Brasileirão Série A

Faltou calma ao Corinthians para lidar com uma rara situação adversa no Brasileirão

Sete minutos contra o Atlético Paranaense. O tempo que passou entre o gol de Jonathan e o de Jô, no empate por 2 a 2, foi o único momento das 19 primeiras partidas do Corinthians no Campeonato Brasileiro em que o líder ficou atrás do placar. Em apenas sete dos 1720 minutos disputados antes deste sábado, ou em 0,4% de toda a participação corintiana no Brasileiro. Podemos concluir que não é um time acostumado a correr atrás do resultado, o que o atrapalhou na derrota por 1 a 0 para o Vitória, a primeira dos paulistas no torneio.

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Temos também que dar os méritos para o Vitória, que tem ido muito bem contra as equipes da parte de cima da tabela. Empatou, no Mineirão, contra o Cruzeiro, e venceu o Flamengo no Rio de Janeiro. Vágner Mancini tira pontos do Corinthians pela segunda vez: era o técnico da Chapecoense no empate da primeira rodada. E Fernando Miguel manteve a sua meta intacta com uma série de grandes defesas.

Mas o Corinthians, uma equipe tão segura do seu plano de jogo, encontrou dificuldades em uma situação adversa. Não foi a mais complicada do campeonato, já que sofreu bastante contra Cruzeiro e Flamengo, mas, neste sábado, tinha a obrigação de buscar o gol. Não bastava apenas defender-se. E a ansiedade atrapalhou.

Basta olhar para os números, recolhidos da Footstats. Foram 660 passes certos, bem acima da média de 415. Foi de longe o jogo em que o Corinthians mais acertou passes – 612 contra o Avaí está em segundo lugar. E, mesmo assim, chutou apenas 14 vezes contra Fernando Miguel, pouco acima da média de 11 por partida. Apesar de um volume de jogo muito maior do que a média, não houve uma melhora na produção ofensiva da mesma proporção. Os passes errados chamam a atenção: 69, superando os 57 contra a Ponte Preta, o segundo jogo em que o Timão mais errou passes, e acima da baixíssima média de 45 por partida.

O Corinthians também abusou dos cruzamentos. Na média, é o sexto time que menos usa esse artifício no campeonato, com 21,3 por partida (16,8 errados). Como tem o segundo melhor ataque, é um sinal de que busca jogadas trabalhadas pelo chão, sem rifar a bola de qualquer jeito. Mas, contra o Vitória, foram 43 cruzamentos, mais do que o dobro da média, e 32 errados. Ao contrário do que vinha fazendo até aqui, o Corinthians afobou-se e buscou atalhos para chegar à meta adversária.

Não funcionou, apesar de, no primeiro tempo, o Corinthians ter criado o bastante para empatar, com Fernando Miguel realizando duas grandes defesas, e Balbuena levando muito perigo de cabeça. A segunda etapa foi mais equilibrada, e o Vitória chegou a fazer o segundo, aos 4 minutos, com Kanu, mas o árbitro anulou erroneamente. Mesmo tendo feito seu último jogo duas semanas atrás, em 5 de agosto, o Corinthians não conseguiu uma pressão tão grande quanto se esperava no fim da partida.

Com três triunfos e um empate nas últimas cinco rodadas, o Vitória esboça uma bela recuperação e já se aproxima da saída da zona de rebaixamento. O Corinthians, por sua vez, perde uma sequência de 34 partidas invicto e sofre a primeira derrota no Campeonato Brasileiro. Que fique a lição: em situação adversa, não adianta se desesperar. Talvez seja melhor se manter ao plano que vem dando tão certo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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