Brasileirão Série A

Tite analisa planejamento do Flamengo e lamenta oscilação contra o São Paulo

Treinador do Flamengo, Tite deu uma coletiva mais interessante, abrindo o jogo de vez sobre o desgaste dos atletas e planejamento de 2024

Tite deu uma coletiva para lá de interessante depois da partida contra o São Paulo, que deixou o Flamengo na liderança do Brasileirão. O treinador finalmente abriu um pouco mais o jogo sobre o planejamento do Rubro-Negro com relação ao desgaste. Ao lado de Matheus Bachi, seu filho e auxiliar, o comandante destrinchou a oscilação da equipe no duelo.

O que Tite disse durante a coletiva?

  • Analisou o desgaste do Flamengo e a situação de alguns atletas em específico
  • Minimizou a ausência de Gerson no time titular
  • Falou sobre o planejamento para os jogos contra Palmeiras e Bolívar
  • Brincou sobre os objetivos do Flamengo no Brasileirão

Tite revela chateação pelo gol sofrido

Sistema é um todo, a equipe se defende e ataca. Pega os últimos seis trabalhos aqui, e vocês vão ver que temos uma média de dois gols feitos. Se você pegar os gols sofridos, você vai ver com certeza que é a menor média. Isso gera equilíbrio. Somos muito verticais, a gente não trabalha bola para o lado. A primeira opção é vertical. Hoje fiquei chateado por ter tomado o gol. Não me lembro, a não ser uma bola que o Rossi saiu e abafou, de uma defesa que ele tenha feito. O resultado poderia ter sido mais elástico, o Rafael fez duas grandes defesas.

O comandante do Flamengo ainda prosseguiu sobre a oscilação do Flamengo, que ocasionou no sufoco na reta final do jogo. Tite exaltou a pressão realizada pela equipe no campo do São Paulo, que levantou a torcida em diversos momentos.

— O adversário tentou propor, e o nosso time roubou seis ou sete bolas no campo adversário. Quando a gente retoma a bola, e a torcida fica feliz, esse é o comportamento da nossa equipe. A característica do jogo vai mudar. É se moldar e se adaptar à característica do jogo — cobrou.

Tite pôde sorrir depois da vitória do Flamengo (Foto: Jorge Rodrigues/AGIF/Sipa USA)

Bruno Henrique agradece o carinho da torcida

Titular na partida desta quarta-feira (17), Bruno Henrique foi um dos que falou com a imprensa depois da vitória no Maracanã. Na opinião do Rei dos Clássicos, o Flamengo soube suportar a pressão do São Paulo para conseguir os três pontos.

— Parabéns mais uma vez para a equipe, jogo difícil contra uma equipe que vai brigar pelo campeonato. E a gente conseguiu suportar super bem. Fizemos um grande jogo, marcamos dois gols e poderíamos ter feito mais uns dois, mas a defesa do São Paulo foi muito bem. Parabéns para nós por mais esses três pontos, sabemos que o Campeonato Brasileiro é difícil, não tem jogo fácil. Então é importante pontuar dentro de casa para a gente poder sonhar com esse campeonato — analisou, em entrevista à TV Globo.

Ovacionado pelos quase 50 mil torcedores do Flamengo no Maracanã, Bruno Henrique agradeceu o carinho dos rubro-negros. A relação simbiótica entre ídolo e torcida é realmente diferenciada.

— Vou dizer mil vezes: com o carinho que eu tenho por essa torcida e com o carinho que eles têm por , é gratidão sempre por estar no maior clube. Fico feliz de estar podendo dar o meu melhor em campo, jogando de titular ou entrando durante as partidas. — finalizou.

Bruno Henrique foi muito celebrado pela torcida do Flamengo (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Sipa USA)

O próximo desafio do Flamengo será novamente pelo Campeonato Brasileiro, neste domingo (21), quando Tite e companhia visitarão o Palmeiras, de Abel Ferreira. A bola rola para mais um duelo entre as grandes potências do futebol brasileiro a partir das 16h (de Brasília), no Allianz Parque.

Veja outros pontos abordados na coletiva

Recuperação e desgaste

— Antes de o jogo começar, Fábio Mahseredjian dá um relatório de quem pode substituir. Um deles era o Pedro, e ele disse: “Eu estou bem”. Nico era outro. Para o Ayrton Lucas, eu disse: “Vou precisar de ti até o fim do jogo”. Allan e o BH sentiram cãibra e pediram para trocar.

— Lutaremos por todos os títulos, pode ter certeza. Também não faz parte de mim ser mentiroso, não falar o que acredito e não falar a minha verdade. Sei que a torcida quer, mas é quase que humanamente impossível conquistar todos os títulos. Agora temos dois jogos importantes, não dá para ter o Arrascaeta nos dois. O que vai fazer? Quando falo de prioridades é nesse aspecto, não é de preferir ou de abrir mão.

