Brasileirão Série A

Seabra revela estratégia do Cruzeiro contra Atlético-GO e situação de crias da Toca

Em coletiva, Fernando Seabra indicou que Cruzeiro imprime maior intensidade em momentos finais e falou sobre Vitinho e Jhosefer

O Cruzeiro conquistou sua terceira vitória consecutiva na temporada ao bater o Atlético-GO, por 1 a 0, neste domingo (12), em pleno Estádio Antônio Accioly, em Goiânia. O resultado levou a equipe estrelada ao quinto lugar do Campeonato Brasileiro, com dez pontos em cinco jogos, uma partida a menos que as quatro equipes que estão à frente da Raposa na tabela. A sequência dá confiança ao trabalho de Fernando Seabra, jovem treinador celeste, que iniciou sua caminhada no time principal celeste há pouco mais de um mês.

Por sinal, Seabra comemorou bastante a vitória sobre o Atlético-GO, valorizando o resultado que veio após uma partida bem difícil. O Cruzeiro contou com ótimas defesas do goleiro Anderson e o talento do craque Matheus Pereira, que deu aula em campo, com um golaço, e fora dele, ao falar sobre a tragédia do Rio Grande do Sul.

— A gente sabia das dificuldades que iríamos encontrar aqui quando a gente analisou os jogos da equipe do Atlético-GO. Uma equipe que vem com uma linha de trabalho já estabelecida e consistente nos comportamentos que tem. Estava claro para nós que teríamos que passar por momentos de dificuldade no jogo e o nosso time conseguiu ter essa maturidade e entender o jogo, se adaptar ao longo do jogo nesse sentido — começou Fernando Seabra.

O treinador deu a entender que o Cruzeiro adotou como estratégia pressionar mais na parte final da partida. O time mineiro tem se caracterizado por fazer gols nos minutos finais de seus jogos.

— Pontuamos muitas coisas no intervalo, uma delas que, de novo, passaríamos por dificuldades, mas que mantivéssemos a tranquilidade e focássemos no momento decisivo porque teríamos chance de vencer o jogo. A equipe teve o mérito de na reta final do jogo, a partir dos 15, 20 do segundo tempo para frente, conseguir ter uma certa imposição e empurrar o adversário. Numa dessas situações, o Matheus Pereira, bem colocado numa zona onde ele é bom finalizador, teve a felicidade de ser muito preciso, ter uma boa solução técnica e ser feliz — contou o técnico da Raposa.

Ele ainda apontou que o time conseguiu gerenciar bem as desvantagens que o Cruzeiro tinha em relação ao Atlético-GO, sendo essas o menor tempo de treinamento, visto que a Raposa jogou na terça-feira (7), pela Copa Sul-Americana, e o Dragão não teve partidas para disputar. Seabra ressaltou que sua equipe não teve o domínio do jogo, mas que soube construir a vitória com momentos de imposição decisivos.

Fernando Seabra elogiou torcida do Cruzeiro

Fernando Seabra ainda rasgou elogios à torcida do Cruzeiro, que compareceu em peso ao Antônio Accioly e se fez ouvir mais alto que os mandantes.

— A torcida foi fundamental, transmitiu uma energia excepcional. Estamos jogando longe de casa. A torcida encheu um setor inteiro no estádio do visitante, apoiou demais, torceu de forma genuína, mesmo nos momentos de dificuldade, transmitiu energia positiva para a equipe dentro de campo. Com certeza ajudou a passar por esses momentos de dificuldade. Como gesto de gratidão no final, eu busquei mobilizar a equipe para que transmitisse e compartilhasse esse momento bacana — elogiou.

Seabra revelou estratégias de jogo

Fernando Seabra contou, também, sobre o que foi trabalhado durante a semana, visando o jogo contra o Atlético-GO. Segundo ele, o Cruzeiro já esperava o cenário que se apresentou e exaltou sua equipe, que conseguiu superar o “cansaço excessivo” para levar os três pontos.

