Brasileirão Série A

‘Qual equipe fica assim por 90 minutos?’: Abel explica movimento do Palmeiras nas vitórias

Técnico Alviverde defendeu e exaltou sua equipe após goleada

Abel Ferreira adora ganhar. Todos que trabalham com ele sempre reforçam a característica mais marcante do temperamento do treinador. Mas, ao mesmo tempo, sempre que o Palmeiras ganha, o técnico vem para a entrevista coletiva nervoso. Normalmente mais irritado do que quando seu time é derrotado.

Depois da goleada sobre o Fortaleza, na esteira de uma vitória sobre o River Plate na ida das quartas de final da Copa Libertadores (2 a 1), o treinador estava ácido. E usou um expediente engraçado.

Quando falou do gramado do Allianz, da cultura brasileira que não tolera derrotas e do Brasil como um todo, o técnico usou o termo “especial”:

— Esse campo é especial — disse o técnico, explicando porque fez um treino tático antes do início da partida da noite de sábado (20).

— Os jogadores têm de se aclimatar — afirmou.

Por que o Palmeiras recuou?

Abel Ferreira abriu a coletiva sendo indagado sobre porque o Palmeiras recuara após fazer o primeiro gol. Sem rodeios, disparou:

— Às vezes, parece que jogamos sozinhos, que o adversário não conta. Entendo que vivemos em um país em que a cultura de vencer é o que vale. Eu gosto, de fato o Brasil, São Paulo e o Palmeiras eu considero a minha casa, mas a verdade é que esta cultura de ter que ganhar sempre e a todo custo ela não é verdadeira, nem aqui, nem em lado nenhum.

Ainda na linha de explicar que o time não deixava de apertar a saída adversária por escolha, mas por contingência, ele responderia no final, indagado pela Trivela:

— Qual equipe fica assim por 90 minutos? Basta ver o futebol de forma geral, impossível acontecer. Depois quando a equipe sofre um ou dois, vai reagir. Uma equipe só domina a outra completamente quando é muito mais fraca. A cultura daqui, acharmos que somos melhores do que todos, porque somos penta, esqueça isso. Há equipes com menos recursos, mas com facas nos dentes. Vamos jogar contra o River, quantas vezes o Palmeiras ganhou lá na história no River? Nenhuma. Não há problema nenhum. Não jogamos sozinhos. O adversário tem mérito, não jogamos sozinho.

Andreas comemora seu segundo gol pelo Palmeiras no Allianz Parque
Andreas comemora seu segundo gol pelo Palmeiras no Allianz Parque (Foto Gazeta Press)

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

O que mais Abel falou

Força do elenco

— Sempre bom ter todos disponíveis, dois por posição bem competitivos. Seguimos com uma equipe muito jovem, talvez sejamos a mais jovem, se tirar o goleiro, nesta fase da Libertadores. Uma equipe jovem, com opções. Vivemos em um país muito especial, e por ser especial às vezes não damos tempo ao que é a troca. Uma coisa é a dinâmica, mentalidade, em um clube como Palmeiras, é chegar e vencer, não é assim. Leva tempo, o clube às vezes tem que cultivar o atleta, o Palmeiras é super vencedor e sua história fala destas conquistas, este período de adaptação, de reforma. É sempre bom ter todos disponíveis. 

Ponto de virada

— Trabalho. Trabalho. Não há segredos. As pessoas que acham que é para ser bom no que faz é preciso um segredo. Não há nenhum. Precisa ter vontade todos os dias, ser consistente e trabalhar. O futebol em uma época inteira não há… já conheço a casa, como funciona, uma época vai ter altos e baixos. No mesmo modo que nos ‘carnificinam’, nos idolatram. E não gosto disso. Somos todos normais para trabalhar neste nível, umas vezes corre bem, outras corre mal. A única garantia que dou é ser sério no trabalho, profissional, dar o melhor e estar preparado para o jogo seguinte. 

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo