Brasileirão Série A

Seabra explica escolhas polêmicas, saída de Cabral e crava autonomia no Cruzeiro

O treinador Fernando Seabra concedeu entrevista coletiva após a emocionante vitória do Cruzeiro sobre o Botafogo, por 3 a 2

O Cruzeiro estreou com o pé direito no Campeonato Brasileiro e conquistou uma grande vitória sobre o Botafogo, na noite desse domingo (14), no Mineirão. Mesmo após sair perdendo logo aos quatro minutos de jogo, o time celeste se mostrou resiliente para virar o placar e depois, ao levar o empate, desempatar, já nos 45 do segundo tempo. Lucas Silva, Rafa Silva e Rafael Elias Papagaio fizeram os gols celestes no 3 a 2, enquanto Tiquinho Soares e Danilo Barbosa descontaram para o Botafogo.

Treinador da equipe, Fernando Seabra concedeu entrevista coletiva franca após o triunfo e respondeu diversos questionamentos que vinham permeando o noticiário do Cruzeiro nos últimos dias. Como de costume, ele começou elogiando o trabalho coletivo e a evolução mental da equipe, que não se abalou nas diversas situações adversas vividas durante a partida.

— Pra cada jogo que vamos estamos sem trabalhar alguns aspectos importantes pela falta de tempo. Sobretudo a abertura dos jogadores para assimilar em fazer, a evolução mental nesse jogo, a gente foi o mesmo do início ao fim, passando por adversidades e conseguindo se manter firme. Depois do último jogo sofrer o primeiro gol, responder, criar e virar contra um adversário qualificado, leva o empate e de novo se mantém firme e busca a vitória. Isso que é importante, a gente entender que algumas coisas são inegociáveis no nosso jogo, que é ter um equilíbrio posicional para defender e atacar, estar compacto para não sofrer muitos contra-ataques e quando isso é bem feito favorece a agressividade no jogo — falou Seabra.

Escolha por Neris no time titular

Seabra foi questionado sobre a escolha pela manutenção do criticado zagueiro Neris — que hoje fez uma partida sólida, mas falhou no gol do Botafogo, inconstância recorrente — no time titular. Inicialmente, justificou com dois lances em que o camisa 27 “salvou” o Cruzeiro na última partida. Depois, provocado pela Trivela, explicou melhor a situação, ressaltando que algumas de suas escolhas fazem parte de sua gestão de grupo.

— Eu não posso criar um ambiente, eu acabei de chegar, que quando acontecer alguma falha, eu tiro o jogador. E eu fico preso nessa coerência. Aí chega num jogo, o jogador falha, eu tiro o jogador, no jogo seguinte outro falha e o que eu tenho que fazer? Tirar o jogador. Porque eu tenho que agir com coerência, se não minha liderança desaba. E eu preciso gerar um ambiente seguro para meus jogadores — começou Seabra.

— “Você falhou, você não foi bem, tá aqui as informações. Ficou alguma dúvida? Vamos melhorar”. Se melhorar, sustenta uma oportunidade maior de jogar. Se não melhorar, tem outros jogadores trabalhando para ter essa oportunidade. No último jogo, teve outros jogadores que falharam. E que tiveram a chance de novo. Por quê? Porque trabalharam e porque precisam saber que quando aquele que tiver trabalhando, durante 20 rodadas tiver uma chance, se ele fizer um jogo, não precisarão pensar “pô, acabou pra mim”. “Fiz um jogo e saí de novo, porque é assim que funciona”, não pode ser assim. Preciso gerar um ambiente, seguro, de aprendizado e crescimento — continuou o treinador.

— Então não vai ser uma falha num jogo isolado que vai tirar um jogador. E como eu falei, o jogo contra o Alianza foi meu primeiro jogo. Então a partir daí começa a gestão de oportunidade, e não antes disso, porque eu não estava aqui antes disso — finalizou Fernando Seabra.

Saída de Rafael Cabral do Cruzeiro

O fim de semana em Minas Gerais foi marcado pela notícia de que o goleiro Rafael Cabral estaria deixando o Cruzeiro. O camisa 1 foi, inclusive, cortado da lista de relacionados para enfrentar o Botafogo. De acordo com jogadores e funcionários da Raposa, a saída foi “do nada”. O jogador treinou no sábado de manhã e no fim da tarde, companheiros e comissão técnica souberam que ele não se concentraria com o resto da equipe.

— Eu soube durante a tarde. Ele treinou de manhã e durante a tarde eu soube. Surgiu uma proposta e ele está elaborando. Para vir para o jogo é preciso estar com a cabeça 100% no jogo. Ele está interagindo com a direção e vamos esperar o desfecho da situação — revelou Fernando Seabra.

— Eu vi com naturalidade (a indisponibilidade de Rafael Cabral), dei toda a confiança para o Anderson (goleiro reserva), porque sabemos a qualidade dele. Isso foi algo que surgiu e eu, na minha posição, tenho que ir para as soluções. Não posso ficar parado pensando nisso, tenho que me mexer — contou o treinador do Cruzeiro.

Autonomia de Fernando Seabra no Cruzeiro

Seabra falou, ainda, sobre os questionamentos sobre uma suposta falta de autonomia nas decisões dentro do clube. Segundo ele, se não houvesse 100% de liberdade para trabalhar, não teria aceitado a proposta, mas ressaltou que não faz nada sozinho no Cruzeiro, que valoriza o trabalho coletivo.

— Eu tenho 100% de autonomia no Cruzeiro, isso fez parte da conversa e parte da proposta, mas isso não quer dizer que farei isso sozinho, pois nem no sub-20 foi feito sozinho, sempre foi feito com reuniões, então até o último momento tenho opiniões, mas a última decisão é minha — afirmou o treinador.

Seabra ainda elogiou jogadores como Rafa Silva e Ramiro, pelo papel tático que desempenharam. Além disso, contou que o trabalho da dupla pelo lado direito permitiu que o lateral William e o meia Matheus Pereira jogassem solto, o que resultou numa ótima atuação da dupla. O camisa 10, inclusive, atuou como um “falso 9”. Por outro lado, lamentou o pouco tempo de treino para correção de erros, inclusive nas bolas aéreas defensivas, que têm sido um problema, inclusive no jogo desse domingo.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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