Brasileirão Série A

Tite confirma que ainda tem muito a fazer no Flamengo (e na carreira)

Perguntado sobre aposentadoria, o treinador brincou com os jornalistas presentes ao afirmar que ainda quer trabalhar mais tempo

O consenso de Tite na coletiva foi de que o Flamengo mereceu a vitória, afinal, jogou melhor do que o Fluminense ao longo dos 90 minutos.

Tirando análises e observações sobre o jogo, que também envolveram polêmicas de arbitragem, o treinador demonstrou muito respeito pelo rival. O melhor, contudo, ficou para uma resposta sobre a aposentadoria do futebol.

O que Tite disse durante a coletiva?

  • Negou que vai se aposentar em pouco tempo, com direito a brincadeira;
  • Explicou a estratégia do Flamengo para bater o Fluminense, em jogo marcado por gols perdidos;

Essa é a última dança, Tite?

— Mais uns 10 (anos) e depois começo a pensar (risos).

Se Fernando Diniz reclamou do pênalti marcado em Bruno Henrique, que sacramentou a vitória do Flamengo no clássico, a comissão técnica de Tite também falou sobre polêmicas. No primeiro tempo, um lance envolvendo David Luiz e Paulo Henrique Ganso gerou revolta dos rubro-negros.

— Hoje, dentro do que vimos, foi o lance em que o David foi obstruído no movimento nele. Acho que o árbitro estava com a visão encoberta, mas o VAR poderia ter chamado. O David teve a movimentação impedida. O lance do pênalti, que o VAR auxiliou, foi claro. Existe toda uma preparação e nós às vezes nos vemos prejudicados — explicou.

Léo Pereira vê Flamengo forte no mental

Segundo o zagueiro, o principal ponto para que o Rubro-Negro consiga vencer as partidas na final é a blindagem da comissão técnica. Léo Pereira explicou, na zona mista, que essa união faz toda a diferença para o Flamengo no Brasileirão.

— A gente queria resolver as partidas antes, mas mostra que temos um grupo forte mentalmente. Isso é um dilema do nosso treinador também, que a gente possa estar os 90 minutos e mais acréscimos, concentrado naquilo que a partida pede. Para ser no último lance, aos 40, ou definir com 10 minutos de jogo. Acho que esse tem sido o nosso dilema: mental forte durante 90 minutos mais acréscimos. E estamos sendo felizes. Conquistamos 10 pontos nos últimos quatro jogos, eu acho. Temos de comemorar — analisou.

Léo Pereira é destaque do Flamengo em 2024 (Foto: Gilvan de Souza/CRF)

O próximo desafio do Flamengo será pelo Campeonato Brasileiro, na quarta-feira (26), quando Tite e companhia enfrentarão o Juventude, pela 12ª rodada. A bola rola a partir das 20h (de Brasília), no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.

Veja outros pontos abordados na coletiva

Respeito pelo Fluminense

— São duas grandes equipes. É a segunda ou terceira melhor campanha na Libertadores, eu tenho uma grande gratidão pelo Paulo Angioni (diretor de futebol do Fluminense). Não somos inimigos. Há um respeito pelo nosso trabalho. A equipe mereceu vencer. A gente retomava rapidamente a bola nos externos para deixar a equipe compactada. Foi gratificante. Fizemos por merecer independentemente do momento que fizemos o gol.

Invencibilidade com desfalques

— Quando um grupo de atletas se gosta, ele faz mais. Quando um grupo de atletas tem respeito e amizade, ele faz mais. Nós pensamos sempre no próximo jogo, trabalhamos dessa forma e conduzimos dessa forma. Sem se preocupar com estatísticas passadas.

Bolas paradas

— Nós trabalhamos a bola parada ofensiva e defensiva estrategicamente. Procurando as fraquezas do adversário nós tentamos ocupar espaços estratégicos em lances de bolas paradas, usamos até o termo “jogo de bola parada”, é um jogo que existe dentro de vários jogos. Matheus (Bachi) é o responsável direto. Nós damos as nossas contribuições e tem sido efetivo. Temos uma maneira de posicionar e marcar.

