Brasileirão Série A

Pedro Martins abriu as portas do Cruzeiro em coletiva difícil de se ver no Brasil

Pedro Martins é diretor de futebol do Cruzeiro e falou sobre diversos temas em coletivas: de anúncio de Paulo Autuori a críticas à CBF

Pedro Martins, diretor de futebol do Cruzeiro, concedeu entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (4), na Toca da Raposa II, para falar do balanço do mercado de transferências do clube celeste. Além disso, anunciou a chegada de Paulo Autuori ao departamento de futebol estrelado, explicou a ideia da diretoria para o trabalho nas categorias de base e criticou a forma que a CBF definiu as regras de janela de transferências no Brasil.

A coletiva começou com um pronunciamento de Pedro Martins, onde ele citou a organização do Cruzeiro e o investimento da diretoria na infraestrutura do clube e na profissionalização dos departamentos celestes. Ele garantiu, ainda, que a Raposa seguiu o orçamento projetado na janela de transferências e agradeceu a todos os funcionários e atletas que passaram pelo time estrelado.

Logo em seguida, Martins anunciou uma mudança no organograma do clube. Paulo André deixa a função interina de diretor técnico do Cruzeiro e passa ocupar o setor de estratégias esportivas de Cruzeiro e Valladolid. Para o lugar do ex-zagueiro, entra Paulo Autuori, que tem longa carreira como treinador e dirigente. A ideia da troca é reduzir a carga de trabalho do primeiro citado e, segundo Pedro, “fazer crescer toda a metodologia de trabalho do clube, do sub-14 ao profissional” do clube.

O que Pedro Martins falou na coletiva?

  • Destacou as melhorias implementadas pela gestão no clube
  • Agradeceu a jogadores e funcionários que passaram pelo Cruzeiro
  • Anunciou a chegada de Paulo Autuori e o papel definitivo de Paulo André
  • Citou os objetivos do clube para 2023
  • Resumiu as tratativas com jogadores de mais alto calibre
  • Garantiu que o Cruzeiro paga em dia e que isso mudou o olhar do mercado sobre o clube
  • Falou sobre as situações de Bruno Rodrigues, Reynaldo e Nikão
  • Afirmou que o Cruzeiro tem condições financeiras de exercer opção de compra de jogadores emprestados
  • Criticou a configuração da janela de transferências e a regra dos sete jogos
  • Falou das mudanças implementadas na base do Cruzeiro e sobre o aproveitamento das revelações
  • Revelou a projeção do clube para os próximos anos e o impacto da Liga nas finanças celestes

O mercado de transferências do Cruzeiro

Pedro Martins contou que todo o movimento do Cruzeiro no mercado de transferências tem como norteadores ajustes pontuais necessários e o futuro do clube. Segundo ele, a minoria das contratações da Raposa podem ser consideradas “de curto prazo” e mesmo essas podem se tornar definitivas. Ele ainda atualizou os objetivos para a temporada 2023, revelando que o objetivo é retornar às competições internacionais.

— O que a gente construiu com o elenco e com todas as pessoas da organização é retomar a posição do Cruzeiro dentro do cenário internacional. Que competição será, não sabemos, mas o que a gente trabalha com o elenco é justamente isso. Esse é o nosso grande objetivo, nosso desafio e isso não mudou em nenhum momento — falou.

Questionado sobre como foram as tratativas para chegada de jogadores de um calibre mais alto, que mesmo a torcida não esperava, Pedro Martins afirmou que o ponto chave do Cruzeiro no mercado é o projeto, que ultrapassa, em algumas ocasiões, as dificuldades financeiras existentes.

— Muitos (jogadores) acabaram optando pelo Cruzeiro mesmo com propostas financeiras que eram maiores. É com esse tipo de jogador que a gente quer contar. O perfil de jogador que está vindo pelo trabalho, que está vindo por tudo que o Cruzeiro representa e não somente pelo dinheiro que está na mesa. A gente sempre vai procurar esse perfil, porque a gente acredita que esse perfil é o que vai se integrar e adequar a nossa cultura.

