Brasileirão Série A

Os quatro motivos que fizeram o Cruzeiro ser a surpresa do primeiro turno do Brasileirão

Time celeste entrou desacreditado no Campeonato Brasileiro, mas vem surpreendendo e ocupa a quinta colocação na tabela

O Cruzeiro é a grande surpresa do Campeonato Brasileiro até aqui. Atualmente, o time celeste ocupa a quinta colocação, com 32 pontos em 18 jogos, estando apenas um atrás do Fortaleza, que abre o G4 da competição.

O líder do Brasileirão, no momento, é o Botafogo, que tem 40 pontos em 19 jogos, uma partida a mais que a Raposa.

A campanha do Cruzeiro surpreende porque o time entrou na competição desacreditado, vivendo período de crise e com um time muito parecido com aquele que brigou contra o rebaixamento até a penúltima rodada do Brasileirão de 2023.

Para se ter ideia, no início do Brasileirão, o Cruzeiro havia:

  • Recém-amargado o vice-campeonato Mineiro para o rival Atlético-MG, após sofrer virada dentro de um Mineirão lotado;
  • Sido eliminado da Copa do Brasil, na primeira fase, para o Sousa (PB);
  • Tido um início ruim na Copa Sul-Americana, com dois empates em dois jogos no seu grupo, considerado plenamente acessível;
  • Recém-demitido o treinador argentino Nicolás Larcamón e contratado Fernando Seabra para o seu lugar;
  • Perdido seu goleiro titular, Rafael Cabral, que anunciou que deixaria o clube um dia antes da estreia do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro.

Todas essas situações fizeram com que a grande maioria das pessoas imaginasse que o time celeste mais uma vez fosse brigar contra o rebaixamento.

Além disso, dos reforços contratados para a temporada, somente Lucas Romero havia se firmado no time. Outro jogador que chegou e vinha se adaptando bem, Juan Dinenno, se machucou.

Por isso, o Cruzeiro chegou a atuar em algumas partidas com um time praticamente igual ao de 2023 e ainda sem a ótima dupla Zé Ivaldo e João Marcelo na zaga, pois o contestado Neris, que já deixou o clube, iniciou a competição como titular.

Cruzeiro superou a desconfiança com futebol bem jogado

Tudo indicava que seria mais um ano de sofrimento para o cruzeirense, mas conforme o tempo foi passando, o que se viu foi um time forte, coeso e que conquistava os pontos necessários para se manter na parte de cima da tabela.

Alguns jogadores pouco badalados, como o goleiro Anderson, os zagueiros João Marcelo e Zé Ivaldo, o jovem lateral-esquerdo Kaiki, além do meio campista Álvaro Barreal, passaram a mostrar um grande futebol, potencializado pela parceria com os ótimos William, Marlon, Romero, e a magia de Matheus Pereira.

Outros fatores, como o Mineirão, o trabalho de Fernando Seabra e a mudança de gestão no clube se encaixaram com perfeição e o Cruzeiro embalou.

Fernando Seabra durante Cruzeiro 3 x 2 Botafogo
O treinador Fernando Seabra jamais perdeu em casa comandando o Cruzeiro – Foto: Staff images/Cruzeiro

A Trivela trouxe os quatro principais motivos que fizeram o Cruzeiro superar a desconfiança e fazer um grande primeiro turno do Brasileirão.

Antes disso, é preciso ressaltar que a partida entre Cruzeiro x Internacional, válida pela quinta rodada do campeonato e que acontecerá no Mineirão, ainda não foi marcada.

Ela foi adiada por causa dos desastres climáticos no Rio Grande do Sul e por ainda não ter uma data de acontecimento, consideramos as 18 partidas até aqui um turno do Brasileirão.

Mudança de gestão

Ainda que Fernando Seabra tenha utilizado o time montado pela gestão de Ronaldo Nazário na maior parte do Brasileirão, é inegável o impacto que a venda da SAF do Cruzeiro trouxe ao clube na competição.

A partir do momento que Pedro Lourenço compra o clube, ainda antes da realização da quarta rodada do Campeonato Brasileiro, o clima na Raposa muda e a abalada relação com a torcida, que vinha em pé de guerra contra a diretoria, muda.

Pedrinho BH assumiu o Cruzeiro e repatriou o dirigente Alexandre Mattos, anunciando que haveria uma mudança no perfil de investimentos do clube, antes modesto e a partir de então, muito agressivo.