Gols no fim

— Nosso envolvimento não é só técnico e tático, é humano. Você sai de casa para ir a um lugar onde se sente respeitado e bem, você se sente bem e cria. Eu também creio nisso. A gente tenta convencer o ser humano antes de impor algo. Tem sido prazeroso esse trabalho. É o meu trabalho em clube. Vivi desde os 14 anos em grupo, tem sido bem desafiador para mim. Os atletas compraram a causa. Esses números fazem parte de tudo. Não dá para você convencer alguém sem fundamentar. Temos reuniões para mostrar porque venceu, empatou ou perdeu. É uma rotina interna e prazerosa.

Wesley

— É difícil individualizar, mas ao mesmo tempo é importante que se coloque. Poderia falar de uma série de atletas. A gente não esconde quando o atleta erra. Nós educamos e mostramos o caminho certo, o que pode acontecer é não externar para vocês (jornalistas). O clube não passa a mão, principalmente para os jovens. A grande forma de investimento é a educação. Pedi para os dois meus netos pararem de jogar bola e rezarem comigo. Tem muitas coisas erradas que não gosto em mim, outras que me orgulho muito. A que eu mais gosto é a educação e o respeito.

Bruno Henrique tem problema físico?

— Na verdade, não entendi bem a pergunta (sobre o atacante estar mal) porque ele jogou muito (risos). Em um lance ele te gera profundidade e finalização.

— Cada um tem sua visão, a nossa visão é que o Bruno é um jogador muito útil nas duas fases do jogo e vem externando isso. O problema que ele teve foi contra o Athletico-PR, mas mesmo assim, como o Tite disse no início, quando você está em um grupo que se gosta você faz mais. Eu vou discordar, o Bruno é muito importante para a gente.

Desgaste do elenco

— Parabéns Fábio Mahseredjian, parabéns Arthur (preparador físico), parabéns Tadashi (fisiologista), parabéns departamento médico. Eles pediram para os atletas virem antes para concentrar. Pediram para os atletas terem uma alimentação, fizeram. Já disse que não retiro nada que falei (sobre a CBF). Temos toda uma estrutura que permite minimizar isso, e mesmo assim o David (Luiz) estava com o joelho ruim no intervalo.

— Coloco também aí o sintético. Para cada jogo nós temos uma estratégia. Quando não temos a posse é tentar não conceder muitas oportunidades de gol para o adversário. O desgaste não tem sido muito acima pelo o que temos como média. E aí parte da tática, a gente não se expõe.

Vai secar o Uruguai na Copa América?

— Torço muito para a saúde de todos os atletas, tenho muito orgulho em estar técnico. Estou, porque a instituição é maior que tudo. Estou louco para ir casa, ver minha esposa. Flamengo. Flamengo é o meu real.

Substituições

— O David disse que estava sentindo. Ele estava com cartão (amarelo), e o timing de uma cobertura tem que ser preciso. Ele disse que não ia aguentar o jogo todo. David falou para a gente ser inteligente, as palavras são deles. Isso foi determinante para tirar e entrou o Léo, outro grande jogador.

— No Allan, trouxemos o Gerson para dentro pelo desgaste do Lorran. Nós víamos que ele estava perdendo algumas oportunidades devido ao cansaço. O Allan é um jogador que está em um processo de recuperação, ainda não tem condições de jogar o tempo todo, hoje fez um grande jogo. A entrada do Victor (Hugo) no lugar do Ortiz, que não está improvisado, mas está em uma posição que não estava habituado. Eu não quero que isso dure mais, espero que sejamos mais precisos nas finalizações. Exceto a precisão nas finalizações, foi um dos nossos (jogos) mais convincentes.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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