Campeonato Brasileiro

Arana e Fágner resumem bem o coletivo do Corinthians ao final do arrasador primeiro turno

O Corinthians fechou neste sábado a sua campanha irretocável no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. A festa ficou guardada para a Arena Corinthians, onde os alvinegros derrotaram o Sport por 3 a 1. Rodriguinho ampliou a vantagem com um golaço de fora da área e Pedro Henrique fechou a conta de cabeça, enquanto Thallyson fez o de honra dos rubro-negros no final, em outro chutaço, para vencer Cássio. No entanto, o primeiro gol merece destaque especial. Não foi o mais bonito e alguns podem até acusar que houve um bocado de “sorte” pelo chute que não aconteceu de imediato dentro da área. É este tento, contudo, que ressalta dois protagonistas corintianos. Duas peças-chave para o time de Fábio Carille, que falam muito mais sobre a efetividade coletiva que permitiu a invencibilidade e o recorde de pontos até o momento no Brasileirão.

O lance começa pelo lado direito, com Fágner. O lateral aplica um drible desconcertante na marcação, antes de avançar à linha de fundo e mandar a bola para área. Maycon furou, mas a bola sobrou limpa para Guilherme Arana, do jeito que qualquer jogador gosta de soltar o pé. E o jovem pegou muito bem nela. O chute cruzado quicou no gramado e passou por Magrão. Morreu nas redes, abrindo o caminho para o 14° triunfo do Corinthians no Brasileiro.

A discussão sobre quem é o melhor jogador no time de Fábio Carille é ampla. Cássio atravessa uma fase tão boa (ou até melhor) do que a vivida nas múltiplas conquistas de 2012. Jô apresenta um poder de decisão imenso em quase todas as rodadas. Rodriguinho vai voando no meio, Ángel Romero se tornou um dos xodós da Fiel, Balbuena e Pablo formam uma defesa bastante segura. Mas talvez nenhum deles sejam tão significativos sobre o coletivo quanto Fágner e Guilherme Arana. O ótimo desempenho da dupla de laterais não só reflete o sucesso alvinegro, como também resume muito bem.

Primeiro, pela importância defensiva de ambos. Podem não ser os laterais rotulados como grandes defensores, mas a consciência tática de ambos é essencial para o Corinthians manter a segurança do setor. São nove gols sofridos em 19 rodadas, média inferior a um a cada dois jogos. Mais do que isso, em apenas 13 partidas os alvinegros não foram vazados, oito delas fora de casa. Os méritos de marcas tão impressionantes são compartilhados. Fágner, em particular, aparece entre os líderes em desarmes do campeonato. Já Arana ainda tem suas lacunas defensivas, mas vem melhorando gradativamente no trabalho sem a bola.

Todavia, é com a bola que os dois laterais escancaram a preponderância. O Corinthians é o segundo time que menos cruza no Brasileirão. Mesmo assim, a dupla nas alas participa demais. A saída de jogo dos alvinegros depende bastante da qualidade técnica de ambos, trabalhando com a bola ao chão e dando opções mais à frente. O time de Fábio Carille é o que mais executa passes curtos, e isso tendo apenas a sexta maior posse de bola entre os 20 participantes da Série A. Sinal do jogo acelerado, influenciado pela fluidez nas laterais. São os líderes do time em média de passes, assim como aparecem entre os primeiros que mais criam ocasiões de gol. E nem precisam necessariamente dar a assistência direta. Os avanços à linha de fundo são importantes justamente para aumentar a amplitude do time e abrir espaços para as jogadas.

O primeiro gol deste sábado é emblemático por tudo isso. Como também poderia ter sido citado o tento de Arana contra o Palmeiras ou a assistência de Fágner para Jô contra o Bahia. Os dois laterais podem não se destacar tanto nos “números principais” de tentos ou passes para gol do time. Ainda assim, a função de ambos na engrenagem de Fábio Carille é de relevância inegável. Em um time de enorme disciplina e muita eficiência, Fágner e Arana estão entre os melhores operários por retratarem tão bem tais predicados.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo