasileiro, além de saber como o time lidera com a ausências de alguns jogadores, como o próprio Luis Suárez. Mas, de qualquer forma, é um time que tem potencial para estar nos quatro primeiros.

O Internacional pode não ser um time dos mais atrativos para se assistir, e começou o ano de forma bem longe do que o torcedor gostaria – e a campanha no Gauchão deixa isso claro -, mas é preciso lembrar que o time ainda tem bons jogadores e é um dos que mantém técnico há bastante tempo, desde a terceira rodada do Brasileirão. Mesmo que seja um time que dê motivos para desconfiar, pode surpreender se conseguir retomar o bom momento de 2022 e, se brigar pelo título parece um pouco demais, estar entre os primeiros colocados novamente não parece nenhuma loucura.

Camisas pesadas de volta, SAFs e riscos de rebaixamento

Bruno Rodrigues, do Cruzeiro (Cruzeiro/divulgação)

A Série B de 2022 trouxe quatro camisas pesadíssimas para o Brasileirão de 2023: Cruzeiro, Grêmio, Bahia e Vasco. São quatro campeões brasileiros que voltam à primeira divisão. Um aspecto é curioso: três desses clubes se tornaram SAF, a Sociedade Anônima do Futebol, antes de retornar à Série A. Só o Grêmio que se mantém como um clube associativo desses quatro.

Como todos os times que retornam da segunda divisão, a primeira preocupação precisa ser não voltar a ser rebaixado. Desses quatro que subiram, só o Grêmio parece não ter essa preocupação. Cruzeiro, Bahia e Vasco precisam primeiro garantir a permanência antes de pensar em qualquer outra coisa.

Os três que subiram que são SAF, Vasco, Cruzeiro e Bahia, se unem a Botafogo e Cuiabá. Ainda há desconfianças sobre o modelo, então só os clubes mais desesperados tomaram esse caminho e, até aqui, tiveram sucesso em tirar o pé da lama. A presença de mais clubes importantes que viraram SAF será visto como um teste importante para esse modelo – com o problema de não ter como voltar atrás.

Por sinal, com tantas camisas pesadas, é quase inevitável que clubes de peso sejam novamente rebaixados. E alguns clubes de peso, como Santos e São Paulo, parece que entram já com essa preocupação. O Santos já viveu isso nos últimos anos, o São Paulo teve anos de altos e baixos e já chegou a ficar ameaçado e inicialmente parece ter que se preocupar mais uma vez com isso.

Isso além dos times que subiram, especialmente Cruzeiro, Vasco e Bahia, além de clubes de orçamento menor, como Cuiabá, Goiás e, atualmente, o Coritiba. O Red Bull Bragantino é outro clube que, por ter perdido muitos jogadores e não ter jogado bem há muito tempo, que deve se preocupar com essa questão. O que parece claro é que alguma camisa tradicional deve estar na Serie B.

Patrocínios de casas de apostas e regulação à vista

Jogadores do Vasco comemoram (Vasco/Divulgação)

As casas de apostas são uma realidade no Brasil. Mesmo que ainda falte a regulamentação e todas elas estejam em paraísos fiscais, há um projeto desde o governo Michel Temer que prevê a regulamentação dessa indústria. Além de começar a taxar essas casas e exigir que essas empresas tenham sede no Brasil, é possível que tenhamos mais regulamentações – e inclusive seria muito necessário que houvesse.

Há 12 clubes com patrocínio master de casa de aposta e todos os outros possuem algum tipo de vínculo com casas de apostas. Em meio a uma regulamentação que está para acontecer, os clubes podem ver esses acordos mudarem. Dá para fazermos um paralelo com o que está acontecendo na Premier League, onde houve proibição de patrocínio na frente da camisa, o patrocínio master, como nos acostumamos a chamar no Brasil. Será que algo assim poderia acontecer no Brasil, ou mesmo deveria?

