Brasileirão Série A

De igual pra igual? O que impediu o Cruzeiro de pontuar contra o Flamengo?

O Cruzeiro voltou a tropeçar fora de casa ao ser batido pelo Flamengo por 2 a 1, no Maracanã

O Cruzeiro faz campanhas diferentes em casa e fora no Campeonato Brasileiro. Enquanto tem 100% de aproveitamento no Mineirão, a Raposa ganhou apenas um de seus jogos longe de seus domínios na competição. E nesse domingo (30), contra o Flamengo, mais um resultado ruim.

Apesar de fazer uma boa partida, o Cruzeiro não conseguiu superar o Flamengo e acabou perdendo por 2 a 1. Pedro e Fabrício Bruno fizeram os gols rubro-negros, enquanto Matheus Pereira marcou para o time celeste.

Após o jogo, a sensação foi que mesmo com um elenco inferior, ainda que os dois times tivessem desfalques importantes, o Cruzeiro fez uma partida de igual para igual com o líder do Brasileirão.

Essa percepção é curiosa levando-se em conta que torcedores adversários costumam tirar sarro do Flamengo utilizando a expressão “jogou de igual para igual”, pelos comentários da imprensa após o final do Mundial de Clubes Fifa de 2019, quando o rubro-negro fez jogo duro contra o Liverpool, da Inglaterra, mas saiu derrotado.

Só que para além das provocações clássicas do futebol, esse “jogar de igual para igual” precisa ser considerado nas análises de desempenho.

Fernando Seabra, treinador do Cruzeiro, sentado no banco de reservas com semblante fechado durante partida contra o Flamengo, no Brasileirão
Fernando Seabra tem encontrado problemas para escalar o Cruzeiro; janela de julho é aguardada com ansiedade – Foto: Icon Sport

Ainda que sem jogadores importantes, o Flamengo, que jogava em casa, tinha nomes como Fabrício Bruno, David Luiz, Ayrton Lucas, Gérson, Bruno Henrique, Pedro, entre outros. E no banco, Tite.

O Cruzeiro de Fernando Seabra, por sua vez, entrou em campo com nove remanescentes do time que lutou para não cair em 2023. Somente Lucas Romero e Gabriel Veron chegaram ao clube em 2024.

Por isso, pensando na continuidade da temporada, a boa atuação no Maracanã é um alento. Mas se o Cruzeiro foi tão bem assim, o que impediu o time celeste de levar pelo menos um pontinho para casa? A Trivela responde.

Elenco curto e desfalques

O Cruzeiro tem um elenco modesto em comparação a boa parte dos clubes do futebol brasileiro e isso é evidente. A contratação de sete reforços antes mesmo da janela de transferências abrir mostra o pensamento da diretoria celeste em relação às necessidades do grupo celeste.

Contra o Flamengo, Zé Ivaldo não jogou e o contestadíssimo Neris foi a opção escolhida. As outras opções eram o baixo Villalba e Pedrão, ainda sem jogos como profissional.

No meio, Ramiro e Lucas Silva fizeram um trio com Lucas Romero. A dupla é bastante criticada, mas somente Filipe Machado, que esteve próximo de deixar o clube, e Japa, ainda se recondicionando após lesões, estavam no banco.

O único centroavante disponível era Arthur Viana, jovem da base com pouquíssimos minutos como profissional.

Em diversos momentos, o Cruzeiro conseguiu encaixar jogadas pelos lados, mas na hora de cruzar, eram Matheus Pereira e Ramiro quem se apresentavam entre os grandes zagueiros rubro-negros. Assim, o time celeste incomodou menos que poderia.

Time de baixa estatura

O Cruzeiro empatava com o Flamengo em 1 a 1, no segundo tempo, quando sofreu a virada. No momento do gol de Fabrício Bruno, a Raposa jogava melhor e um pontinho no Maracanã já parecia realidade.

Mas uma falta lateral fez com que as esperanças cruzeirenses ruíssem. Luiz Araújo levantou para Fabrício Bruno e o zagueiro, ex-Cruzeiro, bateu a marcação do baixinho Gabriel Veron e estufou as redes de Anderson.

Logo que o Flamengo marcou, diversos questionamentos apareceram pelo fato de Veron estar marcando um zagueiro, mas quando se olha para quem estava em campo, é possível perceber que não tinha muito a se fazer.

O Cruzeiro tinha apenas três jogadores de mais de 1,80 m na hora do gol: os zagueiros João Marcelo e Neris, este segundo lesionado, e o volante Lucas Silva.

O Flamengo, por sua vez, tinha Fabrício Bruno, David Luiz, Léo Ortiz, Gerson, Bruno Henrique e Pedro. Alguém iria sobrar com marcadores baixos. E foi o que aconteceu.

Com a contratação de Walace e o futuro retorno de Juan Dinenno, o Cruzeiro terá um time mais alto, algo que pode ser importante em outros momentos da temporada.

Jogadores desgastados

O elenco curto e limitado atrapalha o Cruzeiro também porque alguns de seus jogadores têm sentido o ritmo de jogo.

Lucas Romero foi substituído e poupado nas últimas semanas por estar jogando no limite de uma lesão.

João Marcelo tem atuado com uma tendinite. Neris, sem ritmo, sentiu cãibras e precisou deixar o campo.

Barreal voltou a ficar de fora e Japa ainda não está recuperado.

William jogou todos os jogos do Cruzeiro no ano e Matheus Pereira ficou de fora de apenas dois.

Poucas opções no banco para mudar o jogo

Por fim, o Cruzeiro sofreu com um banco desfalcado, formado por jogadores questionados ou muito jovens, poucos com características para mudar o jogo e ajudar o time a buscar um resultado contra um forte Flamengo.

O banco de reservas do time celeste contou com o goleiro Léo Aragão, os laterais-direitos Wesley Gasolina e Palacios, o lateral-esquerdo Marlon, os zagueiros Villalba e Pedrão, os volantes Filipe Machado e Japa, os meias Mateus Vital e Vitinho, o ponta Robert e o atacante Arthur Viana.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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