— A equipe do Atlético-GO é muito forte no contra-ataque e no jogo aéreo. A partir do momento que eles sofreram o gol, eles focaram totalmente em pesar nossa linha, colocaram jogadores e começaram a fazer cruzamentos. Muitos desses a gente conseguiu inibir, mas não todos. O adversário se arrisca em situação ofensiva, se abre, se desequilibra e o que a gente tem que fazer nesse momento é buscar aproveitar esse desequilíbrio e matar o jogo. Tivemos algumas situações de transição promissoras, mas acabamos não finalizando e o jogo acabou ficando vivo, mas são dificuldades que fazem parte do jogo. Se o adversário tivesse mais tempo para jogar, ele não teria se desequilibrado e atirado tão cedo. Esse tipo de situação de emergência ofensiva com bola aérea gera situação mais caótica, com bola em disputa o tempo todo. Aí, o que tem que fazer, é defender bem o gol, colocar bem o pé nos corredores laterais para tirar cruzamento — analisou.

Ele também ressaltou a importância dos substitutos, que entraram em campo na segunda etapa.

O jogo se desenrolou próximo do cenário que esperávamos, o Atlético-GO fazendo uma pressão individual nos tiros de meta e a gente tentando quebrar essa pressão com bola média, longa e outras vezes curta e atacar o fundo do campo. Fizemos um bom primeiro tempo nas bolas paradas defensivas, mas além da conversa do vestiário, o fator primordial é a isonomia com que a gente tem trabalhado o grupo. Todos os jogadores têm carga de treino e atenção igual, as entradas no jogo foram muito boas. A gente vem de um cansaço excessivo e os jogadores que entraram conseguiram elevar o nível de rotação para defender e atacar. Esse foi o fator primordial, todos entenderem e serem capazes quando forem oportunizados em um momento correto durante a partida — afirmou Seabra.

Estreia de Vitinho pelo Cruzeiro

Por fim, Fernando Seabra deu uma longa resposta sobre os jovens Vitinho e Jhosefer, ambos de 20 anos, seus velhos conhecidos do tempo de sub-20 do Cruzeiro. O primeiro estreou pelo time principal contra o Atlético-GO e o segundo foi relacionado pela primeira vez com o treinador.

Segundo Seabra, Vitinho conquistou sua oportunidade pelo índice de trabalho e acréscimo de opções em seu jogo, uma evolução notável nos últimos tempos. Leia a resposta na íntegra:

— O Vitinho cresceu muito no processo do Sub-20, porque ele aceitou o processo da adversidade. Ele aumentou demais a taxa de trabalho em treinos e jogos. Quando ele veio para nós da Ponte Preta, ele era um camisa 10 que jogava próximo ao centroavante, mais no corredor central, como um jogador de definição ou assistências. Era um articulador de último terço, de fase final.

— A gente entendia que ele era muito bom em espaços reduzidos, mas precisava ser potencializado nos espaços de velocidade do jogo. Então, usamos ele como médio, hora por dentro, hora por fora e hora atacando a última linha do adversário. Aumentar essa variabilidade técnico-tática e a dinâmica de jogo dele. E ele respondeu muito bem ao longo do ano passado, em que ele trabalhou no Sub-20.

Jhosefer entre os relacionados

O técnico ainda afirmou que depende de Jhosefer se manter no elenco principal. Que se ele seguir mostrando o alto nível nos treinamentos que demonstrou na última semana, irá seguir como opção. Se não, irá voltar para o sub-20. Em seguida, explicou o processo feito com os jovens que acabam não jogando no time de cima, e comemorou essa possibilidade.

— A gente optou por trazer o Jhosefer pela taxa de trabalho que ele colocou nos treinos, com níveis de rotação, intensidade e domínio das funções muito altos. Vai depender dele seguir no elenco principal. Se o desempenho dele for nesse nível, vai ser questão de mérito ele continuar. Se ele estiver oscilando demais e precisar de tempo, daremos no Sub-20. O jogador da base quando inicia essa transição ao profissional ele tem o privilégio de ser utilizado para ganhar ritmo de jogo no Sub-20, outros do profissional que não tem idade não podem. A gente tem o Pedrão que tem treinado, o Vitinho que tem treinado, em algum momento que era necessário jogar voltaram para o Sub-20 e jogaram — finalizou Seabra.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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