O Cruzeiro então passou a acertar com grandes jogadores, como o goleiro Cássio, e isso pareceu cair bem no elenco, visto que o rendimento coletivo aumentou, talvez pela aproximação de novas “sombras”.

Neste momento, a torcida abraçou o time e tudo passou a fluir bem. Os resultados vieram não só no Brasileirão, mas também na Copa Sul-Americana, e as perspectivas do clube mudaram para melhor.

Pedrinho BH e Cássio durante chegada do goleiro à Toca da Raposa 2
Após comprar a SAF do Cruzeiro, Pedrinho BH passou a investir pesado e trouxe nomes como o do goleiro Cássio – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Mineirão como fortaleza

É impossível desassociar a ótima campanha do Cruzeiro no Brasileirão do Mineirão. O time celeste venceu todos os jogos que disputou no estádio e também ganhou a partida que precisou mandar no Independência.

Os 100% de aproveitamento em casa no campeonato garantiram 24 dos 32 pontos do time, o que faz com que a irregular campanha fora de casa não pese tanto.

Também é preciso falar do papel da torcida, que como já dito, abraçou o time e tem tido papel fundamental no aproveitamento perfeito em casa. Para além do apoio irrestrito, é nítido que atuar em casa deixa os jogadores do Cruzeiro mais ligados, lutando por cada bola. Equipe e arquibancada rotacionam juntos.

Em vários momentos, parece que os jogadores torcem em campo e que os cruzeirenses jogam fora dele. João Marcelo e Zé Ivaldo fazem desarmes de cinema e vibram da mesma forma que o torcedor vibrou no Gigante da Pampulha.

Ao mesmo tempo, os presentes no Mineirão, sejam eles crianças, jovens, adultos ou idosos, “defendem” cada bola chutada ao gol de Anderson e Cássio.

Também destaca-se como a torcida celeste tem crescido nos momentos mais adversos ou onde o time precisa de um gás a mais. E o resultado disso se reflete nos números.

Se conseguir manter os resultados positivos em casa, nos onze jogos que faltam para disputar como mandante, o Cruzeiro poderá seguir sonhando alto neste Brasileirão.

Trabalho de Fernando Seabra

Fernando Seabra faz seu primeiro trabalho como profissional e já se mostra um treinador extremamente capacitado, sendo responsável direto pelo grande momento do Cruzeiro.

Com o mesmo elenco de seu antecessor, Seabra mudou peças e posicionamentos, adaptou jogadores, como Barreal, e fez do Cruzeiro um time sólido, ofensivo e que apresenta um ótimo futebol, com variações, belas trocas de passe e alta dedicação de seus atletas.

O treinador parece ter o grupo na mão e os jogadores respeitam o trabalho do comandante, que consegue potencializá-los. O sistema de Seabra tem feito com que jogadores se valorizem e passem a ser conhecidos pelo Brasil e mundo.

E o próprio Fernando Seabra também passa a gozar deste reconhecimento, tendo o seu trabalho exaltado interna e externamente.

Agora, com um elenco consideravelmente mais forte, terá a possibilidade, e a responsabilidade, de fazer ainda mais.

O momento mágico de Matheus Pereira

Por último, mas longe de ser menos importante, está ele, o camisa 10 do Cruzeiro e, para muitos, o craque do Brasileirão até aqui: Matheus Pereira.

O meia joga e faz jogar, contribui sendo o maestro do time e também decidindo vários jogos, com gols e assistências.

Até aqui, Matheus, de 28 anos, disputou 17 jogos, marcando seis gols e dando duas assistências. Diversas das suas participações foram decisivas e garantiram pontos.

Além disso, o camisa 10 também tem papel fundamental na construção, seja no penúltimo passe ou em jogadas inteligentes que atraem a marcação adversária.

No último jogo do Cruzeiro, a vitória contra o Juventude, deu ótimo lançamento que se tornou o pênalti convertido por William, que abriu o placar do 2 a 0. No mesmo jogo, deixou os companheiros na cara do gol em algumas ocasiões, mas estes não aproveitaram.

Hoje, Matheus Pereira é cada vez mais visado pelos adversários, que tentam (muitas vezes só tentam) pará-lo com marcação individual, faltas, intimidação, mas até então pouco disso funciona. E com novos companheiros para dividir o fardo, a tendência é que o meia só venha a crescer.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, No Ataque, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.

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