Brasileirão Série A

Até a expulsão temerária de Raphael Veiga virou sintoma positivo no Palmeiras

Principal jogador na partida, camisa 23 recebeu aplausos da torcida e foi defendido por Abel Ferreira

A vitória sobre o Corinthians (2 a 0) na segunda-feira (1º) não foi o melhor jogo do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Mas foi conquistada da forma que o time precisava para dar resposta ao público e à crítica na atual altura do Campeonato Brasileiro.

A importância se justifica pelo resultado, sem dúvida, que mantém o time colado ao líder Flamengo (27 a 26). Mas, especialmente, tem peso pela forma como veio, depois da desastrosa derrota por 3 a 0 para o Fortaleza na última rodada. Para mostrar que, como disse Abel Ferreira, que aquilo na Arena Castelão foi mesmo um acidente de percurso.

O Palmeiras sabia que ganhar o Derby não era negociável. Sabia que com ou sem desfalques — e não foram poucos — bater o Corinthians era fundamental. E, de preferência, com garra, mostrando estar sentindo a importância não apenas do jogo, mas também do momento vivido pelo time na temporada.

 

Ligado e vivo

E o Palmeiras mostrou estar ligado. Disputou, provocou, gritou de volta. E não aceitou intimidação, como a que Rodrigo Garro tentou com Estêvão, após o atacante pedalar para cima de Hugo, pouco depois do segundo gol.

O atropelamento de Raphael Veiga no argentino, que lhe valeu um cartão vermelho, foi temerário?

Foi, sem dúvida.

Mas foi também um sintoma positivo de um time que mais uma vez demonstra seguir vivo como sempre. Sentindo e fazendo valer o “todos somos um” que sempre foi o segredo de Abel Ferreira.

 

A reação da torcida, que ovacionou o meia, bem como a fala de Abel, que chegou a defender seu camisa 23 na entrevista coletiva, dizendo que o juiz Anderson Daronco foi muito rígido, chancelam a atitude de Veiga.

Que depois de um momento de crise técnica e de confiança, vem dando mostras de que voltou a ser o jogador de que o Palmeiras precisa — autor do primeiro gol e de assistência para Vitor Reis fazer o segundo. 

Garotos sem medo

Sem Gómez e Ríos, na Copa América — já não faz sentido computar Endrick. Com Rony e Aníbal Moreno, suspensos. Sem Murilo e Lázaro, lesionados. E com Zé Rafael saindo antes do fim da primeira etapa, o Palmeiras mostrou a força do grupo. Principalmente de uma parcela especial, os garotos formados na base.

 

Endrick e Luis Guilherme já foram. Estêvão só vai ano que vem, mas está negociado com o Chelsea. Tudo bem. Porque além de Estêvão, Naves e Vitor Reis, em seu primeiro jogo como titular, estão aqui. Porque Jhon Jhon mostrou que ainda pode ser útil. Porque Garcia e Vanderlan entraram com segurança, como sempre.

Não há pessimismo que dure

O Palmeiras vive um momento em que até ganhar com dificuldade, time desfalcado e erros acaba servindo como mostra de qualidade e competência.

Em 15 dias, Felipe Ânderson, Maurício e Agustín Giay estarão liberados para jogar. Os convocados para seleções já terão voltado. E Dudu já estará em melhores condições física e técnica. Tudo isso, faltando um mês para o jogo de ida contra o Botafogo, pelas oitavas da Copa Libertadores.

Nem mesmo o inerente pessimismo do palmeirense há de negar que os presságios são muito bons.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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