Brasileirão Série A

Demissão de Mano é inquestionável, só vem com atraso por parte do Fluminense

Gaúcho foi o primeiro técnico demitido da edição de 2025 do Campeonato Brasileiro

É difícil ter certeza porque não existe uma compilação de dados sobre o assunto, mas a dança das cadeiras provavelmente começou mais rápido na edição do Brasileirão de 2025 do que nas outras edições do torneio neste século.

A bola rolou às 18h30 (horário de Brasília) deste sábado (29) e pouco mais de seis horas depois, às 0h32 do domingo (30), o Fluminense anunciou a demissão de Mano Menezes.

A decisão é inquestionável. Por mais que Mano tenha ajudado a salvar o Fluminense do rebaixamento no Brasileirão de 2024, o resultado não foi fruto do que foi visto em campo. 

O Fluminense do último jogo de Mano Menezes não é melhor do que o da primeira partida do técnico gaúcho no comando. 

Só não dá para falar que é pior porque são os mesmos erros vistos no fim da Era Diniz II e do início de Mano: o time pouco cria, sofre para ganhar o meio-campo e toda bola parada parece que a tática é Deus nos acuda. 

Na derrota para o Fortaleza, que vem de um início de temporada extremamente ruim – perdeu o estadual para o Ceará e teve uma campanha lamentável na Copa do Nordeste –, esses mesmos problemas apareceram.

O meio-campo estava tão perdido que Mano resolveu tirar Kevin Serna aos 14 minutos. O técnico chegou a pedir desculpas para o colombiano, que foi visto chorando.

A bola parada defensiva sofreu novamente. Foi assim que Tinga marcou o segundo gol do Laion, completamente desmarcado em uma cobrança de escanteio. E com um cabeceio que não deu chances a Fábio.

O Fluminense até teve mais chutes que o Fortaleza, mas pouco ofereceu perigo ao gol defendido por João Ricardo. Foi apenas um chute à meta de 15 tentados durante o confronto, somando modesto 0,82 xG (gols esperados).

Além disso, o elenco já não gostava do trabalho de Mano pela falta de ofensividade e algumas questões de gerenciamento de grupo, de acordo com o “ge”.

Segundo o repórter André Pessoa, do “Premiere”, o desentendimento entre Mano e Thiago Silva visto no início do segundo tempo da partida era só uma continuação do que aconteceu no vestiário.

E se a situação já não era das melhores, a substituição de Serna deixou tudo ainda pior. 

Kevin Serna antes do confronto entre Fluminense e Fortaleza (Foto: Imago)
Kevin Serna antes do confronto entre Fluminense e Fortaleza (Foto: Imago)

Então, sim, a decisão de demitir Mano Menezes foi acertada por parte de Mário Bittencourt e companhia. Mas o maior problema é que isso deveria ter acontecido antes, e não só depois da derrota para o Fortaleza.

O Brasileirão começou depois de uma parada da maioria do futebol local para uma Data Fifa. Após perder o título carioca para o Flamengo, o Fluminense teve 17 dias para se preparar. 

Será que não era melhor já ter um novo técnico no comando aproveitando esse período? Ou o que o Bittencourt e companhia viram neste período que os fizeram acreditar que Mano poderia entregar algo diferente do que vinha mostrando?

Se a justificativa for o possível substituto, o único nome que mudou de status desde então foi Dorival Júnior, demitido da Seleção na última sexta-feira (28). Então, a não ser que o Flu tenha ido atrás e recebido uma resposta positiva, não dá para dizer que esse ponto ajudaria a explicar a demissão.

Foto de Matheus Rocha

Matheus RochaSubcoordenador de conteúdo

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.

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