Brasileirão Série A

No discurso, Abel usou ingrediente que não colocou no Palmeiras contra o Fortaleza

Técnico do Verdão avaliou o jogo com a lucidez que nem ele, nem o time, mostraram

Por mais que uma derrota por 3 a 0 seja desagradável, e que o Palmeiras tenha sido péssimo contra o Fortaleza, Abel Ferreira deu o tom certo ao resultado, na entrevista pós-jogo.

Pode parecer desdém, mas é apenas a tão conhecida sinceridade portuguesa: a derrota para o Fortaleza não é mesmo preocupante.

Abel reconheceu que o time misto que entrou em campo foi mal montado por ele. E sabe que não deve repeti-lo. De modo que o que se viu no Castelão foi o nascimento e morte de uma variação tática empiricamente reprovada.

— Seguimos. Acho que foi um acidente de percurso. Uma primeira parte na qual fomos melhores, primeira grande oportunidade é nossa. Lucero tentou três vezes, fez dois gols. Futebol é isso — disse ele em coletiva após o jogo.

— – Não vale a pena sofrer em cima dessa derrota, já não há nada a fazer. O Brasileiro é muito duro, é uma prova de regularidade quando vêm esses jogos. O adversário foi superior, mais aguerrido, os jogadores sozinhos a resolver o jogo, quase.

Não teria sido melhor poupar pendurados?

As falas de Abel fazem todo sentido. Que foi o que faltou para o time escalado, bem como para o plano de jogo.

Perder dois dos cinco pendurados para encarar o Corinthians — Rony e Moreno –, por exemplo, não fez sentido. Na rotação para gestão do desgaste físico, não havia como descansar ao menos um dos pendurados?

A dobra de laterais, tão detestada pela torcida, não só veio como chegou em dose dupla. Na direita, com Rocha e Mayke, até já se viu resultados. Mas na esquerda, com Caio Paulista sem demonstrar nada quando joga, desde sempre, a experiência foi um equívoco sem sentido.

— Eu entendi que o Caio podia nos dar outras funções interiores. Os jogadores não estavam todos ao mesmo nível de prontidão. Quatro jogos com dois dias de intervalo e vir aqui jogar em Fortaleza, optamos por jogar. O Vanderlan ataca mais o espaço, não é um jogador que joga entrelinhas e vocês viram o Caio jogar por dentro e não só por fora — disse.

Outra crítica direcionada a Abel nas redes sociais foi pela escalação de três volantes no meio. Mas, entre lesões, vendas, convocações e necessidade de preservação de Veiga, não havia muito o que fazer.

— A minha decisão foi essa. Foi meter o Menino na posição de 10, na do Veiga, e meter o Caio na posição do Menino, poder jogar aberto e fechado para a ultrapassagem do Piquerez — explicou.

O que mais Abel disse

Estêvão e Veiga

— Esses dois jogadores tiveram problemas físicos, espero que amanhã o Departamento Médico não me diga que há lesões. É só isso que eu quero. Os dois problemas estavam com problemas nos adutores. Vocês sabem que o Veiga bate bola parada, falei com ele, ele é sério, honesto e me disse que se jogasse o jogo todo seria difícil. Eu optei por colocar o Menino ali. Podia ter entrado com eles no início, mas minha função é mesmo essa: tomar decisões. E quando não ganhamos a responsabilidade é minha. Na primeira parte fomos o Palmeiras, criamos, tivemos posse, finalizamos, mas na segunda nada. Não saiu nada

Fortaleza

– Primeiro dizer que nosso adversário foi extremamente eficaz e mereceu ganhar. Segundo dizer que durante o jogo todo faltou lucidez e frescura física aos jogadores e ao treinador. É verdade que falaste do primeiro erro na saída de bola. Quem cometeu os primeiros erros neste jogo fui eu, portanto o máximo responsável da derrota sou eu.

Erros nos gols

– Acho que a forma como sofremos os gols, o primeiro e o terceiro, é demonstrativo do que estou a falar. O lateral passar no meio e fazer o gol não é normal na nossa equipe. Os primeiros erros foram do treinador e achei que a equipe sobretudo na segunda parte não me lembro de uma oportunidade. Não conseguimos produzir. É seguir em frente e recuperar os jogadores

– Basta olhar para ineficácia, ineficiência, a desinspiração da nossa equipe, essa não é nossa equipe. Muita falta de lucidez, frescura física. Não é normal lateral pegar a bola lá e entrar no meio da nossa equipe e fazer o gol. É aceitar como acidente e seguir em frente. O primeiro a errar fui eu

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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