Renato é simplista demais ao explicar derrota do Grêmio para o Bragantino: ‘A fila anda’
Técnico Renato Portaluppi apontou a falta de competitividade do Grêmio como praticamente o único motivo para derrota para o Bragantino

Como costuma acontecer em derrotas do Grêmio, Renato Portaluppi simplificou demais as explicações para mais um insucesso fora de casa no Campeonato Brasileiro. Para o treinador, a falta de competitividade foi a principal e praticamente única razão para a derrota por 2 a 0 para o Bragantino, na noite de quinta-feira (14), no Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista.
Em todas respostas da entrevista coletiva após o jogo, Renato citou a palavra competir e suas variações. Por mais que isso ajude a explicar o resultado da partida, outros aspectos também influenciaram. E o treinador foi incapaz de elencá-los. Ou não quis. Utilizou chavões seus, como “a fila anda” e “tem noite que é dia”. Pelo menos, reconheceu a superioridade do adversário.
Faltou competir, faltou competir, faltou competir
— O time do Bragantino foi superior ao nosso o tempo todo. Eles competiram. Foi avisado na preleção que era um time muito competitivo. Eles têm apenas uma derrota em casa. Nós entramos achando que iríamos ganhar o jogo na hora que quiséssemos. E não é assim. Independente da qualidade, ela aparece. Mas tem que competir. O Bragantino mereceu vencer, teve méritos, competiram. Coisa que meu time não fez, infelizmente. Hoje nós fomos muito mal. Peço até desculpas para nosso torcedor — lamentou Renato.
Por estar descontente com essa falta de competitividade dentro de campo, o treinador promoveu três trocas no intervalo. Saíram Rodrigo Ely, Carballo e João Pedro Galvão para as entradas Bruno Alves, Everton Galdino e André Henrique. Mas Renato revelou que cogitou mexer até antes. E alertou os atletas para o jogo de segunda-feira (18), contra o Corinthians.
— Hoje iam ter duas trocas com 15 minutos de jogo. Aí eu troco com 15 minutos, parece que estou jogando o jogador contra a torcida. Eu me segurei, contei até dez. Mas o recado foi dado. A próxima vez, com 10, 15, 20 minutos vai sair. Não competiu, vai sair. Esperei até o vestiário. Fui bonzinho. Eu quero ganhar, quero brigar pelo título, se não der, quero a Libertadores direto. 99% pensa assim, então esse 1% não pode pensar diferente. Ou entra e compete, valoriza o clube que está, a camisa que usa, ou a fila vai andar. Nós temos umas 15 rodadas. Deixei bem claro: não quero saber de idade, de salário, de nome. Quero saber quem vai me ajudar. E a partir de segunda-feira vocês vão ver. Correu, continua. Parou de competir, vai sair.
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Desculpas, sem querer se desculpar
Embora tenha ressaltado que não são desculpas, o treinador também citou duas dificuldades enfrentadas na preparação para o jogo em Bragança Paulista. Primeiro, o fato de Villasanti e Carballo chegarem desgastados e não terem conseguido treinar com a equipe por estarem servindo suas seleções nas Eliminatórias da Copa. Depois, a impossibilidade de trabalhar no gramado do CT Luiz Carvalho na véspera da partida, devido às chuvas que não param de cair no Rio Grande do Sul.
Entretanto, questionado sobre a diferença de desempenho dentro e fora de casa, ou a ineficiência do esquema tático com três volantes, Renato voltou a bater na tecla de falta de competitividade. Com isso, fica a dúvida se o treinador compreendeu taticamente a partida. Por exemplo, a superioridade númerica que Juninho Capixaba oferecia para o Bragantino ao sair da esquerda para o centro. Ou a falta de suporte a Reinaldo na marcação de Helinho pelo lado direito. Aspectos que também influenciaram no resultado do jogo, e passaram longe de serem explicados.



