Brasileirão Série A

Inter: estreia mostra que Coudet terá muito trabalho até a Libertadores

Colorado visita o River Plate no Monumental de Nuñez daqui a nove dias

Em sua primeira passagem pelo Inter, Eduardo Coudet repetia uma frase quase como mantra nas entrevistas coletivas: “Às vezes jogamos o que queremos, às vezes, o que podemos”. Neste domingo (23), o argentino fez sua reestreia pelo clube. A equipe jogou apenas “o que pôde” no empate em 0 a 0 com o Red Bull Bragantino, no Nabi Abi Chedid, pelo Brasileirão. E mostrou que ainda será preciso percorrer um longo caminho até conseguir atuar do jeito que o treinador tanto quer.

O que, convenhamos, é natural. Coudet chegou a Porto Alegre na quinta-feira e mal teve tempo de treino com o elenco. O problema é que o River Plate já bate à porta. O primeiro jogo decisivo das oitavas de final da Libertadores está marcado para 1º de agosto, no Monumental de Nuñez. Daqui a exatos nove dias.

Neste intervalo, o argentino tem a missão de fazer a equipe jogar o mais perto possível do que ele quer. O ensaio geral para a decisão será contra o Cuiabá no próximo sábado (29), no Beira-Rio, pelo Brasileirão, no meio do caminho.

– Em dois dias, trocar o jeito é muito difícil. Não é melhor, nem pior. É diferente. Estou muito agradecido com os jogadores com a vontade nos treinos que tenho dado. Vai melhorando a ideia. Não falo que vai melhorar o time comparando com o que acontecia. Vai melhorando a ideia. Precisando trabalhar, vamos ter uma semana onde temos mais tempo. E vamos tentar seguir evoluindo – disse o treinador na entrevista coletiva após a estreia.

Coudet sabe o que precisa melhorar

Em apenas alguns dias de Inter e com só dois treinos comandados, Coudet já começou a mudar as coisas pelas bandas do Beira-Rio. O técnico escolheu Sergio Rochet para ser seu goleiro titular para ter um atleta da posição com um bom jogo com os pés. Algo que foi rotina contra o Bragantino, aliás.

O treinador também mudou o esquema. Usou o 4-1-3-2 que é marca registrada de seu trabalho. Assim, Alan Patrick atuou mais adiantado, ao lado de Enner Valencia no ataque. No início do jogo em Bragança Paulista, o Inter foi intenso e marcou o adversário no campo de ataque, ao melhor estilo Coudet. Mas a equipe também ficou exposta no sistema defensivo.

– A ideia é ir trabalhando e dar ferramentas para o que queremos jogar. A troca de ideias é o mais difícil. Meus times são físicos. Acho que o time deu boa resposta, mas podemos melhorar. Não é só correr. Ter perna e ter pulmões ajuda a ter uma continuidade – ressalta o técnico.

Seca do ataque

Como o tempo é curto, Coudet já identificou quais serão seus focos de correções ao longo da próxima semana. O treinador terá de escolher que “batalhas” irá disputar até o primeiro jogo contra o River Plate. A principal luta será melhorar o desempenho e o aproveitamento do ataque.

O Inter não marcou gols em sete dos 16 jogos do Brasileirão até aqui e vive hoje um jejum de quatro partidas e exatos 463 minutos sem balançar as redes. Uma estatística tão marcante, que causou espanto ao treinador durante a entrevista coletiva deste domingo.

O técnico sabe que precisa fazer o ataque voltar a fazer gols, mas saiu em defesa da produção ofensiva do Inter contra o Bragantino. A equipe teve um total de 11 finalizações na partida, contra 20 do Massa Bruta.

– Com respeito ao gol, se é algo que vinha acontecendo, de não ter tantas situações para os atacantes, no caso o Enner. A bola não quis entrar. Acho que os números físicos foram bons, alta intensidade vamos continuar melhorando. O tempo de trabalho, não temos. Porque no futebol, você sabe. No sábado, tem que ganhar. Mas vamos ter uns dias a mais de trabalho – disse o treinador.

Mais posse de bola e número mínimo de passes

Coudet elogiou os níveis físicos e a produção ofensiva da equipe. Mas ele elencou ao menos dois quesitos em que o Inter deixou a desejar em sua reestreia pelo clube: a posse de bola e o número de passes trocados.

Contra o Bragantino, o Inter teve apenas 45% de posse de bola. Para o argentino, é inadmissível que sua equipe fique menos com a bola do que o adversário. O treinador também estipulou uma meta de passes para cada partida.

O Colorado trocou 356 passes ao longo dos 90 minutos em Bragança Paulista. De acordo com Coudet, a equipe precisa ter no mínimo 500 passes a cada partida. Trata-se de uma mudança também de filosofia. Mano Menezes adotava um estilo de jogo mais direto, com bolas longas. O argentino prioriza a valorização da posse de bola, com construções mais curtas e com aproximação entre os jogadores.

– Fizemos 350 passes. E meu time não pode fazer menos de 500. Não é fazer passes por fazer, é para ganhar e ocupar o campo. O que temos que melhorar é que podemos ter mais paciência com a bola. Já criamos bastante, mas podemos criar mais – ressalta o técnico.

Após o empate com o Bragantino, o Inter soma 23 pontos e ocupa a 10ª colocação no Brasileirão. Eduardo Coudet terá a semana livre para treinos até o jogo contra o Cuiabá no próximo sábado (29), no Beira-Rio, pela 17ª rodada da competição. Depois, serão mais dois dias de preparação para o duelo de ida com o River Plate pelas oitavas de final da Libertadores.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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