Tensão paira no Flamengo antes de votação que muda rumo político do clube
Flamengo vive dia muito importante com votação de emendas no Conselho Deliberativo, às 19h, na Gávea
Depois de viver uma noite bastante complicada em Cariacica, na derrota para o Athletico Paranaense, por 3 a 0, o Flamengo terá mais um longo dia nesta quinta-feira (14). O Conselho Deliberativo se reunirá na Gávea para votar emendas que mudariam o jogo eleitoral do clube, e o clima é bem tenso. A mobilização nos bastidores é grande para uma das reuniões mais importantes dos últimos anos.
Uma das emendas em questão estenderia o mandato do presidente para quatro anos, sem direito a reeleição, enquanto a outra impede que mandatários, ou vices, sejam eleitos caso estejam envolvidos em outros cargos políticos. Essa última, inclusive, impediria que o Eduardo Bandeira de Mello pudesse reconstruir uma chapa para voltar ao poder no Flamengo. A Trivela explica o que esperar das votações.
Tensão paira no ar da Gávea
Pela importância da votação, o clima no Conselho Deliberativo é de tensão e ansiedade. Os temas dividem os grupos políticos do Rubro-Negro, e pessoas envolvidas com a votação, segundo apurou a Trivela, esperam votações bastante acirradas. A diferença pode se dar por alguns votos, e existe uma movimentação para que todos os conselheiros consigam estar presentes na Gávea.
A proposta que fala sobre cargos políticos, inclusive, já gerou muitos problemas nos bastidores. Alguns entendem que a emenda deveria valer em todas as instâncias do clube, enquanto outros concordam que só busque cargos do alto escalão. No geral, a iniciativa do advogado Reinaldo Rayol Junior, enviada em março, foi bem recebida.
- Fica vedada a participação em eleições para os cargos de presidentes e/ou vice-presidentes dos Poderes do Flamengo às pessoas que exerçam qualquer cargo eletivo perante qualquer ente público municipal, estadual ou federal.
- Os presidentes e/ou vice-presidentes dos Poderes do Flamengo que estejam no curso de mandato eletivo no clube e venham a se candidatar para qualquer cargo público municipal, estadual ou federal, deverão se licenciar do cargo no Clube, antes de se inscreverem como candidatos, importando em renúncia ao mandato no Clube a posse em cargo público eletivo. Caso não seja eleito, ou mesmo eleito, renuncie ao cargo público antes de sua posse, o mandatário poderá reassumir o cargo no Flamengo.
- As vedações previstas nos §§ 6º e 7º, acima, somente se aplicam aos cargos de presidentes e/ou vice-presidentes dos Poderes do Flamengo, não se aplicando aos demais dirigentes não estatutários, contratados e remunerados pelo FLAMENGO.
A proposta do aumento de mandato, contudo, é a que gera mais polêmica. No geral, não permitir reeleição é algo bem visto internamente, por reforçar a ideia de uma renovação no Flamengo, mas o tempo de mandato — quatro anos —, foi visto como muito grande por pessoas ouvidas pela reportagem. Difícil prever o que acontecerá na reunião.
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Movimentações de grupo de Landim geram insegurança
Ao longo das últimas semanas, no entanto, houve um burburinho nos bastidores de que o grupo capitaneado por Rodolfo Landim estaria colhendo assinaturas para se beneficiar da emenda. Alguns conselheiros, em contato com a Trivela, entendem que não faria sentido buscar a aprovação sem que ela ampliasse o mandato do atual presidente.
Apesar disso, o momento é de críticas à gestão Landim nos bastidores. A possível prorrogação do mandato encontra grande resistência da oposição e até de membros da situação que, anteriormente, concediam apoio ao mandatário. Luiz Eduardo Baptista, o BAP, nome forte no Flamengo, já deu o tom de que não apoiará mais um ano de Rodolfo Landim no cargo.

A temporada muito ruim esportivamente também afasta a possível prorrogação no mandato de Landim, mas o clima ainda promete ser bem tenso na reunião desta quinta-feira. Como mencionado, as propostas serão votadas a partir das 19h, na Gávea.
Bandeira de Mello se posiciona
O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, se posicionou sobre a votação das emendas, em especial, a que lhe toca. O atual Deputado Federal pelo PSB detonou o veto de pessoas envolvidas com política a cargos no clube e chamou a medida de golpe. Ainda assim, em entrevista ao UOL, ele confirmou que não irá se candidatar a nenhum cargo no próximo pleito.
— Embora, a princípio, não tenha intenção de voltar a ocupar a presidência do clube, entendo que a decisão de barrar qualquer candidatura deve se dar através do voto do sócio, democraticamente — disse.



