Goleada histórica do Fluminense escancara abandono e apatia de um São Paulo em frangalhos
Maior derrota da história no confronto expõe rotina de desorganização, elenco remendado e uma sensação crescente de abandono dentro e fora de campo
A goleada por 6 a 0 sofrida pelo São Paulo diante do Fluminense, nesta quinta-feira (27), no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, escancarou com violência simbólica o estágio melancólico em que o clube encerra a temporada.
O placar histórico — o maior do Flu no confronto, devolvendo o 6 a 0 de 2002 — apenas colocou números em uma sensação já instalada no ambiente tricolor: um ano que acaba sem títulos, sem energia e sem qualquer perspectiva construída dentro de campo.
A derrota não é um ponto fora da curva, mas o retrato fiel de um time que chega emocionalmente vazio ao seu desfecho de 2025.
O “abandono” se manifesta não só na produção técnica, mas na própria relação entre clube e torcedor. Sem poder mandar jogos no MorumBIS — entregue há meses a uma sequência interminável de grandes shows internacionais — o São Paulo passou a encarar como rotina atuar na Vila Belmiro, longe da sua casa, da sua atmosfera, da sua gente.
A diretoria, especialmente o presidente Julio Casares, trata essa situação com naturalidade desconcertante, sem sinalizar esforço real para preservar o estádio como prioridade esportiva. A temporada termina com uma torcida que se sente afastada e um elenco que não encontra chão.
Dentro de campo, a apatia vista no Maracanã talvez tenha sido a expressão mais dolorosa desse final de ciclo. O São Paulo foi presa fácil para um Fluminense avassalador, intenso desde o primeiro minuto e comandado justamente por Luis Zubeldía, técnico que deixou o Morumbi em junho.
O Tricolor paulista mostrou-se desconexo, desorganizado, sem reação — um time que parecia somente cumprir tabela enquanto o adversário empilhava oportunidades e transformava fragilidade em goleada histórica.
- O São Paulo não sofria seis gols há 10 anos e 5 dias
- E não perdia por seis gols de diferença há 24 anos e 2 dias
VEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENNNNNNNNNNNNCEEEEE O FLUMINEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENNNNNNNSEEEEEEE!
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) November 28, 2025
AMASSO HISTÓRICO DO MEU TRICOLOR! CANOBBIO (2), NONATO, MARTINELLI, JK E SERNA MARCARAM OS SEEEEEEEIISSS GOLS DA GOLEADA! VAAAMMMOOOS, TRICOLORES! pic.twitter.com/MhBNLr5OVd
São Paulo em frangalhos e mais uma goleada para conta
O cenário de “frangalhos” ajuda a explicar parte da tragédia esportiva: foram 15 desfalques, um elenco remendado, improvisações por todos os lados e uma espinha dorsal completamente desfigurada. Mas a precariedade não pode ser tratada como justificativa plena quando o que se vê é um conjunto que perdeu competitividade, voz e identidade. O São Paulo não apenas estava desfalcado — estava emocionalmente esgotado.
E o mais preocupante é que o vexame se encaixa em um padrão que já virou hábito. Desde 2020, o São Paulo sofre pelo menos uma goleada por temporada, alternando técnicos e elencos, mas repetindo a mesma incapacidade de reagir em momentos de colapso.
O 6 a 0 no Maracanã não inaugura um problema — apenas reforça um ciclo que o clube do Morumbi, ano após ano, não consegue romper.
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Como foi a vitória do Fluminense sobre o São Paulo
O Fluminense não poderia ter começado o jogo de maneira melhor. Logo aos cinco minutos, Samuel Xavier cruzou e a bola resvalou no braço de Alan Franco dentro da área. Pênalti. Canobbio cobrou forte, no alto e no meio do gol, para abrir o placar no Maracanã.
E o Flu não tirou o pé do acelerador. Se aproveitando de um São Paulo desorganizado no meio-campo e vulnerável na defesa, a equipe de Zubeldía ampliou a contagem pouco depois. Pablo Maia errou passe fácil e a bola ficou com Everaldo, que abriu para Canobbio puxar o contra-ataque. O uruguaio forçou um passe para Samuel Xavier que, de carrinho, cruzou. Everaldo cabeceou, a bola explodiu em Ferraresi e sobrou para Martinelli chutar para o gol vazio.
Atordoado, o time visitante não se encontrava em campo e sofria a cada estocada dos donos da casa. Com 23′ no relógio, mais um duro golpe para o Tricolor paulista. Ferraresi errou passe no meio, Nonato antecipou e abriu para Serna. O colombiano puxou contra-ataque e abriu de volta para Nonato, que ganhou no pé de ferro e chapou por baixo de Young.
Na metade do segundo tempo, John Kennedy, alguns minutos depois de entrar no lugar de Everaldo, deixou sua marca. E ainda deu tempo de Canobbio e Serna completarem o recital.

Como Fluminense e São Paulo ficam na tabela do Brasileirão?
Com a vitória, o Fluminense se garantiu matematicamente na Libertadores 2026. A equipe carioca foi a 58 pontos e subiu para a quinta colocação — área de classificação direta para a fase de grupos da competição continental.
O São Paulo, por sua vez, estacionou nos 48 pontos, se manteve em oitavo lugar e não tem mais chances matemáticas de alcançar o G7 — pelotão que dá vaga à Libertadores.
Para jogar o torneio continental no próximo ano, o time de Hernán Crespo precisa terminar o Brasileirão na oitava colocação e torcer para Cruzeiro ou Fluminense conquistar a Copa do Brasil — pois assim, se abre mais uma vaga.
Próximos jogos:
- Grêmio x Fluminense — Brasileirão — terça-feira, 2 de dezembro, às 21h30
- São Paulo x Internacional — Brasileirão — quarta-feira, 3 de dezembro, às 20h