Quais foram as contratações do Cruzeiro na janela de transferências?

  • Helibelton Palacios – Colombiano – 30 anos – Lateral-direito
  • Paulo Vitor – Brasileiro – 24 anos – Ponta
  • Lucas Silva – Brasileiro – 30 anos – Volante
  • Arthur Gomes – Brasileiro – 25 anos – Ponta
  • Matheus Pereira – Brasileiro – 27 anos – Meia
  • Papagaio – Brasileiro – 24 anos – Atacante
  • João Marcelo – Brasileiro – 23 anos – Zagueiro
Matheus Pereira em sua estreia pelo Cruzeiro, contra o Athletico-PR
Matheus Pereira foi a grande contratação do Cruzeiro na temporada – Foto: Staff Images/Cruzeiro

Quem deixou o Cruzeiro nesta janela de transferências?

  • Igor Formiga – 24 anos – Lateral-direito
  • Reynaldo – 26 anos – Zagueiro
  • Pedro Castro – 30 anos – Volante
  • Neto Moura – 26 anos – Volante
  • Edu – 30 anos – Atacante
  • William Pottker – 29 anos – Atacante
  • Juan Christian – 22 anos – Atacante
  • Henrique Dourado – 33 anos – Atacante

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Fortalecimento  do Cruzeiro no mercado

Outro ponto comentado por Pedro Martins na coletiva foi a recuperação da credibilidade do Cruzeiro no mercado. O dirigente explicou como se deu este processo, relacionando-o à capacidade que o clube tem, hoje, de pagar em dia.

— A gente não vai entrar nessa loucura, olhar pro lado, ver que um clube está gastando demais, e fazer igual. A gente vai oferecer o que a gente pode. Se ele (jogador) embarcar no projeto com a gente, ele vai ter a garantia de que vai receber em dia e isso acaba se tornando um diferencial — argumentou.

Bruno Rodrigues vai sair do Cruzeiro?

Um dos principais jogadores do Cruzeiro, o atacante Bruno Rodrigues recebeu uma proposta do Al Taawon, da Arábia Saudita, e pode deixar o clube. Para realizar o desejo do atleta e da Raposa — a continuidade em Minas Gerais —, o Cruzeiro precisaria comprar mais um percentual do jogador, tornando seu empréstimo uma transferência definitiva.

Pedro Martins revelou que o Cruzeiro apresentou uma proposta ao atacante e ao Tombense, clube que detém a maior parte dos direitos do jogador. Agora, a permanência ou não depende de Bruno Rodrigues e do clube de Tombos.

— É uma proposta que a gente entende que é justa e que está dentro da nossa realidade financeira. Está sob análise, eles vão avaliar o melhor caminho, se querem permanecer no Cruzeiro ou se o atleta vai receber alguma proposta de fora e dentro disso a gente vai se organizar. O clube está bem confortável com o planejamento que fez. Acreditamos que o Bruno é um jogador importante, mas dentro de tudo que a gente vem estabelecendo e da lógica que criamos dentro do clube, não existe ninguém maior que a instituição. Queremos que ele fique, mas não vamos fazer loucuras — afirmou Pedro Martins.

Saída de Reynaldo para o Coritiba

O diretor de futebol do Cruzeiro também falou sobre a saída de Reynaldo, que acertou sua ida para o Coritiba, mesmo numa janela onde o clube celeste procurava zagueiros.  A Raposa terminou o período de transferências contratando João Marcelo, do Porto.

