Corinthians volta ao padrão de fábrica e mostra que é o Robin Hood do Brasileirão
Timão demora 70 minutos para entrar em campo e novamente tropeça contra adversário da parte baixa da tabela no Brasileirão
Após uma sequência de boas atuações, mesmo que algumas delas não tenham levado à vitória, o Corinthians voltou ao padrão de fábrica e teve atuação vexatória contra o Santos, na Vila Belmiro.
Inoperante, sobretudo no primeiro tempo, o Timão perdeu por 3 a 1 e manteve a sina de Robin Hood no Campeonato Brasileiro.
A equipe que dá trabalho ao pelotão de cima acaba tendo muita dificuldade quando enfrenta um adversário que luta na parte baixa da tabela.
E, com isso, o clube alvinegro vai criando um problema desnecessário para si nesta reta final de Brasileirão.
Com a derrota diante do Peixe, o Corinthians vê a distância para o próprio Santos encurtar para dois pontos e a zona do rebaixamento segue como ameaça.
Caso o Vitória vença o clássico contra o Bahia, nesta quinta-feira (16), no Barradão, o Timão seguirá a cinco pontos de diferença do Z4.
E para piorar, dessa vez a derrota não veio com o acalento da boa atuação.

Pelo contrário, o Corinthians basicamente não jogou no primeiro tempo e toda a proposta levada a campo deu errado.
O gol sofrido logo aos três minutos de partida atrapalhou muito, mas o clube alvinegro não teve poder de reação em momento algum, chegou a perder por três gols de diferença e só resolveu jogar nos 20 minutos finais, quando Memphis e Rodrigo Garro entraram. E, ainda assim, não fez muito para mudar a história do jogo e construir uma epopeia na casa do rival.
O Timão, que vinha de vitória contundente contra o Mirassol e ótimas atuações diante de outros times do G4 (Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro), em que pese não ter vencido, parece não saber jogar quando tem pela frente adversários teoricamente inferiores.
Banho de água fria afeta o Corinthians
O Corinthians mal entrou em campo e já estava perdendo. A bola parada defensiva em que o Timão havia evoluído tanto foi o calcanhar de Aquiles logo aos três minutos de partida, quando Barreal cobrou escanteio na cabeça de Zé Rafael.
O volante marcou pela primeira vez com a camisa santista ao vencer dois defensores corintianos pelo alto no primeiro pau. Matheuzinho e Raniele estavam no lance, mas não conseguiram conter o cabeceio do adversário.
Desde então, esperava-se que o Corinthians saísse mais para o jogo, mas não foi o que aconteceu.
O Santos, com duas linhas de quatro bem definidas, conteve as inversões de jogo do Timão que foram muito bem sucedidas nas últimas partidas.
E a dificuldade da dupla de volantes com a bola no pé tornou o meio-campo corintiano inoperante. O resultado disso foi a bola pouco chegando até a dupla de ataque, formada por Gui Negão e Yuri Alberto.
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Nem mudança de sistema mudou o espírito do Corinthians
O auxiliar técnico Lucas Silvestre, que novamente substituiu o suspenso Dorival Júnior no banco de reservas do Corinthians, entendeu que o sistema não estava funcionando, chamou os atletas e mudou a formação corintiana aos 35 minutos do primeiro tempo.
Os três zagueiros deram lugar a uma linha de quatro, com Matheuzinho voltando à lateral original, com Angileri no lado oposto. No meio, os dois volantes se posicionaram lado a lado, com Bidon abrindo como meia-direita e Hugo se posicionando no lado oposto.
Mas sequer deu tempo do Timão esboçar uma reação. Somente três minutos após a alteração de sistema da equipe alvinegra, um erro de passe de Yuri Alberto, ao buscar jogo no campo defensivo, levou a um lindo chute de fora da área do meia Barreal e um golaço que coroou um placar merecido no primeiro tempo.
Ir para o intervalo perdendo somente por um gol seria até lucro para o Corinthians, que teria tempo para se organizar. O segundo gol santista, porém, não só deu justiça ao placar, como dificultou muito a vida corintiana.
E o que estava ruim ficou ainda pior quando o volante Breno Bidon cometeu pênalti em Zé Rafael logo no início da etapa final. O árbitro Flávio Rodrigues de Souza não marcou em campo, mas assinalou a penalidade após revisar o VAR. Rollheiser converteu e ampliou para o Peixe.
O terceiro gol relaxou o Santos e o Corinthians aproveitou para diminuir poucos minutos depois, com Raniele, de cabeça, após escanteio cobrado por Matheuzinho.
Meninos entram primeiro e medalhões somente depois
Mesmo com Rodrigo Garro e Memphis Depay entre os reservas, a escolha do técnico Lucas Silvestre no intervalo foi promover a entrada de dois garotos: o volante André e o atacante Kayke. Saíram Hugo e Gui Negão.
Memphis foi preservado dos titulares por ter atuado pela Holanda nos dias 9 e 12 de outubro, pelas Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2026.
Já Rodrigo Garro não era relacionado há pouco menos de um mês, por conta de uma lesão na panturrilha. Ele voltou a treinar durante os 10 dias sem jogos que o Timão teve, por conta das datas Fifa.
O neerlandês e o argentino entraram em campo aos 25 minutos do segundo tempo.
E a entrada da dupla deu uma nova dinâmica ao Corinthians, que passou a ter mais posse de bola, criar mais e levar perigo.
A equipe que não finalizava começou a induzir o Santos ao campo de defesa e até mesmo acertou a trave com Gustavo Henrique, aproveitando cruzamento impecável de Rodrigo Garro.
Se serve de algum consolo, a volta desses atletas dá a esperança de time completo e dias melhores para o Corinthians.



