Brasileirão Série A

Palmeiras não pode ser cobrado por título, enquanto jogar em Barueri, diz Abel

Técnico do Palmeiras, mais uma vez, atribuiu parte da derrota ao estádio alternativo do Verdão

Abel Ferreira até que estava tranquilo, considerando que o Palmeiras perdera para o Athletico-PR por 2 a 0, jogando muito mal. Talvez, porque estivesse com o discurso na ponta da língua:

— Se não jogamos no Allianz Parque, não me cobrem para ser campeão — disse o treinador, na sua entrevista coletiva, após a segunda derrota no Campeonato Brasileiro.

Mais uma vez, coube ao estádio alternativo do Palmeiras uma parcela da culpa pela derrota. Uma outra parte coube a um vilão também corriqueiro: o cansaço.

— Primeiro, falar de coisas concretas e sinceras. São fatos. Menos um dia de descanso que o adversário, minha equipe cansada. Basta ver as transições do adversário, tem a ver com nossos erros de passe — disse.

— O que está em falta é o discernimento. A lucidez mental para tomar boas decisões — afirmou ainda.

Mas, verdade seja dita, o treinador reconheceu que o Palmeiras foi mal. Abel afirmou que faltou criatividade e inspiração ao seu time. De qualquer maneira, parte dessa questão, o técnico explicou com o cansaço.

Do mesmo modo, parabenizou o Athletico-PR — com a ressalva de que o adversário jogou quase totalmente em transição. E de que o Palmeiras fez dois gols contra, na sua visão – a falta cobrado por Pablo desviou em Veiga antes de entrar.

— Na minha visão, tivemos a melhor chance do 1º tempo — afirmou.

Não vai mudar

O ponto é que a questão Arena Barueri não vai mudar. O Palmeiras, aliás, já tem nova visita ao seu estádio honorário agendada: no próximo dia 26, o Verdão recebe o Vasco na Grande São Paulo

— Não me peçam para ser campeão jogando fora de casa. Precisamos da energia da nossa casa. Vocês são inteligentes e conseguem ver quantas pessoas vem aqui ver o jogo. E fica a minha gratidão para as pessoas que se deslocam até aqui.

— 30% das nossas vitórias são por conta da nossa torcida. Precisamos dessa energia.

O que mais Abel falou

Sobre a saída de Endrick

— Perderemos um jogador com muita qualidade, irreverência e rendimento. Não foi por acaso que o Real Madrid veio buscar. Substituir? Não é substituir. O Palmeiras fica mais fraco com a saída dele. Vamos procurar dentro do grupo as soluções.

Sobre jogar fora do Allianz Parque

— Me deixa muito triste não poder jogar em casa, no chiqueiro. Não é justo com os jogadores, com o Palmeiras. O Allianz Parque é um estádio para jogar futebol.

— Não quero outra casa, o problema não é Barueri. Como é possível não jogarmos no Allianz Parque? E se não jogaremos no Allianz Parque, não me cobrem para ser campeão. Não me cobrem.

— A única opção que eu quero, ou gostaria, é jogar no Allianz Parque. O problema não é Barueri, não tenho nada contra. Nossa torcida nos dá 30% das vitórias em casa e aqui falta energia, não adianta. O problema não é Barueri, já jogamos no Morumbi. O problema é como o Palmeiras, que luta por títulos, tem um estádio para jogar futebol e é impedido de jogar. Eu não sou político, não é minha função.

Sobre Dudu

— Se tem um jogador que não tenho expectativa nenhuma é ele. Tem um jogador do Flamengo, começou a jogar agora, Bruno Henrique. Lesão parecida. Quanto tempo durou até durar a forma dele?

Sobre a paralisação do Brasileirão

— Se alguém precisar de ajuda, falem com a Conmebol. Pelo menos eles tomam decisões, não passam a responsabilidade. Só peço que pensem na melhor forma de ajudar aquelas pessoas. Se a melhor for parar, que se pare. Se for continuar, que continue.

Sobre o pênalti perdido por Raphael Veiga

— Sim, claro que abalou (a equipe). Não adianta esconder isso. Foi a melhor oportunidade do primeiro tempo. No momento em que poderíamos ter feito o gol, no momento seguinte sofremos.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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