Depois da pena branda pelo caso de manipulação, Bauermann ainda vai jogar na Turquia
Eduardo Bauermann recebeu uma pena de 12 jogos pelo caso da Operação Penalidade Máxima e, depois de rescindir com o Santos, vai defender o Alanyaspor - no que deixa uma impressão de insuficiência sobre a seriedade do episódio

Eduardo Bauermann é um dos principais nomes envolvidos na Operação Penalidade Máxima, que investiga casos de manipulação no futebol brasileiro ligados a máfias de apostas esportivas. O zagueiro foi acusado de receber dinheiro para forçar cartões em campo e, assim, beneficiar esquemas fraudulentos. Bauermann foi inicialmente suspenso pelo Santos e depois acabou punido pelo STJD, com um gancho de 12 partidas – enquanto aguarda os desdobramentos do caso na justiça comum. Após rescindir seu contrato com o Peixe, no entanto, o defensor seguirá sua carreira profissional em outro país. Nesta segunda-feira, Bauermann foi anunciado como reforço do Alanyaspor para o próximo Campeonato Turco.
Conforme as informações divulgadas pela Operação Penalidade Máxima, Bauermann ganhou R$50 mil para receber um cartão amarelo na partida entre Santos x Avaí, no último Campeonato Brasileiro. O combinado, porém, não foi cumprido e depois ele prometeu uma expulsão no jogo seguinte, contra o Botafogo. Como recebeu o vermelho apenas depois do apito final, a expulsão não contou para as apostas esportivas e não recompensou a fraude. Bauermann foi ameaçado pelos criminosos e prometeu devolver R$800 mil à quadrilha. Citou inclusive questões familiares, após o parto de sua filha.
Gancho de 12 partidas foi menor que de outros acusados
A suspensão de 12 partidas para Bauermann, estabelecida no início de junho, foi bastante contestada. Uma das estratégias da defesa do futebolista foi justificar que o cartão vermelho tomado pelo zagueiro não interferiu diretamente no resultado da partida, após o apito final, e também não prejudicou o Santos, porque o atleta estava lesionado. O STJD avaliou que o beque “agiu contrariamente à ética esportiva”, mas não o enquadrou conforme a denúncia inicial, de “prejudicar seu clube em troca de vantagem”. Assim, sua suspensão foi mais branda que a de outros colegas julgados pelo tribunal desportivo. Alguns dos futebolistas envolvidos receberam ganchos de um a três anos, enquanto Gabriel Tota e Matheus Gomes foram eliminados do esporte profissional – com a possibilidade de conseguirem retomar suas carreiras após revisão da pena em dois anos.
A procuradoria do STJD, no entanto, entrou com recurso para aumentar a pena dos futebolistas julgados pelo envolvimento nos crimes descobertos pela Operação Penalidade Máxima. Oito jogadores poderão ter suas punições ampliadas, inclusive Bauermann. O novo julgamento, que será realizado pelo Pleno do STJD, acontecerá na próxima quinta-feira.
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Bauermann rescindiu com o Santos e seguiu à Turquia
Na última semana, na esteira dos acontecimentos, Bauermann rescindiu seu contrato com o Santos. O Peixe confirmou a saída em “comum acordo” com o jogador, que passou os dois últimos meses afastado do elenco. A esta altura, a transferência do zagueiro para o Alanyaspor já estava alinhada. Os santistas não receberão pela venda, mas mantiveram 40% dos direitos econômicos do atleta. Bauermann chegou também a publicar uma carta de despedida do clube, em que disse acatar a punição do STJD e se defendeu das críticas realizadas pela opinião pública.
“Quando julgado, sofri minha punição e acatei prontamente, visando cumprir o determinado em primeira instância pelo STJD, e mesmo assim algumas pessoas continuam seu julgamento apenas baseado em trechos distorcidos pela imprensa. Infelizmente, hoje em dia as redes sociais têm muito peso e muita voz. Por essas pessoas se acharem juízes, se acharem no direito de julgar as outras, fui muito massacrado, fui muito difamado, fui inclusive ameaçado por aqueles que diziam torcer por mim”, justificou o zagueiro.
Bauermann provavelmente lidou com consequências pesadas de seus atos nos chamados “tribunais da internet”. O zagueiro opta por preservar sua família e deixar o país, também diante das ameaças que recebeu dos criminosos para quem trabalhou. No entanto, a pena branda do STJD e a oportunidade de recomeço na Turquia dão uma sensação de insuficiência. Quando imaginava-se uma sanção bem mais dura pela manipulação de resultados, os 12 jogos de gancho pareceram baratos. E, sem uma atitude contundente do STJD na primeira instância, o beque ganha uma chance no exterior que deveria ser inimaginável.
O caso de Bauermann é mais preocupante pelos reflexos que possui. O zagueiro não recebeu a pena exemplar que se esperava, inclusive para coibir outros atletas de seguirem pelo mesmo caminho na manipulação de resultados. De certa maneira, uma impressão de que o “crime compensa” prevalece. Apenas jogadores de clubes menores, e não o “figurão do time da Série A”, é que foram sancionados da maneira devida. Agora, a transferência à Turquia indica um “caminho fácil” àqueles virtualmente pegos. O saldo é muito barato para quem se envolveu em duas fraudes.
Richard, outro envolvido no caso, também foi anunciado
Além de Eduardo Bauermann, o Alanyaspor contratou o meio-campista Richard. Emprestado pelo Ceará ao Cruzeiro, o jogador também foi citado na Operação Penalidade Máxima e acabou afastado preventivamente pelo clube mineiro. Diferentemente de Bauermann, porém, não chegou a ser punido pelo STJD. Diante da falta de abertura em outros clubes brasileiros, o volante seguiu ao Campeonato Turco. É mais um nome que merece um olhar mais adiante, embora o atleta não tenha sido considerado culpado pelo tribunal esportivo.
O Alanyaspor terminou o Campeonato Turco no 15° lugar. O clube possui uma ligação forte com brasileiros nos últimos anos, que também inclui passagens do atacante Vágner Love e do zagueiro Welinton. Outro jogador do país anunciado nesta janela de transferências foi o ponta Carlos Eduardo, ex-Palmeiras.
Os oito jogadores julgados inicialmente pelo STJD
- Moraes (Aparecidense): 760 dias e multa de R$ 55 mil
- Gabriel Tota (Ypiranga): eliminado e R$ 30 mil
- Paulo Miranda (sem clube): mil dias e R$ 70 mil
- Eduardo Bauermann (Santos): 12 jogos
- Igor Cariús (Sport): absolvido
- Fernando Neto (São Bernardo): 380 dias e R$ 15 mil
- Matheus Gomes (sem clube): eliminado e R$ 10 mil
- Kevin Lomónaco (Bragantino): 380 dias e R$ 25 mil



