Brasileirão Série A

Palmeiras vive pior clima desde 2019, quando degola coletiva originou boa fase que foi para o espaço

Cenas vistas no Allianz Parque na derrota contra o Atlético-MG foram novidade na Era Abel Ferreira, que vê pior clima desde que chegou ao clube

O clima no Allianz Parque esteve ruim como há muito não se via. Na última vez que o estádio do Palmeiras experimentou uma atmosfera como a que se viu nesta quinta-feira (19), na derrota para o Atlético-MG, o diretor Alexandre Mattos e o técnico Mano Menezes perderam seus empregos.

Foi a degola que eventualmente originou a ótima fase vivida pelo clube desde 2020. Era 1º de dezembro de 2019, e a derrota por 3 a 0 para o Flamengo derrubou diretor e técnico do Verdão.

Abel Ferreira ainda não vive a falta de prestígio que Mano teve naquela oportunidade, a despeito das quatro derrotas seguidas que o clube agora ostenta e da eliminação traumática na Libertadores. Mas, no que dependesse da torcida, o destino de Anderson Barros seria o mesmo de seu antecessor. Dele e da sua chefe, a presidente Leila Pereira.

A dirigente foi xingada do começo ao fim da partida contra o Atlético-MG. E não apenas pela sua inimiga Mancha Verde. Nos minutos iniciais, de fato, apenas a uniformizada a xingava. Nos minutos finais, os gritos contra ela, com xingamentos de baixíssimo calão, foram feitos em uníssono e não se originaram no setor das torcidas organizadas.

Uma boa parte da Mancha, aliás, nem viu o primeiro gol do Atlético. Enquanto Hulk finalizava, uma camisa gigante do Palmeiras, com pinturas cobrindo os logos de Crefisa e FAM, as empresas de Leila que patrocinam o clube, era estendida na arquibancada.

Leila Pereira antes da bola rolar para Palmeiras 0 x 2 Atlético-MG, no Allianz Parque (Foto: Icon Sport)

Quando não estava xingando Leila, exceto pelas organizadas, a torcida no geral ficou em silêncio, atônita com o time inoperante e com baixíssimo astral. Que se refletia também no campo. Pela primeira vez na Era Abel, jogadores do Palmeiras discutiram em campo: Veiga e Rony se xingaram no primeiro tempo.

A execução em looping infinito e volume ensurdecedor do hino do clube, logo após o apito final não abafou a fúria dos cerca dos 27 mil torcedores que vieram ao Allianz passar frio. Foi o pior público do time no ano em seu estádio. Mas a julgar pelo clima sentido no estádio, essa marca logo deverá ser batida.

O Palmeiras não dá mostras de que haverá qualquer melhora no ambiente num futuro próximo. Afinal, o que já não era bom após a eliminação na Libertadores e a derrota contra o Santos, tornou-se quase insustentável após as declarações absurdas da presidente do clube em entrevista coletiva.

Tanto Leila quanto seu marido José Roberto Lamacchia parecem não entender com o que estão mexendo. Na quarta-feira (18), em claro tom de provocação, Lamacchia pousou com o ex-jogador Pedrinho, candidato à presidência do Vasco.

Ausência de Abel também é problema

Em um momento tão crítico como o vivido pelo Palmeiras, coube ao auxiliar Victor Castanheira, o terceiro na linha sucessória dos técnicos do Verdão, dar a entrevsita coletiva pós-jogo.

Isso porque, mais uma vez, o técnico Abel Ferreira está suspenso por reclamar da arbitragem. Assim como no domingo (22), quando o time vai ao Paraná enfrentar o Coritiba.

Abel pegou dois jogos de gancho por dizer à câmera da transmissão que o Palmeiras havia sido roubado. no jogo contra o Grêmio, em Porto Alegre, em 21 de setembro.

O destempero de Abel também é ingrediente importante nessa efervescência em que o clube alviverde, que defende o título brasileiro, está inserido no momento. Certamente, o time teria um comportamento menos instável se o seu comandante estivesse no banco de reservas.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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