Brasileirão Série A

7×1: Sete motivos para entender o vexame do Santos diante do Internacional

Com uma atuação vexatória, o Santos foi humilhado ao perder de 7 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio

Quase 24 horas depois do atropelamento sofrido em Porto Alegre, onde foi humilhado pelo Internacional ao perder por 7 a 1, o torcedor do Santos ainda junta os cacos para tentar entender o que fez a equipe ter uma atuação tão lamentável como se viu no gramado do Beira-Rio pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Para ajudar a torcida e, principalmente a diretoria, a Trivela traz justamente sete motivos que explicam o vexame dado na capital gaúcha, que assim como o 7 a 1 sofrido para o Corinthians, em 2005, representa a maior derrota já sofrida pelo Santos na história do Brasileirão.

Desconcentração total da equipe

É óbvio que um time que leva o primeiro gol de uma partida aos 52 segundos de bola em jogo fica suscetível à derrota, pois toda a estratégia trabalhada ao longo da semana já foi prejudicada. Ainda assim, mesmo com o gol sofrido antes do primeiro giro completo do relógio, ser goleado por 7 a 1 não se justifica.

Ocorre que os jogadores do Santos iniciaram o confronto contra o Internacional completamente desconcentrado. E essa desconcentração não é fruto somente do gol contra marcado por Kevyson, que se assustou com o cruzamento de Vanderson, mas sim de todo o time.

Lucas Braga perdido em campo

Improvisado na ala direita em virtude da carência do elenco naquela faixa do campo, Lucas Braga teve uma atuação para esquecer. As jogadas nas costas do voluntarioso jogador foram o mapa da mina de ouro para o Internacional.

Perdido em campo, Braga foi engolido defensivamente. Sem explosão, perdeu todas as disputas em velocidade contra o ataque colorado e, mal posicionado, foi facilmente driblado por Vanderson e quem atuava em cima do camisa 30 do Peixe.

Vladimir sem qualquer confiança

Responsável por substituir o suspenso João Paulo, Vladimir foi tão mal em campo quanto Lucas Braga. Por mais que não tenha falhado em todos os gols, o goleiro do Santos poderia ter evitado algumas bolas de encontrarem o fundo das redes alvinegras. Porém, a falta de confiança que a torcida sente ao vê-lo em campo aparentemente o desestabilizou junto com o péssimo defensivo da equipe.

Com a goleada, Vladimir chegou à marca negativa de 13 gols sofridos em três jogos disputados. Detalhe: em uma dessas três partidas ele participou de apenas 40 minutos e ainda assim sofreu dois gols (no empate por 2 a 2 com o Botafogo)

Dodô e os três zagueiros

Por mais que a ideia de Marcelo Fernandes tenha funcionado nos confrontos contra Bahia, Vasco e Palmeiras, o sistema com três zagueiros ficou batido e exposto com um pouco de estudo, intensidade e organização por parte do Internacional, que amassou o Santos.

Some a isso, toda a ineficácia de Dodô improvisado como terceiro zagueiro. Sem o melhor condicionamento físico para seguir como lateral-esquerdo, o experiente jogador foi um dos piores em campo dando, inclusive, uma ‘assistência' para Alan Patrick marcar um dos gols dos donos da casa.

Desfalques dos principais jogadores

É impossível afirmar que com as presenças de João Paulo, Jean Lucas e Soteldo o Santos voltaria de Porto Alegre com os três pontos na bagagem. Mas é justo afirmar que a equipe sentiu a ausência do trio, que não viajou por conta de suspensão.

Com João Paulo em campo o sistema defensivo se sentiria mais seguro, com Jean Lucas a equipe teria alguma organização e com Soteldo ofereceria alguma preocupação à zaga gaúcha, que praticamente assistiu ao jogo durante os dois tempos.

Elenco sem reposição

Os desfalques do trio escancararam o quanto o Santos tem problemas na formação do elenco para a disputa de uma competição do nível da Série A do Brasileirão.

João Paulo e Soteldo não têm um reserva à altura, e Jean Lucas está longe de ser substituído por alguém com capacidade de organizar e ler a partida no meio-campo como ele. Logo, se um desses três pilares não estiverem presentes entre os 11, o Santos terá diferentes e grandes problemas.

Vale lembrar que a cúpula alvinegra foi ao mercado na janela de transferências de meio de ano e contratou nove jogadores: Júnior Caiçara, João Basso, Dodô, Tomás Rincón, Nontato, Jean Lucas, Julio César Furch, Maxi Silvera e Alfredo Morelos.

Internacional focado no Brasileiro

Eliminado dolorosamente da Copa Libertadores para o Fluminense, o Internacional se encontra 100% focado no Campeonato Brasileiro. E com jogadores mais talentosos do que o Santos, a equipe do técnico Eduardo Coudet fez o que quis com os comandados de Marcelo Fernandes e claramente se deram ao luxo de tirar o pé do acelerador após os 25 minutos do segundo tempo. Afinal, se quisessem, não encontrariam qualquer obstáculo.

Diante desse compilado de situações, o Santos, com 30 pontos e na 17ª colocação, não conseguiu deixar a zona de rebaixamento do Brasileirão e vê a desconfiança da torcida em relação à capacidade do elenco crescer.

Para a diretoria, cabe torcer pela imediata recuperação, quinta-feira (26), contra o Coritiba, penúltimo colocado na tabela, 21h30 (horário de Brasília), na Vila Belmiro, antes do clássico de domingo (29), às 18h30 (horário de Brasília), contra o Corinthians, na Neo Química Arena.

Foto de Bruno Lima

Bruno LimaSetorista

Jornalista pela UniSantos com passagem pelo Jornal A Tribuna de Santos. Já trabalhou na cobertura de jogos da Libertadores e das Eliminatórias Sul-Americanas no Brasil e no Exterior. Na Trivela, é setorista do Santos.
Botão Voltar ao topo