— O nosso objetivo é trabalhar com um elenco enxuto e isso a gente sempre deixou claro. A ideia não é ter muitos jogadores. É a gente focar na qualidade do elenco e na competitividade entre os membros dele. A partir do momento que a gente trouxe o João Marcelo, a gente fez uma conversa com o Reynaldo e com o staff dele, e existia a possibilidade do Coritiba. A gente chegou num acordo que a saída não geraria um impacto negativo pro Cruzeiro, porque hoje, além dos zagueiros que nós temos, nós temos jogadores da base, que podem fazer a função. Ficamos extremamente confortáveis em liberá-lo, também pensando que seria um movimento importante para a carreira dele — explicou Martins.

Nikão segue no Cruzeiro

Um jogador que esteve muito próximo de deixar o Cruzeiro foi o meia Nikão. Ele chegou a parar de ser relacionado para que não houvesse riscos de que completasse os sete jogos que o impediram de acertar com outro clube. Apesar disso, o camisa 10 celeste deu a volta por cima e seguirá na Raposa. Pedro Martins confidenciou que ele tem se destacado nos treinos.

— A gente fez uma conversa longa com o Pepa, o Nikão, também conversei com os agentes dele, e a gente optou por reintegrá-lo. Ele tem treinado muito bem, tem trabalhado muito. O Nikão conseguiu conquistar esse retorno porque tem sido um dos destaques positivos do nosso dia a dia. A ideia é mantê-lo no elenco, a não ser que apareça uma possibilidade fora que seja interessante tanto para o Cruzeiro, quanto para o Nikão — explicou Martins.

Investimentos futuros do Cruzeiro

Alguns dos jogadores que o Cruzeiro contratou por empréstimo na última janela chegaram com cláusulas de opção de compra futuras. Foi o caso do meia Matheus Pereira e do zagueiro João Marcelo. O primeiro pode ser comprado por 12 milhões de euros (R$ 64,4 milhões na cotação atual) e o segundo por 1,5 milhão de euros (R$ 8 milhões na cotação atual), até o fim dos contratos, que se encerram em junho de 2024.

Os valores, principalmente, o de Matheus, assustaram parte da torcida celeste, que se desacostumou com investimentos tão altos. Apesar do preço, Pedro Martins garantiu que se os jogadores com cláusulas de compra agradarem, o Cruzeiro conseguirá fechar com eles em definitivo.

— Toda negociação que a gente faz sempre procuramos, salve um ou outro caso, estabelecer uma opção de compra justamente porque você precisa prever o sucesso. Dentro disso, você procura criar, dentro dessa opção de compra, um fluxo de pagamento que possa ser confortável pro clube executar. Dentro disso, em todas as negociações, a gente procura colocar, para que, caso exista essa possibilidade, o clube consiga executar — garantiu Pedro Martins.

Críticas à configuração da janela de transferências

Um ponto definido por Pedro Martins como importante foi a forma com que foi definido o período de transferências no Brasil. Para o dirigente, é nocivo aos clubes brasileiros que a janela se feche enquanto o mercado internacional ainda está aberto. Segundo ele, isso faz com que os clubes possam perder jogadores para o exterior, sem terem a possibilidade de fazer reposições.

— O Cruzeiro está preparando uma série de ponderações e pontuações que a gente tem que fazer para a CBF sobre o funcionamento da janela de transferências. Na nossa visão não faz muito sentido ter uma janela de transferências que não está alinhada com a janela internacional. A brasileira se fecha e a internacional continua correndo. Não tem muita lógica para quando você quer montar um planejamento de janela e de elenco. Você fica aberto à possibilidade de saída de jogadores — analisou Martins.

O diretor de futebol celeste afirmou, ainda, que com uma janela de transferências de 30 dias, a regra dos sete jogos do Brasileirão — um jogador que atuou em sete partidas por um clube não pode jogar por outro do mesmo campeonato — deixa de fazer sentido.

— Uma vez que existe a janela de transferências, a gente entende que não faz muito sentido você ter a trava dos sete jogos pros atletas da Série A. A trava dos sete jogos existiu para que os jogadores não pudessem sair a qualquer momento. Uma vez que existe a janela, você acaba limitando a troca de jogadores entre equipes da Série A. Eu entendo que é um ponto que deve ser evoluído — completou.

