Por que o Atlético-MG conseguiu se defender melhor contra o São Paulo
Retorno de trio e grande atuação de cria da base deixaram o Atlético melhor defensivamente do que nos últimos jogos
Um dos grandes problemas do Atlético-MG na trajetória ruim recente foi o sistema defensivo. Com muitas alterações por jogo devido a desfalques, a defesa atleticana não se encaixou e sofreu muitos gols.
Mas, na vitória por 2 a 1 contra o São Paulo, o sistema foi bem melhor e mais seguro, e retornos de jogadores, além de Guilherme Arana e Renzo Saravia, explicam isso.
Não é porque o sistema defensivo do Atlético foi melhor contra o São Paulo que foi um primor. Houveram, sim, falhas e alguns espaços deixados, inclusive com o Galo oferecendo pelo menos três chances de gol ao Tricolor. Mas, comparado com o que se viu nos últimos jogos, já foi uma evolução e tanto.
Essa evolução está muita atrelada aos retornos que Gabriel Milito teve. Como citado, foram muitos desfalques durante o período ruim do Galo. Mas, contra o São Paulo, ele teve de volta Otávio, Alan Franco e Battaglia, que fizeram a diferença.
O crucial Otávio
O principal retorno do Atlético é o volante Otávio. Fora do time há dois meses, ele é o cão de guarda da defesa – mas não só isso -, e, sem ele, o Galo não tinha nenhum outro à disposição com características parecidas, o que afetou muito o time de Milito.
Otávio retornou há dois jogos. Contra o Flamengo, jogou 90 minutos mesmo com todo o período de fora, o que mostra a importância que tem. Mas, assim como o time todo, foi mal. Contra o Botafogo, teve que ser improvisado na zaga após a expulsão precoce de Igor Rabello e não pôde ajudar no meio-campo.
Já contra o São Paulo, com o time mais encorpado e outros retornos, pôde ser o primeiro volante que se espera, ajudando muito defensivamente e também no início das jogadas do Galo.

Dupla perfeita com Alan Franco?
Outro que voltou e fez diferença foi Alan Franco. Fora por estar com o Equador na Copa América, também retornou contra o Botafogo e foi afetado pela expulsão de Rabello. Contra o São Paulo, se saiu muito bem fazendo dupla com Otávio, tendo mais liberdade para atacar.
— Otávio é um jogador com mais marcação defensiva que o Alan Franco, mas eles se complementam muito bem. São jogadores que dão muito equilíbrio ao time na fase defensiva, mas tem qualidade quando para circular a bola. Nosso time precisa de um volante que se sobressai defensivamente. Por isso tivemos tantos problemas quando eles estiveram fora — destacou Gabriel Milito após o jogo.
— Os volantes têm que fazer as duas fases muito bem, e tanto Otávio quanto Alan Franco, defensiva e ofensivamente, tem isso — Milito
Quem também merece aplausos é Rodrigo Battaglia. Com a dupla de volta, o volante voltou a atuar como zagueiro e se saiu muito bem. É verdade que foi advertido logo aos 10 minutos e isso o colocou em risco, mas soube jogar e, mesmo com cartão, conseguiu anular o ótimo Calleri.
— Agora que recuperamos Otávio e Franco, considero que ele jogue de zagueiro, porque é agressivo nos duelos, competitivo, transmite segurança ao time. Além disso, na saída de jogo, ter um volante de zagueiro te dá mais possibilidades do primeiro passe, que é tão importante para atacar — explicou Milito.

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O brilho do cria do Atlético
Quem também contribuiu, e muito, para o desempenho defensivo do Atlético melhorar foi o goleiro Matheus Mendes. Cria do Galo, ele substituiu o titular Everson, que teve fratura em um dos dedos da mão.
Mendes já tinha ido muito bem contra o Internacional, quando o Galo também venceu, mas passou a receber algumas críticas nos últimos três jogos — apesar de não ter falhado em nenhum dos gols sofridos.
Mas o goleiro atleticano fechou o gol da forma que deu contra o São Paulo, com três grandes defesas e deixou claro de que dá, sim, conta do recado na meta do Galo.
Mendes seguirá como titular do Atlético, que não tem intenção nenhuma de contratar um goleiro nesta janela, já que confia muito no cria e também espera um retorno de Everson em dois ou três meses.



