Brasileirão Série A

Mister anti-rebaixamento: Jair Ventura transforma Vitória e salva mais um time da queda

Técnico por vezes subestimado no futebol brasileiro acumula trabalhos de recuperação no maior campeonato do país

A permanência do Vitória na Série A do Brasileirão tem nome e sobrenome: Jair Ventura, o técnico que assumiu o time no fim de setembro e o transformou. A luta foi até a rodada final e, graças a combinação de resultados, o Leão evitou a queda à segunda divisão ao bater o São Paulo, 1 a 0, neste domingo (7).

Quando o técnico de 46 anos assumiu a equipe baiana, eles estavam dentro da zona de rebaixamento, no 17º lugar, com apenas 22 pontos, campanha até então construída por Fábio Carille e Thiago Carpini. A partir daí, venceram sete partidas em 14 disputadas e, mesmo voltando ao Z4 na penúltima rodada pela dura derrota por goleada para o Bragantino, o Rubro-Negro escapou.

Por vezes tratado como treinador limitado e de forma pejorativa, Jair prova mais uma vez suas valências e acumula o quarto trabalho de salvação de um time, evitando à Série B.

— Tenho totais condições [de salvar o clube do rebaixamento], senão eu não viria. Eu acredito, por isso estou aqui. Mas não sou salvador da pátria. Os protagonistas são os atletas. Somos uma pequena peça dentro dessa máquina chamada Vitória — disse Jair Ventura em sua apresentação.

Jair Ventura montou ‘retranca’ e mudou Vitória

Jair Ventura em jogo do Vitória
Jair Ventura em jogo do Vitória (Foto: Imago)

No momento que o novo comandante chegou, o Leão tinha uma peneira na defesa, tendo sofrido 32 gols em 22 partidas, com direito a 8 a 0 sofrido para o Flamengo. A primeira medida mais clara de Jair foi na formação: optou por um 5-4-1, que vira 3-4-3 no momento ofensivo, com boa recomposição, competitivo e veloz para contra-atacar.

A formação ganhou consistência pela presença dos dois volantes à frente do trio de zagueiros, normalmente Baralhas (autor do gol salvador deste domingo) e Willian Oliveira. Com isso, ainda potencializou Lucas Halter e, principalmente, Ramon, importante arma na ala esquerda. Raúl Caceres, Edu e Catalapientra foram outros destaques.

Dentro desse novo aspecto competitivo, há também uma outra área que Jair Ventura melhorou: as bolas paradas. Contando pênaltis, foram oito gols vindo dessa forma, decisivos nos resultados positivos sobre Bahia, Ceará, Santos e Internacional. Os três últimos concorrentes diretos contra o Z4, sendo a partida contra o Peixe a virada de chave necessária para confiar na permanência.

No período, a equipe ainda conseguiu frear o vice-líder Palmeiras e na época ainda vivo na luta pelo título, segurando um 0 a 0 Allianz Parque, e bateu a sensação do campeonato, o Mirassol, no Barradão, local que virou sua fortaleza nessa reta final.

O 4 a 0 para o Bragantino na 37ª partida assustou. A equipe voltou ao Z4 e passou mais de 60 minutos neste domingo rebaixado. Eis que Baralhas, com passe de Fabrício Santos, fez o gol salvador.

— Missão dada é missão cumprida. Fizemos 14 jogos, o último deles [contra o Bragantino] foi muito abaixo. Mas foram 13 boas partidas. Quando a gente perdeu o último, muita gente achou que era terra arrasada. Mas o Vitória é para quem acredita — celebrou após a vitória sobre o São Paulo.

Vitória sob comando de Jair Ventura:

  • 14 jogos, 7 vitórias, 2 empates e 5 derrotas
  • 16 gols marcados e 17 sofridos

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Técnico reforça aura contra rebaixamentos no Brasileirão

O Vitória é o quarto trabalho com a assinatura do técnico para continuar na elite do futebol brasileiro. Antes, entre 2020 e 2022, foram três clubes consecutivos que o técnico conseguiu tirar da degola e manter na Série A.

O primeiro, o Sport, em 2020, vice-lanterna quando ele assumiu e 15º lugar ao fim do Campeonato. No ano seguinte, uma remontada emocionante com o Juventude, parecida a do Vitória, em 17º no momento que Jair assume e só salvo na última rodada com uma combinação de resultados. Ainda teve o Goiás, em 2022, garantido com antecedência no Brasileirão, como foi em seu trabalho em Recife.

Ventura se consolida como o “mister anti-rebaixamento” e merece maior reconhecimento por seus trabalhos no futebol brasileiro. Ele que fazia parte dos jovens técnicos que brilharam em 2017 nunca cumpriu as grandes expectativas que reservaram sobre si, mas não é por isso que deve ser desvalorizado. Para celebrar o trabalho desta temporada, fez sua característica dancinha.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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