É ainda algo muito novo, mas está claro que tem muito mais empresas agora do que empresas que vão permanecer diante de uma regulamentação que exclua as mais obscuras e esse dinheiro pode ser reduzido – o que não seria uma coisa ruim, aliás, é preciso que apenas as empresas confiáveis e responsáveis continuem.

Até porque é uma questão que passa por problemas sociais também, que parece que ninguém se preocupou até agora, nem governo, nem clubes, nem casas de apostas. Como lidar com o potencial vício em apostas? Como fazer campanhas educativas e de prevenção? Quais regulamentações sobre propagandas?

No Reino Unido, por exemplo, jogadores em atividade não podem fazer propagandas de casas de apostas, além de, evidentemente, não poderem apostas também, nem eles, nem pessoas ligadas a eles. Também há diversas restrições em horários para propagandas, inclusive há limitações de propagandas na TV durante a transmissão de jogos. Tudo isso passou ao largo no Brasil e precisa começar a ser discutido – mesmo que alguns clubes possam espernear querendo o máximo de desregulação para extrair o máximo de dinheiro, mesmo que isso dure pouco tempo, naturalmente.

Brasileirão dos estrangeiros

Luis Suárez, do Grêmio (Icon Sport)

Não são só os técnicos que pintam como estrangeiros no Brasil. Há muitos jogadores também estrangeiros, pelo menos 30 nos atuais elencos. Dos 20 clubes, só um deles não tem jogadores estrangeiros no elenco até agora: o Cruzeiro, que tem um técnico estrangeiro.

Os argentinos são maioria entre os estrangeiros, com um total de 30 jogadores. Germán Cano talvez seja o mais famoso deles neste momento. Depois, temos 16 uruguaios, entre eles Luis Suárez, talvez o mais famoso deles, além de Georgian De Arrascaeta, que é uma estrela no futebol brasileiro há muito tempo.

Os colombianos aparecem com nove jogadores, entre eles Jhon Arias, um dos principais jogadores do Fluminense. Temos também sete equatorianos, com Robert Arboleda, do São Paulo, como provavelmente o principal nome, já que esteve na Copa do Mundo, ainda que não tenha jogado. Os chilenos e os paraguaios têm seis representantes cada, com Arturo Vidal, do Flamengo, como provavelmente o principal nome entre os chilenos e Gustavo Gómez, do Palmeiras, como o principal paraguaio.

Temos ainda três venezuelanos, com Yeferson Soteldo, do Santos, como o nome mais forte. Curiosamente, há três chineses, ao menos em nacionalidade, que contam como vaga de estrangeiros, mesmo tendo nascido no Brasil: Aloísio Boi Bandido, do América Mineiro, Ricardo Goulat, do Bahia e Alan, do Fluminense. Todos eles tiveram que abrir mão da nacionalidade brasileira para ter a chinesa. Por fim, temos um português atuando no Brasil, Rafael Ramos, do Corinthians.

Outra curiosidade é que temos sete jogadores que têm dupla nacionalidade e, assim, não ocupam o posto de estrangeiros porque uma delas é a brasileira: Cicinho, do Bahia, que tem nacionalidade búlgara; Júnior Moraes, do Corinthians, que tem nacionalidade ucraniana, Johnny Cardoso, do Inter, que tem nacionalidade americana, Mário Fernandes, do Inter, que tem nacionalidade russa; André Anderson, do São Paulo, com nacionalidade italiana; João Moreira e Marcos Paulo, ambos do São Paulo, que também têm nacionalidade portuguesa.

Tendência de média de público alta

Torcida do Flamengo (Wagner Meier/Getty Images)

As duas maiores médias de público da história do Campeonato Brasileiro são de 1983 (com 22.953) e em 2019, a última antes da pandemia (22.601). A edição de 2022 é a terceira da história, com 21.646.

