Como Mano Menezes virou ‘especialista’ em reformulações no Corinthians
Nas duas primeiras passagens de Mano Menezes pelo Corinthians, treinador precisou recolocar a equipe no caminho das vitórias

Depois de um ano conturbado, crises e diversas trocas de treinadores, o Corinthians tem como foco claro os últimos 12 jogos do Campeonato Brasileiro. Mas ainda que pressionado a reagir no torneio, para de distanciar de vez da possibilidade de um novo rebaixamento, o time já se vê obrigado a pensar na próxima temporada, principalmente no que diz respeito a uma mudança no plantel.
Ao todo nove jogadores já estão em fim de contrato: Bruno Méndez, Gil, Fábio Santos, Cantillo, Maycon, Giuliano, Paulinho, Renato Augusto e Ruan Oliveira, e apesar de quatro fazerem parte do elenco titular, a diretoria corintiana ainda não sinalizou sobre a possibilidade de renovação de vínculo com esses atletas.
Pensando no atual momento do Corinthians, e na eminente e atrasada necessidade de reformulação, o presidente Duílio Monteiro Alves, que deixa o cargo daqui a um mês, fez um contrato longo com Mano Menezes, até 2025. Esse é um caminho já conhecido pelo treinador, principalmente à frente da equipe alvinegra, afinal, nas duas passagens anteriores, o mesmo trabalho precisou ser feito.
A primeira reformulação no pior momento vivido pelo clube: a Série B
A primeira passagem de Mano Menezes no Timão começou no fim 2007, depois da queda para a Série B do Campeonato Brasileiro, um momento que todo torcedor corintiano faz questão de esquecer. No Corinthians daquele ano, quatro treinadores comandaram o time: Emerson Leão, Zé Augusto, Carpegiani e Nelsinho Baptista.
Mano chegou para comandar o time até a volta para a elite do Brasileirão. Com pouco dinheiro e um escasso e remanescente elenco de apenas 11 jogadores, o treinador começou praticamente do zero e ajudou a diretoria da época a encontrar no mercado atletas para compor o time, entre eles, alguns que se tornaram ídolos da torcida, como Chicão, Wiilliam, André Santos, Elias, Douglas, e Alessandro, agora diretor de futebol do clube.
Com a reformulação e a chegada de 28 novos jogadores, o Corinthians conseguiu voltar a Série A. A campanha do Alvinegro é até hoje a melhor do campeonato. Campeão com antecedência, o Timão fechou a temporada com 85 pontos, 25 vitórias, 10 empates e três derrotas.
Em 2014, a remontada após a estagnação pós-títulos
A segunda passagem de Mano também foi ao fim de uma temporada complicada no Corinthians. Contratado no final de 2013 para comandar um time experiente, mas estagnado depois das maiores conquistas vividas pelo clube: a Libertadores e o Mundial de 2012, ele terminou o Brasileirão no meio da tabela, em 10º lugar, com 50 pontos,
Na Libertadores, o Timão, recém-campeão, chegou até as oitavas de final, mas não passou para fase seguinte depois da partida contra o Boca Juniors, no Pacaembu – sim, a fatídica noite que gera reclamações da torcida corintiana até hoje, 10 anos depois.
Desta vez, a tática foi diferente. Mano buscou na base algumas reposições necessárias, como Malcom e Guilherme Arana, e o Corinthains precisou trazer apenas 11 jogadores, que também renderam bem dentro do time. Jadson, Elias, Bruno Henrique, além de Fagner e Romero, que ainda hoje fazem parte do elenco alvinegro.
Mano só ficou no comando durante a temporada de 2014. Com o fim do ano e a eleição do novo presidente Roberto de Andrade, o treinador foi demitido e a diretoria trouxe de volta Tite, que conquistou o campeonato do ano seguinte com boa parte de um elenco formado pelo agora atual treinador.
Vontade de colher os frutos da reformulação
Em setembro, durante a entrevista de apresentação, Mano Menezes foi perguntado sobre os motivos para ter assinado um contrato tão longo. Sem pestanejar, ele afirmou que reformulou vários elencos, mas não conseguiu colher frutos desses trabalhos.
– Quando eu voltei, na segunda vez, fizemos um ano de trabalho e quando estávamos alinhavando algumas coisas eu prometi entregar uma nova equipe montada até o fim do ano, e conseguimos. Quando o time estava ficando pronto, veio a eleição e a opção justa, correta, de escolher com quem vai trabalhar. Mas para quem monta o elenco é ruim, porque sai na hora de usufruir.