Categorias de base do Cruzeiro

Com a iminente saída de algumas das revelações das categorias de base do Cruzeiro — como é o caso do zagueiro Weverton, do volante Ian Luccas e do atacante Arielson —, que deverão ser emprestados a times do exterior, alguns torcedores passaram a questionar como diretoria e comissão técnica enxergam os jovens do clube. Pedro falou sobre o assunto.

— Todos esses jogadores participam de treinamentos diariamente com a equipe profissional. Eles estão sendo vistos. Se eles estão prontos, é um outro debate. Existem duas formas de você fazer com que esses atletas continuem se desenvolvendo. Um é trabalhá-los na Toca II e dar oportunidades para que eles consigam melhorar. Outro é emprestá-los para que continuem se desenvolvendo. Porque o jogador também cresce sendo exposto, jogando e passando por algumas etapas até que ele esteja pronto para um nível de exigência de Série A. A gente está falando de Série A do Campeonato Brasileiro. Não dá para a gente simplesmente colocar por colocar, porque acaba prejudicando o desenvolvimento do jovem talento — explicou.

— Tudo isso está na mesa, a gente está fazendo, está em curso. E eu não tenho dúvida nenhuma que no médio prazo o Cruzeiro vai voltar a formar atletas, mas a gente precisa conter um pouco a ansiedade. Como todo projeto de base que existe, as coisas não acontecem do dia para a noite e a gente toma cuidado para conseguir fazer as coisas da melhor maneira — continuou Pedro Martins.

Como a SAF atua nas categorias de base do Cruzeiro?

Pedro ainda citou as mudanças que têm sido implementadas pela gestão da SAF nas categorias de base do Cruzeiro.

— Quando a gente chegou, as categorias de base estavam num cenário bastante complicado. Em termos de infraestrutura, a Toca I estava distante do que a gente vê em termos de melhores práticas nacionais. Tem clubes que estão muito na frente do Cruzeiro em termos de infraestrutura de trabalho. Condições oferecidas para desenvolvimento não só técnico, tático, mas humano também. A gente via necessidade de melhoria e a gente foca hoje em oferecer mais qualidade de serviço do que ter muito jogador, uma quantidade muito alta. A gente não sabe trabalhar desse jeito — explanou Martins.

— O Cruzeiro não tinha captação. Agora a gente tem um setor de captação extremamente qualificado. Agora, existe um processo de transição do jovem para o profissional que não é retilíneo. Ele não acontece do dia pra noite. O que a gente fez para que o Cruzeiro pudesse melhorar isso? A gente aproximou o sub-20 do profissional. A gestão do sub-20 e do profissional é a mesma. São os mesmos profissionais. Isso facilita demais a integração — completou o dirigente.

Planejamento e Liga

Pedro Martins explanou, também, sobre o planejamento estratégico do Cruzeiro para os próximos anos. Segundo ele, a direção celeste já pensou o clube até o ano de 2030.

— O clube tem um planejamento estratégico traçado até 2030 e o objetivo é que o clube tenha um crescimento constante até lá. E para que esse crescimento aconteça tem uma série de ações que o Cruzeiro tá tomando para que ele consiga aumentar a sua receita. São diversos passos, de reorganização de toda a sua área comercial, de investimentos em novos projetos — contou Martins.

O diretor de futebol da Raposa passou ainda por como o acerto com investidores da Liga Futebol Forte (LFF) incidirá nos próximos anos do clube.

— A Liga é um fator importante porque não deixa de ser um auxílio e contribuição importante para esse fonte de receitas, mas eu não tenho dúvidas que pela forma que a organização está crescendo e sendo conduzida, em 2030 o clube estará entre as principais equipes do Brasil — afirmou.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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