Com o retorno de quatro camisas muito pesadas à primeira divisão, estádios grandes – entre eles a nova Arena MRV, do Atlético Mineiro – e muita empolgação, é possível que vejamos uma média de público bem alta, e que pode entrar no pódio das melhores médias da história.

Além de camisas pesadas e estádios grandes, há também uma questão cultural que tem se estabelecido no Brasil. Os programas de sócios-torcedores, que existem intensamente desde o início dos anos 2000, além de um costume com o modelo de pontos corridos, faz com que os torcedores estejam mais presentes.

Duelo de artilheiros

Germán Cano, do Fluminense (Icon sport)

O duelo pela artilharia também promete ser interessante. O favorito é Germán Cano, argentino do Fluminense que foi artilheiro da edição 2022 do Brasileirão com 26 gols. Isso o coloca como o sexto jogador que fez mais gols em uma mesma edição, atrás de Washington, do Athletico Paranaense (34 gols), Dimba, do Goiás, em 2003 (31 gols), Edmundo, do Vasco, em 1997 (29), Reinaldo, do Atlético Mineiro, em 1977 (28 gols), Guilherme, do Atlético Mineiro, em 1999 (28 gols).

Uma das grandes novidades do Brasileirão deste ano é Luis Suárez. Aos 36 anos, o atacante chega consagrado como um dos melhores da posição por ao menos uma década na Europa e já deu uma amostra da sua capacidade em ligas como a Eredivise, Premier League e La Liga. Assim, é um grande candidato a conquistar a artilharia no Brasileirão e conquistar mais um território em uma longa carreira.

Hulk é um nome que não pode ficar de fora da lista de possíveis artilheiros. Em 2021, quando o Atlético Mineiro foi campeão brasileiro, ele fez 19 gols e volta a esta edição com força para brigar pela artilharia. Em um time do Atlético Mineiro que não tem um centroavante típico, é Hulk quem faz mais gols e deve ser o ponto focal da equipe. Pode ser uma concorrência de peso para Cano.

Gabigol é outro candidato óbvio, ainda que ele não viva uma grande fase. Em 2019, ele fez 25 gols e foi o artilheiro, além de campeão. Pedro, seu companheiro de Flamengo e que tem sido efetivamente o centroavante do time desde que se tornou titular. Os dois têm boas possibilidades, desde que o time se arrume em campo (o que é um grande SE, evidentemente).

Há outros nomes que podem pintar na lista. Rony fez 12 gols na temporada 2022 do Brasileirão, quando o Palmeiras foi campeão. Ele mostrou versatilidade para marcar gols e, se o Palmeiras embalar novamente, pode pintar como um candidato. E dentro do próprio Palmeiras, há um nome que também pode acabar brilhando nesse sentido por tudo que já fez na base: o garoto Endrick, de apenas 16 anos, que completará 17 anos em julho. A capacidade técnica e de marcar gols do jogador é imensa, embora ele ainda seja muito jovem e não se saiba se será titular com frequência, embora a tendência seja que sim.

Outro nome que fez muitos gols em 2022 e precisa ser citado é Jonathan Calleri. Foram 18 gols em 36 jogos em 2022, mas desta vez o São Paulo parece mais desorganizado e talvez não ofereça as melhores condições para que o centroavante argentino faça tantos gols. De qualquer forma, é um nome que já mostrou capacidade de marcar muitos gols.

Quem também teve bom desempenho em 2022 foi Pedro Raul, que pelo Goiás. Foram 19 gols em 34 jogos, o que o colocou em disputa com Germán Cano. Seu início no Vasco não é dos mais empolgantes, mas ele certamente mostrou que sabe fazer gols.

Esses são nomes que pintam, mas o Brasileirão sempre nos traz novidades e é bastante possível que vejamos algum nome que sequer foi citado e que empilhe gols até o fim do ano. Veremos ao fim do ano quem estará com o prêmio de artilheiro.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
Botão Voltar ao topo