— A gente estava no dilema de não mexer numa equipe que estava bem. Foram mudanças um pouco circunstanciais.

Oscilação do time no jogo

— Parte da resposta é um pouco do que coloquei anteriormente na situação do Allan, que a pressão na bola é importante, porque não dava na situação que ele estava. Aí é o joguinho de xadrez, ele estava com cãibra, ele não conseguiu pressionar. Aí até a substituição, ela foi logo em seguida. Ele disse: “professor, não dava mais mais”. Então para essa situação específica (gols de cabeça), a gente tem que analisar o contexto todo dela. Eu não posso falar em relação a trabalhos anteriores. Nessa faltou uma pressão no homem da bola, ela poderia ter sido melhor, deveria ter sido melhor, salvo esse problema físico que acabou determinando essa facilidade maior.

— Repetiram a final da Copa do Brasil, duelo de tradição. Nós também perdemos para o São Paulo lá no último jogo do Campeonato Brasileiro (de 2023). O duelo tem a grandeza das suas equipes, duas equipes que desempenham bem. Mas o sentimento é de que poderíamos ter transformado o nosso futebol no terceiro gol. (Não aconteceu) muito também pela boa atuação do goleiro adversário.

— E aí o futebol é um joguinho de xadrez, porque quando o Allan está com cãibra, ele não consegue fazer a recomposição. Ele pede pra sair, mas a regra do jogo não permite essa paralisação. E justamente era no setor do Alisson que faz a jogada (do gol do São Paulo). Difícil, é lamentar. Mas, pelo desempenho, o resultado deveria ter sido mais elástico.

— Existe um jogo de futebol que é um jogo mental. A confiança acaba gerando. E se vocês olharem todos os jogos eles têm esses componentes. Todos, todos! Os jogos têm fases. Nós estávamos muito perto de fazer o terceiro. Aí toma o segundo, fica um pouquinho… (difícil) para jogar. Depois retomou de novo, nós estávamos muito perto de fazer o terceiro. Saiu na cara do gol o Erick Pulgar. Tivemos outras oportunidades de finalização.

— Eu brinquei com o Bruno Henrique. “Eu substituo defensor com cãibra, atacante vai respirar um pouquinho, vai alongar um pouquinho porque eu vou deixar o tempo todo”. Porque ali pode daqui a pouco arriscar. A menos que seja uma condição de lesão. Então a partida tem esses aspectos dentro do jogo.

Gerson voltará ao time titular?

— Entendo todos vocês. Vocês têm o titular e não titular. São todos atletas de alto nível. Felizmente o Gerson está com saúde e retomando sua melhor condição. Não tinha condição física de jogar um jogo inteiro. Aos poucos, vai readquirindo. Assim como não tinha condição de jogar o Arrascaeta hoje.

Objetivos no Brasileirão

— Permanecer no G-4 até as últimas 10 rodadas. E depois das últimas 10 rodadas vai definir o campeão.

Jogo contra o Palmeiras

— O Palmeiras é uma equipe muito forte, com uma consistência de equipe, de elenco, nas últimas temporadas. Não é à toa que é o bicampeão brasileiro. A gente já faz a análise do adversário. A gente tem uma ideia do que pode enfrentar, a gente vai mais aprofundar na sequência dos dias. É um grande clássico do futebol brasileiro, que vale os mesmos três pontos que valeram hoje. Então toda rodada que a gente jogar, a gente tem que buscar os três pontos, tem que dar valor para toda partida que a gente vai jogar e está meio preparado pra ele ser o Palmeiras, ser o São Paulo, ser o Botafogo. (Matheus Bachi)

— Reitero: o Campeonato Brasileiro tem uma característica de que a pontuação é igual, independentemente da grandeza. A pontuação de início e de final vai definir quem vai brigar e quem vai ficar alijado da disputa. (Tite)

Tirou o Arrascaeta por qual razão?

— O Flamengo jogou 10 jogos lá em Goiás, ele tinha perdido cinco, empatado três e vencido dois. É muito difícil jogar. Pela qualidade do adversário, pelo clima, pelo horário. Você não consegue impor o ritmo mais forte. Às vezes o clima tem interferência. Hoje tivemos que tirar o Arrascaeta. Tu acha que eu quero tirar o Arrascaeta? Eu fico aqui com… “Ah, tirou o 10 do time”.
— Eu fico aqui exposto por tirar. Mas não dá. Vou estourar o cara nessa sequência de jogos? Agora é fácil. Mas e antes para tirar o 10? Então por isso que passo essa mensagem para todos os atletas. Daqui a pouco vai ter a necessidade, é inevitável a necessidade. Inevitável a troca de todos os setores, ou numa entrada, como aconteceu.
Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance! e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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