Brasileirão Série A

O Flamengo fez o mínimo, mas a goleada contra o Sport não pode passar impune

Placar elástico não esconde a apatia: time de Filipe Luís tratou o duelo como mera formalidade e segue dando sinais perigosos na reta final do Brasileirão

O Flamengo fez o mínimo para cumprir sua obrigação na Arena Pernambuco, mas a goleada por 5 a 1 sobre o Sport precisa servir de alerta. Em uma disputa de título decidida no detalhe contra o Palmeiras, cada rodada exige seriedade absoluta. E é justamente aí que o Rubro-Negro tem falhado: a equipe oscila demais quando enfrenta adversários frágeis, como se pudesse ligar o modo competitivo somente quando convém.

A sensação recorrente é a de um time que acredita controlar o jogo e o campeonato quando, na prática, não controla.

O contraste com o Palmeiras é inevitável. A equipe paulista — rival direto na briga pela ponta da tabela — raramente perde pontos contra equipes da parte de baixo da tabela: joga com sobriedade, impõe ritmo e resolve sem sustos. O Flamengo, ao contrário, parece reservar suas melhores versões para confrontos contra o G6, enquanto patina contra times tecnicamente muito inferiores.

É como se precisasse de um grande adversário para se concentrar — um traço perigoso demais para quem luta pelo título.

A atuação em Recife escancarou isso mais uma vez. O Sport, oficialmente rebaixado após essa derrota, abriu o placar e só desmoronou quando ficou com nove jogadores. Até ali, a equipe carioca alternava lentidão, passes burocráticos e uma sonolência coletiva difícil de justificar diante de um rival tão limitado. A goleada só se construiu quando o contexto empurrou o time para a vitória, não por mérito de uma postura agressiva desde o início.

O alerta se acende porque os próximos compromissos exigirão um Flamengo menos acomodado e mais consciente da própria responsabilidade. Contra equipes que lutam por objetivos distintos — sobrevivência, vagas internacionais, honra —, a intensidade precisa ser padrão, não exceção.

O Brasileirão não perdoa quem administra esforço ou subestima situações. E, se o clube da Gávea quiser realmente segurar a disputa até o fim, precisa provar que aprendeu a lição que a vitória magra em Recife tentou ensinar.

Como foi a vitória do Flamengo sobre o Sport

Everton Cebolinha e Douglas Telles, do Flamengo, comemoram gol (Foto: Flamengo/Divulgação)

O Flamengo fez um primeiro tempo bem ruim na Arena Pernambuco. Sonolento, desfocado e desorganizado: essa foi a postura do time de Filipe Luís em campo. Postura essa, que o Sport agradeceu — e soube tirar proveito. Aos 14 minutos, Pablo abriu o placar para o Leão.

Léo Pereira marcou sob pressão, tomou a bola de João Vitor e passou para Luan Cândido, que serviu a Pablo. O centroavante finalizou e acabou bloqueado no primeiro momento, mas a bola voltou e ele balançou as redes.

O Rubro-Negro carioca demorou, mas acordou — sobretudo após a expulsão de Matheus Alexandre. Com 40′ no relógio, Luiz Araújo fez bela jogada individual e acertou chute de rara felicidade para deixar tudo igual.

No segundo tempo, com dois jogadores a mais, a equipe carioca construiu a virada com certa facilidade. Aos 15 minutos, em praticamente seu primeiro toque na bola após entrar no lugar de Wallace Yan, Juninho empurrou para as redes.

Bruno Henrique, Ayrton Lucas e o jovem Douglas — cria das categorias de base do Flamengo — também deixaram sua marca e deram números finais ao duelo no Recife.

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E agora, Flamengo?

Com a vitória na Arena Pernambuco, o Flamengo foi a 71 pontos e assumiu — ao menos provisoriamente — a liderança do Brasileirão. O Palmeiras ainda enfrenta o Santos na rodada e pode recuperar a ponta da tabela.

O Rubro-Negro volta a campo na próxima quarta-feira (19), quando enfrenta o Fluminense. A bola rola a partir das 21h30 (de Brasília), no Maracanã.

Próximos jogos do Flamengo:

  • Fluminense x Flamengo — Brasileirão — quarta-feira, 19 de novembro, às 21h30
  • Flamengo x Red Bull Bragantino — Brasileirão — sábado, 22 de novembro, às 21h30
  • Atlético-MG x Flamengo — Brasileirão — terça-feira, 25 de novembro, às 21h30

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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